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Para surpreender suas leituras...

28 de abril de 2008 0

Estava zanzando aí pela internet tentando ler algo interessante e descubro, no blog Todoprosa, do escritor e jornalista Sergio Rodrigues, que o também escritor e jornalista Michel Laub, autor dos belos romances Longe da Água e O Segundo Tempo, mantém um blog na internet, no qual comenta, nas palavras dele próprio, %22Livros, cinema, música, pinballs Taito e outras essências%22.

Fui lá conferir – Michel escreve muito bem e gosto de seus textos de análise e opinião desde a época em que ele escrevia na Bravo, na melhor fase da revista, ali no fim dos anos 1990 e início dos dos 2000. E lá encontrei este texto muito legal. Escrevi para o Michel e perguntei se ele nos autorizaria a reproduzir a breve lista aqui no blog, e ele, porto-alegrense e gentil, nos concedeu a vênia de compartilhar aqui com vocês esta lista feita por ele de leituras recentes. Quem quiser conferir os demais posts no blog do Michel, o endereço é www.michellaub.wordpress.com. Pintem lá. Agora, com vocês, o texto do Michel:

Grandes livros sobre temas não muito atraentes à primeira vista – pelo menos para os outros

Quando a sombra descola do chão, de Daniele del Giudice (Companhia das Letras, 144 págs.) – contos sobre manches, pedais, turbinas, fuselagem em geral e velhos pilotos que passam os dias falando com fantasmas em torres de controle de hangares abandonados, tudo descrito numa prosa densa, sinuosa, obsessiva em seu gosto pelo detalhamento, inclusive quando se trata daquele assunto sempre muito agradável a bordo: os acidentes.

 

O demônio do meio-dia, de Andrew Solomon (Objetiva, 504 págs.) - um tratado longo, erudito e extraordinário sobre os aspectos médicos, econômicos, psicológicos e sociais da depressão. Quem narra é um jornalista que no fim do segundo grau passou a temer que o prédio de sua escola iria desabar – e que de madrugada, sozinho, numa estrada deserta, precisou dormir no acostamento porque não se livraria mais da sensação de que era incapaz de dirigir um carro.

 

Electroboy, de Andy Behrman (Random House, 304 págs.) - em vez da depressão, a mania na voz de um yuppie dos anos 1980 que costumava pegar o vôo noturno Nova York-Tóquio e voltar no dia seguinte, %22só para sentir a mudança do clima%22. Sua aventura começa aos oito ou nove anos, quando, num dia qualquer, por volta das quatro da manhã, ele é flagrado pelos pais lavando novamente a louça que já havia sido guardada. Mais tarde, já adulto e rico, a necessidade de adrenalina o faz se prostituir e falsificar obras de arte, o que o leva a uma corte criminal e ao tratamento inspirador do título de seu relato.

Febre de bola, de Nick Hornby (Rocco, 248 págs.) - não que futebol seja pouco atraente, mas este é um livro sobre temas mais específicos: o Arsenal, o estádio do Arsenal, os atletas do Arsenal, a vida de quem se dedica exclusivamente ao Arsenal. Quer dizer, para quem torce para o Grêmio, clube igualmente antipático aos olhos ímpios, adepto das vitórias épicas obtidas na chuva e no frio e na lama e na escuridão, não há nada mais familiar. Mas entendo que existam leitores insensíveis a essa comédia exuberante sobre paixões ingratas

Postado por Carlos André Moreira

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