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Bendito Mario...

24 de janeiro de 2008 0


Não é a primeira vez que escrevo meu nome, Renato Valenzuela, e o vejo como se fosse de outra pessoa, de alguém distante com quem perdi contato faz tempo. Em outras ocasiões, diante do espelho, quando acabo de me barbear, vejo um rosto que mal reconheço, como se fosse o esboço ou a caricatura de outro rosto, com que estou mais ou menos acostumado. Então acho que esse olhar não é o meu, que essas pupilas de rancor não me dizem respeito, que essas rugas pertencem a outra máscara, que esses fiordes de calvície não correspondem à minha geografia capilar. É verdade que tais divagações costumam ser momentâneas, metamorfoses que duram o tempo de um suspito, mas sempre me deixam instável, desassossegado, indefeso. É por isso, Renato Valenzuela, que talvez tenha chegado a hora de acertar as nossas contas. Com o tempo, com o passado, com as feridas, com as promessas contigo/comigo. Todas.

Trecho de Não há sombra no espelho, conto do mago uruguaio das palavras Mario Benedetti, e que está ganhando edição em português pela Alfaguara (tradução de Rubia Goldoni) no volume Correio do Tempo, pequenas pérolas de nostalgia e de uma melancolia que, vinda do passado, contamina todo o futuro.

Postado por Carlos André Moreira

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