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Loyola e Laurentino vencem o Jabuti

31 de outubro de 2008 1

Ignácio de Loyola Brandão em Porto Alegre em 2005 no anúncio da programação da Jornada de Literatura. Foto: Arivaldo Chaves.

Foram anunciados nesta noite de sexta-feira os dois grandes vencedores do Prêmio Jabuti — a premiação mais tradicional da literatura brasileira, que completou 50 anos agora em 2008. O veterano escritor Ignácio de Loyola Brandão, autor de livros de contos e de oito romances, dentre os quais alguns sempre apontados como essenciais para a literatura contemporânea, como Zero, Não Verás País Nenhum e O Beijo não Vem da Boca, teve seu livro infantil O Menino que Vendia Palavras escolhido como Livro do Ano na Categoria Ficção, num resultado que pegou de surpresa o próprio autor. Ele, como boa parte da imprensa especializada, apostava em O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza, primeiro lugar n a categoria Melhor Romance e vencedor de outros prêmios importantes, como já tratamos aí embaixo.

Já na categoria Não-Ficção, o Livro do Ano foi 1808, reportagem histórica que recuperou a vinda da Família Real portuguesa para o Brasil há 200 anos. Esse foi um dos temas mais abordados nos lançamentos deste ano, mas o jornalista do grupo Abril Laurentino Gomes conseguiu adiantar-se à avalanche relacionada às efemérides lançando o livro primeiro (ele chegou a vir à Feira do Livro do Ano passado para autografar o livro recém-lançado).

Loyola Brandão é um habitué do Rio Grande do Sul, presença constante na Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, realizada de dois em dois anos. O Menino que Vendia Palavras, lançado pela Editora Objetiva, conta a história de um garoto que, ao descobrir que seus colegas sempre recorrem a seu pai, homem culto e inteligente, tem a idéia de aprender o significado das palavras para vendê-las aos colegas. É narrado em um tom leve e bem humorado, um humor que, na obra infantil, tem uma clave lírica, bem menos sarcástica que a literatura adulta produzida pelo autor de O Ganhador.

1808 é uma obra montada a partir de pesquisa em outras fontes, narrando a vinda e o estabelecimento de Dom João para o Brasil, e defendendo até mesmo algumas teses que contrariam o entendimento já estabelecido no imaginário popular sobre Dom João e sua esposa, Carlota Joaquina. Para Laurentino Gomes, Dom João, que passou para a História como bobo, fraco, covarde, apalermado e até corno, na verdade se revelou um monarca à altura do que dele se exigiam as circunstâncias ao fugir com a Família Real para o Brasil, tendo sido um rei europeu que atravessou o caminho de Napoleão e ainda assim manteve seu reino. Apesar de seu temperamento hesitante, Dom João conseguiu cercar-se de assessores hábeis que ajudaram-no a manter a unidade de um reino pequeno e sem força militar no meio da tempestade napoleônica.

Laurentino Gomes na Praça da Alfândega, quando veio autografar 1808 na Feira do Livro do ano passado. Foto: Jefferson Botega

Postado por Carlos André Moreira

Comentários (1)

  • Mundo Livro » Arquivo » Como é bom ser best-seller diz: 1 de novembro de 2010

    [...] o ápice da repercussão de 1808, que viria no ano seguinte, com os 200 anos da chegada da corte e a concessão do Jabuti de melhor livro na categoria Não Ficção. Daí porque a sessão de autógrafos não foi das mais concorridas – fato que Laurentino [...]

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