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O preço da persuasão

19 de agosto de 2008 5

Amanda Root como Anne Elliott na adaptação cinematográfica do livro, de 1997

Última obra publicada da autora inglesa Jane Austen (1775 — 1817), o romance Persuasão (Landmark, 240 páginas, R$ 33,50), que andava meio difícil de ser encontrado nas prateleiras do Brasil, tem agora nova edição. A nova tradução ficou a cargo de Fábio Cyrino, também diretor editorial da mesma Landmark que recentemente publicou uma versão nova de Orgulho e Preconceito. Ambas as edições saindo em edição bilíngüe, justapondo a versão em português e o original da autora que é considerada uma das mais elegantes estetas da palavra em língua inglesa.

Persuasão foi publicado apenas em 1818, um ano após a morte da escritora. Assim como em suas outras obras, Emma, Razão e Sensibilidade e a que é hoje considerada sua obra-prima, a já mencionada Orgulho e Preconceito, para citar apenas algumas, em certa medida Persuasão traz as características marcantes da obra de Jane: as protagonistas são mulheres da sociedade britânica do período, muitas vezes precisando optar entre um casamento de conveniência e uma paixão pouco recomendável por questões de fortuna ou de classe.

O texto sutil e leve da britânica também a tornou uma das autoras preferidas do cinema em tempos recentes. O próprio Persuasão ganhou uma versão recente, de 1997.
— As personagens de Jane Austen buscam o amor, o romance, não têm grandes compromissos. Mas é possível ver sob essa primeira camada de leitura o retrato de outros temas, como o choque da burguesia e da nobreza. Ela escreveu em um período de grandes transformações sociais na Inglaterra, passando pela migração rural para a grande cidade, o fim de uma nobreza aristocrática do campo — comenta o tradutor Fábio Cyrino.

O enredo de Persuasão é em si mesmo um exemplo desse retrato sutil do período nas entrelinhas de uma história romântica. A protagonista, Anne Elliott, pertence a família nobre, porém financeiramente falida. Na juventude, apaixona-se por um capitão da marinha, Frederick Wentworth. Um homem sem berço mas com
muita ambição, uma representação do burguês que se faz por si mesmo que tomava conta do cenário no período, em substituição à aristocracia já sem condições financeiras de manter por si própria seu ocioso padrão de vida. Ainda
assim, a origem humilde do rapaz provoca a imediata desaprovação da família de Anne, que a força a interromper o romance. Anos depois – irreparavelmente solteira pela intransigência da família, ela reencontra seu antigo pretendente. Agora a situação de sua família arrivista está nas mãos de um curador, Admiral Croft, que vem a ser o cunhado de Wentworth, agora promovido e em boa situação financeira devido a seus feitos na guerra contra Napoleão. A ciranda de relações entre os personagens não termina aí. Wentworth agora está cortejando uma vizinha dos Elliott.

Em termos estilísticos, contudo, Persuasão não é nem de longe o melhor trabalho de Jane Austen. Era bastante conhecido seu obsessivo hábito de voltar diversas vezes ao manuscrito, retrabalhando não apenas a linguagem mas as cenas, a estrutura mesma do romance. Foi algo que ela não teve tempo de fazer com Persuasão, obra póstuma, publicada em 1817, no ano posterior a sua morte.

Postado por Carlos André Moreira

Comentários (5)

  • denise bottmann diz: 8 de janeiro de 2009

    lamentável que essa edição da landmark seja um plágio da edição da europa-américa.
    http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/01/landmarkismo-estgio-superior-do.html

    complicado.

    abraço
    denise bottmann

  • denise bottmann diz: 8 de janeiro de 2009

    lamentável que essa edição da landmark seja um plágio da edição da europa-américa.
    http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/01/landmarkismo-estgio-superior-do.html

    complicado.

    abraço
    denise bottmann

  • antonio diz: 20 de agosto de 2008

    Cara, Jane Austen é muito chata. Lê-la em Inglês mesmo, um porre. Sem contar que os filmes, infelizmente fiéis aos livros, ficaram ruins, muito ruins. A vida das mulheres britânicas esperando por um homem a desposá-las era rídicula. Pior ainda é retratar isso igualmente em três ou mais livros. Deus me livre dessa mulher!

    Oi, Antônio. Bem, é a tua opinião, e não pretendo que a mudes, só vou comentar a minha: sabe que quando li Sense & Sensibility em inglês minha impressão inicial foi que seria um livro “difícil” pelo tom de época e me surpreendi com o fato de ser perfeitamente legível? Gosto de Austen, embora não seja seu maior fã, há outras pessoas que conheço que são mais apreciadoras. Mas acho muito bons os dois romances nos quais ela realmente acerta a mão, Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade. E quanto à temática, sim, eles são meio parecidos, mas confesso que aprecio essa visão daquela época de quem está “de dentro”. Vejo nas histórias não só a vida das mulheres à espera de um homem (o que, bem ou mal, pra mim já cria um quadro de época, uma vez que hoje as coisas mudaram em algumas partes do mundo), mas uma descrição crítica sutil da maneira superficial como aquela sociedade rigidamente estratificada se organizava.
    Abraço e continue vindo aqui e comentando. 
    Carlos André Moreira

  • Raquel diz: 5 de setembro de 2008

    Jane Austen é maravilhosa! Infelizmente viveu pouco. Mas nos deixou grandes obras! Adoro-as!!

  • Mundo Livro » Blog Archive » Tradução e reação diz: 23 de fevereiro de 2010

    [...] Jane Austen, assinada pelo próprio diretor da editora, Fábio Cyrino, e sobre a qual já escrevi aqui antes de saber do rolo e outra versão mais antiga, de Isabel Sequeira. As estranhas [...]

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