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Morreu Arthur C. Clarke

18 de março de 2008 4

Arthur Clarke em sua biblioteca em Colombo, no Sri LankaA notícia vem do Sri Lanka: morreu na madrugada desta quarta-feira o escritor Arthur C. Clarke, um dos mestres da literatura de ficção científica, autor de mais de uma centena de livros – e co-autor, com Stanley Kubrick, de uma das obras-primas do gênero no cinema: o roteiro de 2001: Uma Odisséia no Espaço. Ele tinha 90 anos e morreu de insuficiência respiratória em Colombo, no Sri Lanka, onde vivia.

Mais do que um escritor de ficção científica, Clarke é tido, ao lado de uns poucos como Isaac Asimov, William Gibson e Ray Bradbury, por exemplo, como autor do que se pode chamar com propriedade de ficção “científica”, já que a invenção está a serviço dos conhecimentos científicos reais que temos sobre o mundo e o universo. E mesmo aquilo que não se mostra possível nesse tipo de ficção normalmente tem uma base científica real tão forte que coisas que não eram possíveis quando o livro foi escrito tornam-se realidade com o passar dos anos. É a chamada “literatura de antecipação”, termo que muitos fãs usam para diferenciá-la do que seria a “fantasia científica”, histórias aventurescas em que a ciência mais parece calcada em livro-texto de 5ª série.

Definitivamente, Clarke foi um “antecipador”. Antes de se tornar um escritor, foi um técnico e um cientista com reputação consolidada. Serviu como operador de radar na Real Força Áerea durante a II Guerra Mundial e fui um dos responsáveis pela pesquisa tecnológica que desenvolveu o sistema defensivo de radar utilizado pelas forças britânicas durante o conflito. Depois de dar baixa com o posto de tenente-aviador, formou-se em Física e Matemática no King’s College, em Londres, e está documentado que foi um dos primeiros cientistas do mundo a propôr a idéia, ainda nos anos 1950, de que satélites geoestacionários (em órbita fixa ao redor da Terra) seriam grandes suportes para uma rede mundial de telecomunicações.

Embora tenha escrito contos desde muito cedo, começou a publicar em bases mais profissionais após o fim da II Guerra, na segunda metade dos anos 1940. É dessa mesma década o conto O Sentinela, que inspiraria o filme de Kubrick e que até hoje é um repositório das principais características associadas a sua ficção: precisão técnica, um humanismo metafísico e a exploração do paradoxo entre a desumanização da técnica e um sentido místico maior para a existência.

Clarke permaneceu tão focado nas idéias e conceitos apresentados em O Sentinela que voltou a eles em uma série de livros apelidada, por seus leitores, como a “série 2001″. O romance-título, 2001: Uma Odisséia do Espaço, foi redigido enquanto o escritor colaborava com Kubrick no roteiro do filme, nos anos 1960, e ficou pronto antes da obra cinematográfica. O romance, como o filme, discute as origens do homem, o lugar da espiritualidade, o desenvolvimento da inteligência. Suas seqüências, embora também populares, foram menos bem sucedidas em termos estéticos e até mesmo de público. São elas 2010: Uma Odisséia no Espaço 2 (também transformado em um filme, O Ano em que Faremos Contato, ruim de doer, dirigido por Peter Hyams e estrelado por Roy Scheider), 2061: Uma Odisséia no Espaço 3 e 3001: a Odisséia Final, todos publicados no Brasil pela Nova Fronteira, mas alguns já fora de catálogo. O elo comum entre os romances, além de personagens recorrentes, é o “monolito negro” (no filme, no livro ele é descrito como um “monolito de cristal”) tornado célebre pelo filme de Kubrick, de origem alienígena.

Outro eixo da produção literária de Clarke é a série Encontro com Rama, também focado em um elemento externo ligando a humanidade a seres de outros planetas. Desta vez, o centro da narrativa é uma nave cilíndrica (a “Rama” do título) que cruza o nosso sistema solar até ser interceptada por um grupo de exploradores que passam a tentar desvendar os segredos e a tecnologia da nave (publicado nos anos 1970, esse argumento voltaria ao cinema em filmes Bs que resolveram copiar a idéia, tantos quanto as voltas que a Terra dá em torno do Sol). Também este livro renderia a Clarke três seqüências: Rama II, O Jardim de Rama e A Revelação de Rama. Novamente, todos tiveram edição no Brasil pela Nova Fronteira, alguns ainda são fáceis de achar, outros só em sebo.

Clarke vivia no Sri Lanka havia mais de 50 anos, e desde os anos 1980 lutava contra uma síndrome chama pós-polio, que o obrigava a passar a maior parte do tempo em uma cadeira de rodas. Já nos anos 1990, quando estava às vésperas de ser condecorado pela monarquia britânica, ele foi alvo de reportagens difamatórias do tablóide inglês The Sunday Mirror, no qual era acusado de pedofila e aliciamento de garotos do Sri Lanka. As autoridades locais investigaram o caso, a condecoração foi adiada, Clarke foi inocentado e o Sunday Mirror publicou uma retratação. Em 2000, finalmente recebeu a condecoração. Além disso, Clarke ganhou várias vezes o Hugo e o Nebula, os prêmios mais importantes da ficção científica internacional. Ah, sim, se alguém tinha curiosidade, o C. de Arthur C. Clarke era de Charles.

Comentários (4)

  • Lucas diz: 19 de março de 2008

    Este vai fazer falta!

  • Jachson Ribeiro diz: 19 de março de 2008

    O Arthur Clark foi um dos maiores genios da literatura de ficção científica. Os leitores e colecionadores dos livros de bolso portugueses “Coleccao Argonauta” que o digam.

  • Thomas diz: 18 de março de 2008

    Valeu Arthur!!!!

  • Luciano diz: 19 de março de 2008

    Grande mestre da ficção científica, uma mente brilhante que nos deixa…
    Obrigado por ter escrito a obra-prima “O Fim da Infância” e ter escrito os livros da saga “RAMA” que originou o jogo de computador do mesmo nome.

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