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Maratona Tijolão Literário, o começo

18 de dezembro de 2008 1

A despeito da ressaca que ainda combalia meu magro corpo, resultado de uma noite de excessos etílicos, atirei-me nesta manhã à primeira leitura de Jogos Sagrados. E antes de terminar a primeira página tomei a decisão de arrancar as últimas. Explica-se: é no final do livro que está o glossário absolutamente necessário para ir adiante no romance policialesco. Vikram Chandra não economiza termos, expressões e ditos populares em sua grafia original, e no mínimo a cada duas linhas é necessário consultar o dicionário que ele esperta e gentilmente embutiu.

O problema nem é tanto parar a leitura para procurar o significado de chutiya, dudh-ki-tanki ou chole-bature, (que obviamente eu não irei traduzir aqui por pura e simples fanfarronice), mas sim correr até as últimas folhas sob o risco de, sem querer, topar com o derradeiro parágrafo do romance de fato. Então, arranquei bonitinho as 16 páginas finais (calma, não sou um mutilador de livros, estou lendo a prova de revisão que as editoras nos mandam) e as deixei ao meu lado, junto do copo onde fervia uma providencial aspirina sabor limão, para consultas rápidas e precisas — tá, nem tão precisa assim, porque mesmo com o favor de compilar as palavras mais utilizadas no seu idioma nativo, Chandra deixa escapar um chappal ou kurta sem mais explicações. Mas o Google taí pra isso, né não?

Pelo primeiro capítulo, o que dá pra sacar é que Vikram escreve dentro do mais perfeito padrão. Seu texto é limpo, com parágrafos bem divididos, economia na descrição de locais e diálogos curtos. Bem diferente — pelo menos por enquanto — da estética do cinema indiano, representada pela sua exagerada, caricata e densa Bollywood. A indústria do cinema indiano inclusive já ganhou algumas citações por parte de Sartaj, o policial protagonista da trama, brevemente apresentado durante uma ou outra cena de ação ou auto-análise.

O segundo capítulo introduzirá, ao que tudo indica, o gângster Ganesh Gaitonde, que eu já sei que morre. E como eu sei? Por que o autor teve o genial idéia de fazer um rol dos personagens antes de começar a história propriamente dita — expediente comum em peças de teatro, mas que eu nunca havia visto antes num romance. Segue exatamente assim:

Ganesh Gaitonde: famoso gângster e líder mafioso hindu, chefe da Companhia-G de Mumbai.
Anjali Mathur: agente do serviço de informações do governo que investiga a morte de Ganesh Gaitonde.

Vikram, meu querido, vem cá que eu preciso te contar uma coisa. Agora presta muita atenção, que eu vou dizer só uma vez, pausadamente e bem perto do teu ouvido: NÃO FAZ MAIS ISSO!!! Botar spoiler no próprio livro, pombas? Não quero acreditar que a morte do tal chefão do crime organizado seja capital para o desenrolar da trama, mas apenas o estopim de algo inevitável cujo conhecimento antecipado não irá alterar o curso da leitura. Mas se for, bom, o que está feito, está feito, e só nos resta ir em frente.

Postado por Gustavo Brigatti

Comentários (1)

  • Julia diz: 19 de dezembro de 2008

    Esperei ansiosa.. Valeu a espera pelo post inicial do “Maratona…”
    Bjo

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