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Posts de julho 2008

A Rocco na coleção bolso da L&PM

31 de julho de 2008 0

Durante anos hegemônica no segmento de livro de bolso no Brasil e ainda a detentora da coleção com o catálogo mais impressionante para esse tipo de livro, a L&PM fechou um acordo com a editora carioca Rocco para publicar em formato bolso algumas obras que constam do catálogo da editora do Rio.

Já em agosto chega às livrarias o primeiro lote de autores da Rocco em pocket no padrão L&PM — por enquanto, a iniciativa parece centrada em escritores best-sellers estrangeiros. Abrem a série Valério Massimo Manfredi, Michael Crichton e Frances Mayes.

Pra quem não lembra: Manfredi, italiano, é o autor da série de romances históricos Alexandrós, sobre a vida do soberano macedônico Alexandre, o Grande — foi fenômeno de vendas no início desta década, mas eu particularmente não tenho visto mais nas livrarias. Do autor, que tem seis títulos em catálogo pela Rocco, a L&PM vai publicar em bolso Akrópolis, um livro sobre a fundação de Atenas na qual Manfredi se distancia um pouco da ficção que o consagrou, para criar um livro mais próximo da divulgação histórica. Manfredi narra nesse livro o encontro em um navio com um funcionário da prefeitura de Atena, entremeado com a narrativa dos mitos sobre a fundação da cidade, seu passado histórico e seu papel proeminente na antigüidade. Se alguém não lembra, Akrópolis (literalmente “cidade alta”) era o centro sagrado de Atenas, situado no cimo de um monte.

Frances Mayer talvez não seja um nome familiar, mas seu livro Sob o sol da Toscana tornou-se mundialmente famoso depois que virou um drama “mulherzinha-que-descobre-a-si-mesmo-e-dá-guinada-em-lugar-estranho”, com Diane Lane no elenco. Essa é a obra que ganhará formato bolso.  

Michael Crichton foi o grande best-seller do fim dos anos 1980 e início dos anos 1990, o Dan Brown do período, por assim dizer. Conhecido por suas tramas calcadas em muita pesquisa, foi da ficção científica de Parque dos DInossauros a temas “momentosos” daquela época — como Sol Nascente, no qual abordava com um viés que deixaria a família Bush orgulhosa a crescente tensão econômica entre o Japão e os Estados Unidos, e Revelação, que virou no cinema Assédio Sexual e foi o último lampejo de seu reinado como o escritor mais “quente” daqueles tempos antes de ele se tornar o nome por trás do sucesso E.RSairá em bolso Devoradores de mortos.
 

Não é a primeira parceria do gênero realizada pela L&PM. A editora gaúcha já vem publicando as coleções dos livros de Agatha Christie e do Maigret de Georges Simenon, frutos de acordo com a Nova Fronteira. Com a Rocco, a parceria prevê ainda seis outros títulos até o fim do ano.

Postado por Carlos André Moreira

O tempo e as paredes

30 de julho de 2008 2

A expressão pó de parede remete a arquitetura e também à passagem do tempo, e é a articulação justamente desses dois elementos o mote das narrativas reunidas pela gaúcha Carol Bensimon em seu livro de estréia. Três histórias que apresentam uma unidade e um domínio técnico admirável para uma primeira publicação autoral, embora cada segmento mantenha identidade própria.

As três histórias que compõem Pó de Parede (Não Editora, 112 páginas, R$ 25) são unidas por um sentido de transformações dos personagens, marcadas na arquitetura do ambiente (como o nome já deixa entrever). Das três, a mais bem realizada é sem dúvida a primeira, A Caixa, na qual se narra uma amizade improvável entre duas garotas de situação e temperamentos opostos. São elas a princesa da escola, a garota linda que teria tudo para ser “popular” e uma a narradora, filha de um casal esquerdista que mora em uma casa modernista no fim da rua, um cubo de concreto, a “caixa” do título, projetado por um arquiteto genial mas incompreendido, amigo dos pais da jovem. Essa relação entre díspares faz as vezes de delicado comentário sobre a incomunicação e os desafios da entrada na maturidade.

Em Falta Céu, mais  centrada na forma do que propriamente na trama, Carol Bensimon narra, em chave irônica, uma história na qual duas irmãs testemunham concomitantemente a instalação de um condomínio de luxo em sua cidade pequena e uma trama de adultério resultante da novidade que o empreendimento representa na comunidade. A chegada do chamado progresso material é para os que se instalam vindos de fora, não para os que já viviam ali sua monótona existência.

Já na terceira narrativa (Capitão Capivara), mais convencional em tema e forma, uma aspirante a escritora se emprega como mascote de pelúcia em um hotel de luxo na serra. Diferente das demais, nesta o humor predomina sobre a melancolia. E como é na imbricação da melancolia com um humor algo desencantado que Carol Bensimon consegue seus maiores triunfos no livro, a terceira história é, justamente por ser a mais sarcástica, paradoxalmente a menos feliz.

A Lição Final

25 de julho de 2008 0

Morreu hoje o professor Randy Pausch, americano que ficou conhecido pelo best seller A Lição Final (Editora Agir), que vendeu 5 milhões de exemplares no mundo todo. Trata-se de mais um fenômeno de auto-ajuda na linha “Filtro Solar” (aquela coisa bisonha que ficou famosa na voz de Pedro Bial há alguns anos), que tanto os americanos apreciam. Clique aqui para ler a história e confira a famosa palestra que deu origem ao livro aí embaixo. Se você não tiver paciência para assistir a uma hora de palestra, na tela seguinte há uma versão resumida, e com legendas em português:

 

 

Postado por GABRIEL BRUST

Em tempos de Batman...

23 de julho de 2008 6

Me lembrei de falar de um livro que não chega a ser novo, foi lançado há três anos, e constitui uma leitura bem interessante para conciliar entretenimento e divulgação científica. Aproveito o gancho do Batman porque filmes de super heróis sempre me fazem lembrar dos dias de infãncia, nos quais, como um bom nerd, passava meus dias mais preocupado com o que iria acontecer no próximo número de Superaventuras Marvel do que quando seria a próxima festa (na minha cidade e naqueles tempos idos, a gente chamava de boate).

E um dos cacoetes mais clássicos que definem o que é ser um nerd leitor de quadrinhos é justamente ficar gastando tempo discutindo assuntos de vital importância para a humanidade como o quão verossímil ou fisicamente viável seriam os poderes de um super herói no mundo real — e isso que naquela época os gibis de herói ainda não tinham descoberto o marketing de se vender como ficção científica, uma jogada que veio com os filmes, e da qual os cientistas discordam veementemente. Como já comentamos no post sobre a morte de Arthur C. Clarke, há um tempo, uma ficção científica em que a “ciência” que embasa a aventura a não passa de chute só pode almejar a ser um outro ramo da literatura de fantasia

Mas como eu dizia, na minha época de guri (imagino que na de hoje também) era um assunto de suma importância discutir se o Flash realmente poderia vibrar suas moléculas para atravessar objetos sólidos, ou como o Super Homem cortava o cabelo se era invulnerável, ou como as ferramentas cabiam no modelo antigo do cinto de utilidades do Batman?

Pois dois autores, a escritora Lois Gresh e o jornalista e escritor de quadrinhos Robert Weinberg, levaram essa discussão a sério e publicaram A Ciência dos Super-Heróis (Ediouro, 2005, 232 páginas, R$ 39,90). É um daqueles livros que à primeira vista parece nerd demais para ser levado a sério, mas a leitura revela uma obra fantástica que usa os quadrinhos de super-heróis como pontos de partida para interessantes (agora sem ironia) reflexões sobre física, química, astronomia, biologia e outros ramos da ciência, de forma simples, abrangente e muito esclarecedora.

Seria provavelmente muito decepcionante se o livro ficasse apenas apontando coisas como: a história do super homem ser energizado pelo sol amarelo da Terra é bobagem, ele ser um alienígena chegado do espaço é pouco provável ou coisas assim. O livro faz tudo isso, claro, mas usa cada caso como um pretexto, e se detém na razão científica de por que isso é possível ou impossível: O Super Homem é usado como exemplo para uma informativa visão das teorias sobre vida extraterrestre (uma delas uma equação matemática proposta por um cientista para calcular o número provável de planetas habitados na nossa galáxia, outra delas uma teoria recente que rebate essa equação e defende que as circunstâncias que propiciaram a vida na Terra são tão raras que não espantaria se esse fosse um fenômeno único em todo o universo). Ah, sim, e luz é sempre luz, a impressão de “cor” de uma determinada estrela se dá pela quantidade de poeira ou atmosfera à sua volta, portanto um sol vermelho em Krypton ou amarelo na Terra não fariam diferença alguma.

Outro personagem citado é o Gigante, ou Golias (ao lado), um herói integrante dos Vingadores, principal grupo de heróis da Marvel, que já contou com Homem de Ferro e Capitão América, por  capaz de aumentar de tamanho, serve como um ilustrativo exemplo de como a gravidade age sobre a massa. O personagem Golias é inviável porque qualquer criatura que chegasse à altura que ele atinge quando se expande teria sua massa aumentada em proporção direta — e não há como, em um mundo com gravidade como a nossa, uma criatura de 20 metros ser bípede, o peso do tronco esmagaria as pernas.

O livro não é só uma coleção de desmitificações, ele usa também como exemplo para ensinar ciências os acertos das histórias em quadrinhos. Os mutantes X-Men, imaginados por Stan Lee têm poderes que são um exagero, mas a própria vida na Terra é resultado de mutações constantes (e ao chegar nesse ponto do livro os autores oferecem um detalhado e compreensível resumo das circunstâncias que levaram Darwin a chegar a suas conclusões sobre a origem das espécies).

E o Batman, justamente por não ter poderes, é um herói viável, e as engenhocas em seu cinto são tão prováveis que algumas delas já existem e fazem parte do equipamento de exércitos regulares: bombas de gás, corda retrátil para escaladas, minilanterna, sinalizador luminoso. Tanto que nas cenas do filme em cartaz atualmente, o equipamento usado pelo ator Christian Bale era em sua maior parte real.

Curiosamente, Gresh e Weinberg também apontam quem, na sua opinião, manejou melhor conceitos científicos para criar aventuras cativantes, repletas de ação e ainda assim impecáveis do ponto de vista da ciência. Para quem esperava alguma aventura escrita para os super-heróis, com sua pretensão mais “realista”, será uma surpresa saber que se trata de Carl Barks, desenhista e roteirista que, à frente do Pato Donald, criou uma série de numerosos coadjuvantes que deram brilho à família Pato, entre eles o Tio Patinhas.

Barks criava as histórias de caça ao tesouro da família de Patinhas usando idéias científicas realmente plausíveis, e uma delas, por mais fantasiosa que parecesse, era tão possível que um físico que cresceu lendo quadrinhos mais tarde desenvolveu um método de resgate de embarcações náuticas baseado numa delas.

Para retirar do fundo das águas um galeão espanhol naufragado, Huguinho, Zezinho e Luizinho sugerem ao tio que o encha de bolas de pingue-pongue, e ele passa a flutuar. E usando esferas de espuma com o mesmo conceito e com a mesma finalidade, anos depois, o tal cientista provou que Barks e sua imaginação estavam certos. O mais engraçado foi que ele tentou patentear o método e seu caso foi rejeitado justamente porque ele havia tirado a idéia de um gibi, e não desenvolvido um método original. Ah, sim, quem assiste ao Fantástico, da Globo, deve ter visto no ano passado os “caçadores de mitos” suspenderem um navio naufragado usando bolas de pingue-pongue para provara que era possível. Palmas para mestre Carl.

Viram como o livro é legal?

Pais & filhos, Maridos & esposas

22 de julho de 2008 2

Talvez a medicina esteja transformando seu pai, ele pensa. Talvez seja isso que o esteja levando a fazer esse tipo de coisa: espiar, perfurar o fundo do armário e astutamente ocultar. Talvez o velho tenha os mesmos desejos sórdidos que ele. Julga de forma simplória o desejo. Não existe essa aura erótina na natureza. Não existe amor. Na natureza tudo se resume a função. Um buraco no fundo do armário é a vida querendo seguir.
— Eu não te falei, outro dia aconteceu uma coisa incrível comigo.
— O quê?
— Eu fui até o centro resolver umas coisas e um camarada me parou no viaduto do Chá e me perguntou: você não é o José Lopes Rodrigues? Eu falei: sou. Ele disse que estudou comigo no primário, acredita?
— Ele te reconheceu?
— É.
— E vocês não se viam desde o primário?
— Nunca mais nos vimos. Eu nem me lembro do cidadão. Chama-se Plínio. Disse que me reconheceu pelos olhos. De que outra forma daria para reconhecer alguém?
— Acho que ele quis dizer pelos seus olhos, pai.
— Claro. É só o que restou de mim depois de todos esses anos.
— Que incrível.
— Eu fiquei meio cabreiro. Deve ser uma tremenda bichona.
— Que é isso, pai?
— Porra! Lembrar de um menino sessenta anos depois?
— Se o cara se lembrou do senhor, é porque o senhor é uma pessoa marcante. O senhor devia se orgulhar disso.
— Sai fora! Isso é coisa de pederasta. Vai sabero que o fulano pensa de mim. Imagina uma pessoa que você nem sabe da existência pensando em você durante sessenta anos? É horrível. Olha o café. 

O diálogo acima foi extraído de A Arte de Produzir Efeito sem Causa, novo romance do quadrinista e escritor Lourenço Mutarelli — uma história de horror classe-média sobre um sujeito que, depois de traído pela mulher com o filho de seu patrão (que também era seu amigo de infância), sai de casa apenas com uma mala, abandonando emprego e família, e se instalando no sofá da casa de seu pai, em um muquifo no qual uma jovem estudante de arte aluga um quarto. Enquanto ainda tenta se adaptar à nova rotina sem rotina de desempregado deprimido, o protagonista começa a receber envelopes anônimos com recortes de jornais em inglês, a maioria relativos a um crime idiota cometido em 1951 pelo escritor beatnik americano William Burroughs (1914 — 1997). O crime é descrito pelos admiradores do escritor como um acidente, o que até cabe num determinado contexto, mas o termo técnico é retardadice mesmo. Burroughs e a mulher, pobres de bêbados, estavam no México e resolveram fazer uma brincadeira de Guilherme Tell: ele colocou um copo na cabeça dela e tentou acertar com uma espingarda. Se a idéia parece o tipo de brincadeira fadada a dar m., em bom português, é porque realmente deu. Burroughs acertou a testa da mulher a a matou instantaneamente.

Como se vê, uma história na feição para as conexões de horror e inesperado que Mutarelli tece em seu livro, sobre o qual você lerá mais amanhã na central do Segundo Caderno. 

Postado por Carlos André Moreira

Na onda das Olimpíadas

21 de julho de 2008 3

Começo aqui uma série que deveria ter iniciado há três semanas com outra lista de livros, não esta. E pondo em marcha uma seção temática que eu espero ter tempo e condições de levar adiante. Com vocês:

DEZ LIVROS de autores chineses contemporâneos

A Serviço do Povo, — Yan Lianke
Sob muitos aspectos, o comunismo foi a última religião monoteísta de proporções planetárias, com direito a fé contrária a fatos, cismas, íconografia própria e uma noção arraigada de pecado — no caso do socialismo, “vícios” como “individualismo” ou “decadentismo burguês”. É com base nesse sutil conceito de fundo que Yan Lianke compõe esta sarcástica sátira ao regime maoísta — o livro foi banido na China mas ganhou o mundo por meio da internet. Um soldado revolucionário é alocado como cozinheiro particular de um importante oficial do exército chinês. Logo, começa um caso com a jovem mulher de seu superior, uma relação que ambos apimentam com a excitação que vêm do pecado – ambos descobrem que sentem mais tesão se a cada encontro clandestino praticam transgressões como rasgar páginas do Livro Vermelho ou destruir imagens do Camarada Mao. Tradução de André Telles. Record, 176 páginas, R$ 29.

A Montanha da Alma — Gao Xingjian
Este livro não chega a ser uma novidade, já que havia tido uma primeira edição no Brasil em 2001, pela Objetiva, com repercussão modesta. Com a recente maré montante de interesse pela China, este romance do escritor e dramaturgo Gao Xingjian, primeiro e até agora único escritor chinês a vencer o Nobel, em 2000, ganhou em 2007 uma segunda chance de comover o público. O irônico é que Xingjian, hoje exilado em Paris, publicou este livro primeiro em francês. Na época da premiação, o governo chinês acusou a Academia Sueca de provocação política, dada a condição de exilado do escritor. As razões do prêmio, contudo, não são apenas extraliterárias. Seu romance é caudaloso, alegórico e pleno de uma poesia melancólica. Basicamente, é a história de uma viagem pelo sul e pelo sudoeste da China, em episódios que formam um mosaico da China atual. O autor, que viveu parte da juventude sob o peso da Revolução Cultural e se diz influenciado pela literatura ocidental, mistura técnicas e vozes narrativas. Tradução de Marcos de Castro. Alfaguara, 436 páginas, R$ 47,90.

A Montanha e o Rio — Da Chen
Não é apenas a palavra “Montanha” no título o que une o autor deste livro, Da Chen, ao Nobel Gao Xingjian, citado anteriormente Outro fator é que Chen também é francamente influenciado pela literatura do Ocidente. A diferença é que se Gao faz a ponte entre a China, Joyce, Beckett e Dostoiévski, Da Chen é um desconcertante discípulo do que há de mais dramático na obra de Charles Dickens. Este A Montanha e o Rio é a saga de dois garotos unidos por até então desconhecidos laços de sangue. Tan é o filho de um aplicado assessor direto de Mao. De privilegiado filho da elite do revolucionária logo conhece a pobreza quando o pai cai em desgraça e se torna dissidente. Já Shento é um menino pobre, filho de uma camponesa com um homem que não assume a criança filha de uma relação não-oficial _ o pai de Tan. Shento enfrenta tragédias infantis, orfanatos de pesadelo até galgar posições no Exército chinês. Tradução de Paulo Andrade Lemos. Nova Fronteira, 500 páginas, R$ 49,90.

Balzac e a Costureirinha Chinesa — Dai Sijie
Provavelmente o livro mais conhecido desta leva recente das letras chinesas, ainda que não exatamente por motivos literários, e sim por haver sido transformado em um filme bastante elogiado, dirigido pelo próprio Dai Sijie adaptando sua obra. Também aqui o foco da história é o passado recente da China, focalizado no pano de fundo da Revolução Cultural. Baseado em experiências pessoais do escritor, enviado nos anos 1960 para um campo de “reeducação” no Interior, o romance conta a história de dois amigos enviados para trabalhar no campo para serem “curados” de sua mentalidade burguesa decadente pelo contato com os camponeses pobres. Lá, ambos envolvem-se com uma bela costureira da região, uma relação que mescla desejo e perigo depois que o trio acha, em um recanto oculto, uma mala cheia de livros clássicos da literatura européia, como Balzac e Flaubert. Tradução de Vera Lúcia dos Reis. Alfaguara, 168 páginas, R$ 29,90.

O que os Chineses não Comem — Xinran
Se existe mesmo um abismo a separar os povos orientais da cultura ocidental, ao menos na literatura pode-se dizer que as mulheres o estão cruzando primeiro. Foi assim que tivemos acesso a depoimentos de mulheres oprimidas por tradições machistas na Índia, em países muçulmanos como Afeganistão e Somália, e na China, com a precursora Jung Chang, de Cisnes Selvagens e com a radialista Xinran Hue. Tornada célebre no início da década com As Boas Mulheres da China, resultado de entrevistas e cartas recebidas de mulheres chinesas em um programa de rádio, Xinran, neste O que os Chineses não Comem, reúne artigos publicados no periódico inglês The Guardian apresentando aspectos da vida chinesa para os ocidentais. São crônicas nas quais a autora, que hoje vive exilada em Londres, usa de um tom pessoal, por vezes bastante emotivo, para narrar a experiência de viver em um país ocidental de costumes diversos dos seus. Tradução de Ricardo Gouveia. Companhia das Letras, 192 páginas, R$ 37,50.

O Olho de Jade — Diane Wei Liang
Embora escrito por uma dissidente exilada nos Estados Unidos, este livro se filia a um tipo diferente de contestação ao regime maoísta. Nascida em Pequim e distante de seu país por ter participado das manifestações de protesto na Praça da Paz Celestial, em 1989, Diane Wei Ling pensa as contradições da moderna sociedade chinesa por meio de um romance policial, gênero característico da literatura de consumo do Ocidente. A protagonista é a inusitada Mei Wang, primeira mulher a obter, na esteira da recente abertura econômica, licença de detetive particular. A pedido de um velho amigo da família, ela aceita a incumbência de rastrear o paredeiro de uma jóia de Jade da Dinastia Han, desaparecida durante os anos de destruição do passado da Revolução Cultural. Ao mergulhar na investigação, Mei Wang se vê imersa em uma trama que envolve o passado de sua família e da própria China. Os clichês do policial ganham imprevisto frescor quando aplicados à realidade chinesa contemporânea. Tradução de Marcelo Mendes. Record, 304 páginas.

Refugo de Guerra — Ha Jin
Ha Jin é outro escritor chinês forçado a emigrar de seu país após o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, e hoje, como Diane Wei Liang, mora nos Estados Unidos. Ele já havia tido seus romances O Ensandecido e A Espera lançados por aqui pela mesma editora, mas teve publicado este ano no Brasil este romance vigoroso, narrado pelos olhos de Yu Yuan, um militar chinês que combate na Guerra da Coréia para defender e apoiar a revolução comunista que daria mais tarde origem à Coréia do Norte. Disperso com seu pelotão e ferido por um estilhaço de granada, Yuan vai parar em um campo de prisioneiros na Coréia do Sul, e é pressionado a emigrar para Taiwan. Sua vontade, entretanto, é voltar para a China comunista, por razões familiares, o que lhe garante represálias de ambos os lados. Tradução de Luiz Antônio de Araújo, Companhia das Letras, 464 páginas, R$ 62.

A Longa Marcha — Sun Shuyun
Ao escrever este livro, a jornalista chinesa Sun Shuyun decidiu fazer uma grande reportagem para reconstituir um mito. No ano de 2004, Sun Shuyun refez o trajeto percorrido no início dos anos 1930 por Mao e seu exército desalojado de suas bases no Sul, no episódio conhecido como A Longa Marcha, até hoje relato nacional fundador da China comunista. Shuyun enfrenta o peso épico de uma retirada que durou dois anos e atravessou 10 mil quilômetros de um dos países mais extensos do planeta, acossada pela perseguição do exército oficial e buscando refúgio numa planície inóspita, onde chegaram apenas 40 mil dos 200 mil que começaram a fuga. Contrapôs ao mito cristalizado os depoimentos de sobreviventes da marcha. Tradução de Caroline Chang. Arquipélago Editorial, 336 páginas, R$ 44.

Viver — Yu Hua
Um romance que celebra a vida de maneira otimista e busca suas fontes na rica e milenar tradição oral da China, por meio de uma estrutura que lembra um pouco o encadeamento orgânico das histórias contadas de pessoa a pessoa. Um andarilho que percorre o interior da China em busca de histórias e relatos folclóricos depara com a exótica figura de um velho que se dispõe a contar a saga de sua família. O narrador, Fugui Xu, passa então a contar a acidentada história de sua vida: de homem de posses nos anos 1940 a sujeito falido pelo vício em jogo. De biscateiro miserável a outra vez camponês, com espaço para uma convocação para lutar na Guerra Civil que o mantém anos afastado de sua casa e de sua família. Uma história que tempera as tragédias vividas por Xu com o bom humor otimista e inabalável de seu protagonista. Tradução de Márcia Schmaltz. Companhia das Letras, 216 páginas, R$ 38.

Meu nome é número 4, de Ting-Xing Ye
Nascida em Xangai, ainda nos anos 1950, Ting-Xing Ye ficou órfã cedo, responsável por quatro irmãs mais novas e insistindo em continuar estudando. Com a eclosão da Revolução Cultural, foi enviada pra um campo de trabalhos forçados para ser “reeducada” numa fazenda-modelo. Casou-se, teve uma filha e anos mais tarde, visitando o Canadá como estudante de intercâmbio, decidiu pedir asilo no país _ o que a fez perder contato com a filha por quase 10 anos. É essa história o centro do relato autobiográfico de tintas fortes que ela relata neste número, cujo título faz referência a uma tradição da numerologia chinesa segundo a qual crianças de número 4 nascem para sofrer. Tradução de Alexandre Martins. Casa da Palavra, 224 páginas, R$ 35.

Frango com Persépolis

21 de julho de 2008 0

A quadrinista iraniana Marjane Satrapi ganhou projeção internacional com Persépolis, uma série em quadrinhos na qual analisava as transformações provocadas na própria vida e na de sua família pela revolução islâmica no Irã. Agora, em seu mais recente trabalho, o breve e lacônico Frango com Ameixas (tradução de Paulo Werneck, Companhia das Letras, 88 páginas, R$ 32), Marjane Satrapi desce no mínimo dois tons, para abordar a melancólica história de um homem sem revolução possível no horizonte de sua vida.

Nos anos 1950, Nasser Ali Khan é um músico conhecido no Irã, exímio e popular tocador de tar (um instrumento tradicional iraniano semelhante a uma cítara ou alaúde de braço longo). Quando a história começa, Nasser Ali (khan é a forma persa para “senhor”) é também um homem à beira de um colapso de melancolia, à procura de um tar que possa substituir aquele com o qual sempre tocou — e que foi quebrado pela mulher do músico durante uma áspera discussão doméstica.

A procura de Nasser Ali pelo tar é, também, a busca por aquilo que dava ao artista prazer em sua arte: o impulso vital de tocar, desaparecido debaixo de uma série de escolhas inconseqüentes tomadas por Nasser Ali no passado: a principal delas a de casar com uma mulher que não amava para esquecer uma mulher que lhe foi interdita. Quando parece que não encontrará tar algum cujo som satisfaça suas
necessidades, Nassir Ali decide trancar-se em seu quarto, sem comer ou beber, para ficar ali até morrer.

Apesar do caráter mais intimista da trama, Frango com Ameixas (nome que remete a um prato tradicional iraniano, uma das iscas que a mulher de Nasser tenta usar para demovê-lo da auto-imolação) guarda algumas semelhanças com Persépolis: a maturidade do tema em contraste com a simplicidade e a recariedade quase infantil do desenho, e uma história calcada na história familiar de sua própria autora. Nasser Ali Khan era seu tio-avô.

As semelhanças entre este livro e a obra mais famosa de Marjane podem, à primeira vista, incentivar a leitura, já que Persépolis tornou-se uma obra respeitada principalmente depois da transposição da história para o cinema de animação. No fim das contas, revelam-se um tanto inconvenientes, já que o leitor tende a fazer de Frango com Ameixas uma leitura induzida – e decepcionante – em comparação com Persépolis. Se aquela era uma obra de fôlego à qual não faltava um agudo entendimento da situação política e social do Irã da Revolução Islâmica, em Frango com Ameixas o tom é mais intimista, elíptico, sóbrio. É uma pequena pérola de introspecção na qual Marjane centra foco não no esforço de adaptar a vida às circunstâncias adversas da realidade em volta, mas sim na maneira como escolhas impensadas ou que a seu tempo foram consideradas indiferentes transformam a própria vida em um território adverso.

Postado por Carlos André Moreira

José de Aço

20 de julho de 2008 1

Na noite de 21 para 22 de março de 1901, a Okhrana caiu sobre os líderes Kurnatovski e Makharadze*. Eles cercaram o observatório meteorológico para pegar Stálin, que estava voltando de bonde. Ele notou de repente, através da janela do bonde, a despreocupação estudada dos agentes à paisana – tão facilmente reconhecíveis quando soldados americanos num filme de Hollywood – posicionados em torno do observatório. Ele permaneceu no bonde, retornando depois para fazer um reconhecimento, mas não poderia mais viver ali.
O ataque de surpresa mudou seu destino: ali acabava qualquer aspiração a uma vida normal. Ele pensara em ser professor e ganhar algum dinheiro extra com aulas particulares (embora costumasse tentar converter seus alunos ao marxismo), cobrando dez copeques por hora. Isso estava acabado agora. A partir de então, viveria à custa dos outros, na expectativa de que seus amigos, simpatizantes ou o Partido financiassem sua missão revolucionária. Entrou imediatamente no que Trotski chamou de “aquele jogo muito sério chamado conspiração revolucionária” – um outro mundo terrorista tenebroso, com seus costumes especiais, etiqueta enfadonha e regras brutais.
No momento em que entrava nesse mundo secreto, Sossó seguiu adiante com os planos para uma manifestação agressiva no Primeiro de maio.

* O revolucionário russo mais importante na Geórgia era então o alto, curvado e calvo Victor Kurnatovski, que compartilhara o exío na Sibéria com Lênin e até se encontrara com Plekhánov em Zurique. Muitos dos revolucionários mais ativos não eram caucasianos, mas russos. Na ferrovia, Serguei Allilúiev era auxiliado pelo afável e de barba amarelo-avermelhada Mikhail Kalínin, outro ferroviário de origem camponesa que Sossó conheceria agora. Ele seria mais tarde o chefe de Estado de Stálin. Os outros líderes eram georgianos – Jordánia, Jibladze, Mikha Tskhakáia e Filip Makharadze, todos fundadores do Terceiro Grupo, em 1892.

O trecho acima (com direito a nota de rodapé e tudo) foi retirado de O Jovem Stálin, livro do historiador e jornalista Simon Sebag Montefiore, cuja tradução para o português foi lançada este mês (por Pedro Maia Soares, Companhia das Letras, R$ 56). Ao longo de 536 páginas em letra miudinha, Montefiore apresenta uma visão da juventude movimentada daquele que seria o sangrento ditador soviético. O livro é, se não me falham as contas, o sexto a ter Stálin como assunto de alguma maneira lançado nos últimos três anos, e talvez um dos grandes prazeres de um leitor (ao menos espero, eu sou um leitor assim) seja comparar algumas das informações apresentadas ali com as expressas também em outras duas obras de diferentes autores, a biografia em dois volumes Stálin: Triunfo e Tragédia, de Dmitri Volkogonov (Nova Fronteira) e Stálin: Uma Biografia Política, do alemão Isaac Deutscher (Civilização Brasileira). Além, claro, de outro livro de Montefiore, Stálin: A Corte do Czar Vermelho, lançado há uns dois anos.

Pra começo de conversa, a biografia de Montefiore agora faz de seu centro os anos de formação de Stálin, normalmente pincelados em um número limitado de capítulos nas demais biografias citadas. Outro ponto interessante é que, por ser a mais recente, a biografia de Montefiore beneficia-se de alguns documentos desencavados nos aparentemente intermináveis documentos soviéticos abertos no Kremlin depois do fim do comunismo. Principalmente aqueles arquivos que Stálin sempre se esforçou por esconder – não apenas os dos expurgos sangrentos de quando já ocupava o poder, mas também os referentes à sua origem familiar e a sua juventude como seminarista na Geórgia e mais tarde como jovem e impetuoso militante comunista e líder de tropas que mais se assemelhavam a um bando de salteadores de estrada. Como diz Montefiore a certa altura do livro:

Stálin em foto de 1902 – também na capa do livro, como vocês notaram

A prolongada juventude de Stálin sempre foi um mistério, em vários sentidos. Antes de 1917, ele cultivou a mística da obscuridade, mas também se especializou no “trabalho sujo” da revolução clandestina que era, por sua natureza, secreto, violento e indispensável, mas ignominioso.

Mesmo a data de nascimento de Stálin é controversa. Por anos a propaganda oficial soviética divulgou 21 de dezembro de 1879 como a data oficial, mas Montefiore, escorado em documentos e em uma entrevista do próprio Stálin concedida em um jornal sueco, aponta 6 de dezembro de 1878 como a data de fato. É provável que a mentira sobre a data tenha se originado em uma tentativa de evitar uma convocação militar. Filho de um sapateiro alcóolatra e de uma mulher inteligente e de espírito forte, e nascido Ióssif (José) Djugachvilli, Stálin cursou na juventude o seminário, mais tarde galgou postos com rapidez na organização revolucionária georgiana, muito ativa e conhecida pela sua combatividade.

Stálin também foi por muitos anos o homem do serviço sujo, líder de um grupo que se especializou em assaltos a banco com os quais se tornou o principal financiados de Lênin (uma das razões para a posição de destaque que ele ocupava entre os seguidores do líder comunista). Dentre a trinca de líderes revolucionários mais conhecidos, a propósito, Stálin era o único que poderia ser considerado um integrante das classes populares em nome das quais a revolução foi feita – e uma tese defendida no livro de Isaac Deutscher, do qual falei um pouco antes, é que Stálin foi ele próprio um personagem criado por essa revolução. Trotsky e Lênin tinham berço, talento e condições para serem personalidades de destaque na política de qualquer regime. Mas sem os bolcheviques, na Rússia de seu tempo, Stálin (pseudônimo que muito apropriadamente quer dizer algo como “Homem de Aço”) ou teria terminado seus dias como clérigo, como era o plano original, ou teria morrido em uma pobreza atarefada e opaca, como a de muitos de seus conterrâneos.

Postado por Carlos André Moreira

Mênin Aiède Théa...

11 de julho de 2008 5

O corpo de Heitor é carregado de volta a Tróia, cena da Guerra de Tróia, descrita na Ilíada

Parece bem apropriado que os dois livros que, mais que quaisquer outros, nutriram a imaginação do mundo ocidental por mais de dois milênios e meio não tenham ponto de partida claro e nem um criador identificável. Homero começa muito antes de Homero. Com toda a probabilidade, a Ilíada e a Odisséia passaram a existir aos poucos, de modo indefinido, mais como mitos populares que como produções literárias, por meio do processo insondável de filtragem e combinação de baladas antigas, até adquirir uma forma narrativa coerente, baladas cantadas em línguas que já eram arcaicas quando o poeta (ou os poetas) que a tradição concordou em chamar de Homero compôs sua obra, no século viii a.C.

Durante muitos séculos, o cantor cego e pobre que esmolava pelos caminhos da Grécia Antiga foi em geral considerado o autor da Ilíada e da Odisséia; com o tempo, veio a ser substituído por uma espécie de espírito inspirado, parte fábula, parte alegoria, o fantasma da Poesia Perdida. Por fim, tão disseminada se tornou a noção de um Homero apócrifo que, na década de 1850, Gustave Flaubert pôde zombar dele em seu Dicionário de clichês, manual que simulava oferecer à burguesia uma resposta social correta para qualquer opinião emitida: “HOMERO: Nunca existiu.”

Nada sabemos sobre Homero. Acontece o contrário com seus livros. Num sentido muito real, a Ilíada e a Odisséia nos são familiares antes de abrirmos suas primeiras páginas. Antes mesmo de começarmos a acompanhar as mudanças de humor de Aquiles ou admirar a esperteza e a coragem de Ulisses, aprendemos a presumir que, em algum lugar nessas histórias de guerra no tempo e de viagem no espaço, nos será contada a experiência de toda a luta e toda a travessia humanas. Duas de nossas metáforas mais antigas nos dizem que toda vida é uma batalha e que toda vida é uma jornada; se Ilíada e Odisséia beberam desse conhecimento, ou se essa sabedoria foi tirada da Ilíada e da Odisséia, isso, afinal, não tem importância, uma vez que um livro e seus leitores são espelhos que refletem um ao outro infinitamente.

O trecho acima é de Ilíada e Odisséia de Homero, de autoria do argentino Alberto Manguel, da coleção muito bacana de livros publicados pela Jorge Zahar Editora sob a rubrica Livros que mudaram o mundo. Já saíram nessa série, entre outros, A Bíblia, por Karen Armstrong e Os Direitos do Homem, de Thomas Payne, de Christopher Hitchens. O que torna essa série tão interessante é sua abordagem do tema. A idéia é que cada livro seja uma inusitada biografia não do autor, ou uma apreciação crítica da obra (ao menos não só isso, mas sim a biografia do próprio livro, sua gestação, sua produção, como foi recebido e lido ao longo do tempo.

Manguel, autor de Uma História da Leitura, entre outros livros, subverte um pouco o princípio da coleção e coloca Homero no palco ao analisar os dois poemas, fundadores da cultura ocidental. Ele mesmo explica por quê, na mesma introdução de onde saquei esse trecho acima.

A biografia de um livro não é a biografia de quem o escreveu. Exceto no caso de Homero e sua obra – em que elas andam de mãos dadas -, uma vez que é impossível saber qual deles veio primeiro: o bardo cego que cantou a destruição da cidade troiana e a saudade de casa de um rei grego, ou as histórias da sedução da guerra e da busca pela paz, que exigem um autor para justificar sua existência?

Sendo assim, amigos, Evoé.

Postado por Carlos André Moreira

Queimando tudo

08 de julho de 2008 1

Já de volta a Porto Alegre, mas havia uma última coisa sobre a Festa de Parati que eu queria comentar, alguns comentários que me fizeram ficar intrigado sobre como se processa a relação entre um escritor e suas editoras em outros países.

* Primeiro, como já contamos aqui, Zoë Heller se disse incomodada pela imagem de capa de sua edição no Brasil pela Record, que é basicamente o cartaz do filme Notas sobre um Escândalo, adaptado da obra (na verdade o filme ficou como “Anotações” e “Notas” é o livro, mas vocês me entenderam).

* Depois, Neil Gaiman levou um conto para ler no palco, que está na coletânea Coisas Frágeis, mas advertiu que quando o havia escolhido achava que estava na edição brasileira. Aí fica-se sabendo que só tem metade dos contos da edição original no exemplar em português editado pela Conrad.

* Mais adiante ainda, o boca-maldita Fernando Vallejo criticou a opção feita pelo tradutor Bernardo Ajzenberg para o título do recentemente lançado em português O Despenhadeiro. De acordo com Vallejo, o título original, El Desbarrancadero, é uma palavra inventada.
– Se eu tivesse a intenção, usaria Despeñadero, que é uma palavra que também temos em espanhol. É uma tradução ruim, deveria ser algo como Desbarrancadeiro – reclamou.

Tá certo que Vallejo especificamente é uma mala que estava a fim de fazer barulho desde que chegou à Flip, mas neste caso em particular, somado ao que demais foi dito, faz pensar no tipo de livros a que estamos tendo acewsso no Brasil quando nem seus próprios autores parecem muito satisfeitos com suas edições por aqui

Postado por Carlos André Moreira