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Corrompendo a Juventude

28 de maio de 2009 10

A figura que vocês observam acima é a nossa colega Tássia Kastner (ela jura que não é parente do poeta alemão Erich Kästner, sobre quem o Benjamin escreveu). A Tássia é uma daquelas insuportáveis criaturas que parecem ter nascido nos anos 80 com o único intuito de te lembrar que estás ficando velho, e já ajuda aqui no Segundo Caderno há um ano (ao fundo, vocês podem ver parte da Redação, da nossa editoria até o Esporte, incluindo a nuca do nosso ex-repórter ora vivendo na Itália Gabriel Brust, o de camiseta branca - embora eu não consiga pensar em um motivo para alguém querer ver isso).

Falando sério agora: a Tássia é uma garota voluntariosa e bastante inteligente, com uma sadia curiosidade sobre as coisas, e esses dias tivemos, eu e ela, uma ideia. A Tássia andava querendo se aprofundar no universo das boas leituras. Eu vivo precisando de colaboração aqui no blog. Juntando as duas coisas, elaboramos a seguinte brincadeira: eu vou apresentar para ela um livro considerado “clássico” pela maioria dos critérios disponíveis para isso (publicação há algum tempo, autor consagrado, repercussão crítica, essas coisas). Ela tem a missão de terminar o livro e, ao fim dele, escrever um texto bastante pessoal, confessional até, se quiser, sobre seu contato com o livro, o que ela sabia dele antes de lê-lo e o que ela achou do livro, com toda a honestidade. Achou que não valia toda a falação? Achou uma maravilha? Qualquer que fosse a apreciação, ela poderia escrever e eu publicaria aqui.

De pronto pintou o problema: como elaborar a lista? Pensei em várias alternativas mais bem abalizadas: a lista dos livros apresentados pelo Italo Calvino em Por que Ler os Clássicos… A lista de autores do Gênio, do Harold Bloom, ou de obras do Cânone Ocidental, do mesmo autor? A lista dos 100 Autores que você precisa ler, organizada pela professora Lea Masina e publicada pela L&PM há uns dois anos? Os 1001 livros que você precisa ler antes de morrer daquela outra lista do Peter Boxhall? Bom, no fim decidi usar, quando preciso, um pouco de cada uma dessas listas e ditar a coisa pelo pragmatismo: os livros que eu tiver em casa para emprestar para a moça e era isso. Não se trata, obviamente, de um curso de formação literária ou coisa que o valha, simplesmente a exposição/encenação aqui no blog de um processo que ocorre todos os dias com uma pá de gente: alguém indica um livro para outra pessoa, um livro que já vem com uma carga de referências, muitas vezes, e aí a leitura é que vai conectar ou não o universo do leitor que pegou o livro emprestado com o do que emprestou. E na devolução, a inevitável conversa: e aí, gostou? Sim, muito, ou Esperava mais, essas coisas. E ao mesmo tempo também é sempre bom conferir as leituras sem muitas tecnicidades que um crítico precisa prestar atenção por questão de ofício. Não é um texto crítico, é um texto de descoberta.

A periodicidade também será, se possível, de um livro por mês — vai depender da velocidade de leitura da própria Tássia.

Dito isso, fica para nossa jovem colega o desafio com o primeiro livro, que eu já emprestei há algum tempo: O Velho e o Mar, de Hemingway, e mais não digo sobre ele porque muita gente já conhece ou ouviu falar da história. Quem vai dizer algo agora é a nossa leitora, em um texto que sei lá quando ela vai me mandar, mas espero que seja breve.

Postado por Carlos André Moreira

Comentários (10)

  • Armando diz: 30 de maio de 2009

    Interessante a proposta, vou tentar acompanhar aqui no blog. É muito curiosa essa situação de recomendar uma leitura, principalmente para alguém que não se conhece bem (que não é o caso aqui). Mas me pareceu muito feliz a escolha do livro inaugural, conjuga leveza e qualidade. Me bateu uma vontade de reler essa que foi uma das minhas leituras de formação, na pré-adolescência; hoje resgatada, mas que por muito tempo vi caracterizada como literatura menor.

  • PC, O PC diz: 30 de maio de 2009

    Bei… eu estava pensando em Incidente em Antares, mas acho que o velho e o mar… tem aquela coisa de é doce morrer no mar, nas ondas doces do mar…
    Agora tchuss por que eu tenho que terminar um Tex – Edição Ouro, Armadilha Diabólica . Literatura do melhor calibre: Colt 45, heheheh

  • Rafael Pimentel Müller diz: 28 de maio de 2009

    Interessante iniciativa, Carlos. Nos resta, agora, aguardar o término da leitura.

    Abraçosss

  • Gabriel diz: 29 de maio de 2009

    boa escolha para começar os trabalhos. ps. a limitação de 1 mês não vai impedir a leitura de clássicos “tijolão”, tipo A Montanha Mágica ou “guerra e paz”???

    Pois é, Gabriel, talvez limite, mas primeiro vamos testando a velocidade da garota.

  • Bruno diz: 30 de maio de 2009

    Olôco, um mês pra ler O Velho e o Mar? Quanto tempo vai levar pra terminar Moby Dick?

    Bruno, meu caro: um mês é um tempo médio que eu escolhi por minha conta e que inclui não só a leitura mas a reflexão que a Tássia fará sobre o que leu antes de escrever enquanto conjuga isso com outras atividades, como a faculdade e a vida social de uma quase adolescente (desculpa aí, Tássia, rere) - é claro que O Velho e o Mar ela terminará em menos tempo, e o Moby Dick em muito mais, mas o caso é que o tempo que se leva para se ler um livro é irrelevante – é o que sobra dessa leitura que conta. Quando trabalhava como repórter de uma rádio na minha cidade, conheci um operador que lia em um dia três ou quatro livrinhos daquelas coleções de faroeste – e no fim do dia ele próprio confessava que misturava as histórias na cabeça e não sabia o que era de qual livro. Comecei com o Velho e o Mar porque acho justamente um livro rápido de ler, com uma certa crueza e uma certa ternura, um bom começo, mas vamos intensificando à medida que o projeto anda, ok?
    Carlos André

  • Gabriel B. diz: 28 de maio de 2009

    1. Que bela nuca! 2. Confio na estagiária para essa missão. 3. Moreira, fiquei curioso para saber tua opinião sobre a proibição do livro do Tezza nas escolas de SC.

    Pois é, Gabriel, vou escrever um post sobre isso pra daqui a pouco.
    Carlos André

  • Joselino diz: 29 de maio de 2009

    Não seria, “há algum tempo”? (não precisa publicar este comentário)

    Sem problemas, Joselino, não temos nada a esconder aqui. Demorei a encontrar o erro na releitura (tem um “há algum tempo” dentro de um parênteses que estava certo, então achei que fosse aquele). Mas agora já arrumei ali.
    Carlos André

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