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A despedida de Harold Pinter

29 de dezembro de 2008 2

Harold Pinter na entrevista após a concessão do Nobel, em 2005. Foto: AP

Poema
(Para A)

Quando eu morrer vou sentir tanto sua falta
O sorriso mais adorável
A maciez de seu corpo em nossa cama

Minha noiva eterna
Quando eu morrer não se esqueça
Você está sempre viva em meu peito e minha cabeça

O poema acima é de autoria do dramaturgo, escritor e laureado pelo Nobel de Literatura Harold Pinter, e é dedicado a sua esposa, Antonia Fraser. Os versos estão na terceira edição da revista Granta, publicação literária inglesa que desde 1979 veicula textos, poemas, artigos, contos e trechos de romances em andamento de grandes autores. Começou a ser publicada aqui no Brasil no fim de 2007, quando a Alfaguara passou a sair no país como selo da editora Objetiva. Este terceiro número traz o material publicado lá fora como o número 100 da revista, uma edição comemorativa que juntou alguns dos maiores nomes que já passaram pela revista, como Martin Amis, Julian Barnes, Doris Lessing, Hanif Kureish, Ian McEwan, Salman Rushdie, Mario Vargas Llosa e o próprio Harold Pinter, que contribui com esse poema com a tristeza de uma despedida.

Pinter morreu aos 78 anos no último dia 24, em Londres, cidade onde nasceu e onde vivia com a esposa. As palavras do poema não são de modo algum “proféticas”, são antes a reflexão sobre algo que atormentava o escritor nos últimos anos: a luta contra o câncer. Ele precisou remover cirurgicamente um câncer no esôfago em 2002 e há dois anos lutava contra uma manifestação da doença no fígado.

Postado por Carlos André Moreira

Comentários (2)

  • Priscilla diz: 29 de dezembro de 2008

    Voltei para a civilização. E entre um intervalo e outro, venho prestigiar teu trabalho. (os portugueses estão me enlouquecendo, hehe)

  • Israel diz: 29 de dezembro de 2008

    Carlos, se não me engano o professor aposentado da Ufrgs Ubiratan Paiva de Oliveira é especialista em Pinter.

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