Já é tempo de uvas, perguntei colhendo um bago.
Era enjoativo de tão doce, mas se eu rompesse a polpa cerrada e densa, sentiria seu gosto verdadeiro. Com a ponta da língua pude sentir a semente apontando sob a polpa. Varei-a. O sumo ácido inundou-me a boca. Cuspi a semente: assim queria escrever, indo ao âmago do âmago até atingir a semente resguardada lá no fundo como um feto.
Lygia Fagundes Telles em Verde Lagarto Amarelo, incluído em Antes do Baile Verde
Postado por Carlos André Moreira




Nossa, muito bacana esse trecho.
Abraçossss