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O novo Paul Auster

15 de agosto de 2008 0

Confira na edição de sábado do Segundo Caderno da Zero Hora uma matéria sobre Homem no Escuro, o novo livro do norte-americano Paul Auster. Por hora, fique aí com um trecho do livro, que está chegando às lojas. (Dica 1: para entender o contexto do trecho, leia a reportagem da edição de sábado. Dica 2: o diálogo é assim mesmo, sem travessões ou aspas para identificar as falas.)

Como sabe o meu nome?

Você é do meu pelotão, seu pateta.

E aquele buraco? O que eu estava fazendo lá dentro?

É o procedimento normal. Todos os recrutas chegam até nós desse jeito.

Mas eu não me alistei. Não entrei para o exército.

Claro que não. Ninguém faz isso. Mas é assim mesmo que acontece. Uma hora a gente está lá, vivendo a nossa vida, e de repente está no meio da guerra.

Brick fica tão confuso com as afirmações de Tobak que nem sabe o que dizer.

É assim mesmo, matraqueia o sargento. Você é o otário que eles apanharam para a grande missão. Não me pergunte por quê, mas o estado-maior acha que você é o melhor homem para a missão.

Talvez porque ninguém conheça você, ou talvez porque você tenha esse… esse o quê, mesmo?… esse seu jeitinho manso e ninguém vai desconfiar que você é um assassino.

Assassino?

Isso mesmo, assassino. Mas eu prefiro usar a palavra libertador. Ou então criador da paz. Chame do jeito que quiser, o fato é que sem você a guerra não vai terminar nunca.

Brick gostaria de cair fora dali rapidamente, mas, como não estava armado, não foi capaz de pensar em mais nada para fazer senão continuar a representar seu papel. E quem é que eu tenho de matar?, pergunta.

Não é tanto quem, mas o quê, responde o sargento enigmaticamente.

A gente nem tem certeza do nome dele. Pode ser Blake. Pode ser Black. Pode ser Bloch. Mas temos um endereço, e, se a esta altura ele já não tivesse escapulido, você não teria dificuldade alguma. Vamos levar você até um contato lá na cidade, você vai usar um disfarce, e em poucos dias tudo deve estar terminado.

E por que esse homem merece morrer?

Porque ele é o dono da guerra. Ele inventou a guerra, e tudo o que acontece ou vai acontecer está na cabeça dele. Elimine essa cabeça, e a guerra pára. É muito simples.

Simples? Você fala como se ele fosse Deus.

Deus, não, cabo, apenas um homem. Fica sentado numa saleta o dia inteiro escrevendo, e tudo o que ele escreve vira verdade. Os relatórios do serviço secreto dizem que ele anda atormentado pela culpa mas não consegue parar. Se o sacana tivesse coragem para estourar os miolos, nós não estaríamos aqui tendo esta conversa.

Texto de Gabriel Brust

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