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Jack London, o dentuço

29 de abril de 2008 1

Jack London em foto de 1900
Prepare-se para voltar aos confins do Planeta Terra e presenciar o desabrochar da civilização humana. Prepare-se também para saltar árvores, cruzar rios, descobrir o fogo e explorar cavernas. Ao ler o livro Antes de Adão, do escritor americano Jack London (1876-1916), você vai se sentir como um privilegiado espectador de uma época pré-histórica, em que os macacos disputavam com os tigres, hienas, cobras, jacarés e com os seus semelhantes um espaço na história. Esta obra bem que poderia estar presente nas estantes de História de qualquer biblioteca do mundo, mas trata-se de uma ficção. Jack London narra as aventuras do macaco Dentuço em um planeta ainda virgem. Segundo o autor, a idéia de escrever esta ficção veio após uma série de sonhos que ele teve. Neles, o Dentuço ia mostrando todo o desenrolar da trama. Os relatos são tão vivos e intensos que a impressão que se tem é que Jack London fez uma pesquisa antropológica antes de escrever. O local (continente) onde acontece a trama não está claro, já que pântanos se misturam com florestas e rios. A história começa com Dentuço deitado na sua casa, na copa de uma árvore. Ele abre os olhos e resolve conhecer os mistérios que o cercam. Abandonado pela mãe e pelo %22padrasto%22, ele segue sua caminhada com o fiel amigo Orelha-de-Abano. Os relatos do macaco exprimem sons, cheiros e cores e são intercalados por diálogos entre Jack London e o leitor. O escritor acreditava que as memórias do macaco sobreviveram durante os séculos nos genes das gerações que foram se sucedendo, permitindo então que ele pudesse reavivá-las em pleno século 20.

%22Era inevitável que imitássemos os Homens-do-Fogo reabastecendo a fogueira. No início, tentamos fazê-lo com pequenos pedaços de madeira. Foi um sucesso. A madeira pegou fogo e estalou, e nos divertimos dançando e fazendo barulho. Então, começamos a jogar pedaços cada vez maiores de lenha. Jogávamos cada vez mais, até que tivemos uma enorme fogueira. Corríamos excitados de um lado para outro, arrastando galhos mortos e arbustos da mata (…) Aquela era a obra mais monumental que já havíamos obtido com as nossas próprias mãos e estávamos orgulhosos dela. Nós, também, eramos Homens-do-Fogo, pensávamos, dançando como gnomos broncos no meio do grande incêndio.%22

As aventuras errantes do Dentuço se confundem, de certa forma, com a própria vida do autor. John Griffith Chaney adotou o pseudônimo Jack London e, após uma infância pobre e difícil em Oakland (EUA), resolveu correr o mundo e narrar suas aventuras. Foi operário, catador de ostras, comunista, marinheiro, minerador, vagabundo… e escritor! O espírito nômade e aventureiro está presente em toda a sua biografia, mas não de forma tão intensa quanto no livro Antes de Adão. Jack London se suicidou aos 40 anos e pôs fim a uma brilhante carreira literária. Mas ainda bem para nós leitores que, enquanto macaco, ele não teve o mesmo destino. Boa leitura.

A edição mais recente de Antes de Adão é da L&PM em formato bolso, datada de 1999, com tradução de  Maria Inês Arieira e Luís Fernando Brandão. Pela mesma coleção já saíram também Caninos brancos, O chamado da floresta e De vagões e vagabundos.

Capa de Antes de Adão (L&PM)

Postado por Maurício Tonetto

Comentários (1)

  • Marcelo Xavier diz: 29 de abril de 2008

    O Chamado da Floresta eu li com 16 naquela versão da Edição Calouro (que sempre se esfarelava e ficava sem a capa!) da Ediouro, lembram dessa? Que livro!!

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