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Ruffato ministra oficina

25 de junho de 2009 2

Essa é para o povo oficineiro de Porto Alegre. Neste sábado, dia 27, estará em Porto Alegre, para ministrar uma oficina literária no centro médico Clínica Verri (Rua Tobias da Silva, 267/506, bairro Moinhos de Vento, telefone (51) 3022.4444) o escritor, crítico e editor Luiz Ruffato, nome de ponta da literatura contemporânea nacional. De acordo com o material que me mandaram a oficina alterna exercícios e discussões práticas com teoria literária e reflexões a respeito do processo de criação.
As aulas serão realizadas das 9h às 12h e das 14h às 17h, e o preço da inscrição é R$ 150. Cada um dos participantes deve levar no dia da aula um conto de no máximo 6 mil caracteres para ser discutido na oficina.
Ruffato, para quem não sabe, é o autor de Eles eram muitos cavalos, romance cujo título que chegou a ser merecidamente lembrado na nossa enquete aí debaixo de títulos mais bacanas para obras de ficção. É um panorama multifacetado, formado de colagens de episódios e vozes que formam um mosaico da São Paulo urbana, caótica e desumana dos dias de hoje.
Desde 2005, Ruffato vem se dedicando à publicação da série Inferno Provisório – uma obra pretensiosa, no bom sentido. Em uma literatura nacional por demais centrada na subjetividade, Ruffato decidiu mesclar esse mergulho na consciência de seus personagens com uma história ficcional que abarcasse o desenvolvimento da classe proletária no Brasil do último meio século por meio da história de uma série de personagens que se interligam de história para história e até de livro para livro.
Até agora, já ganharam corpo nessa vertiginosa viagem literária quatro capítulos anteriores da série, Mamma son tanto Felice, O Mundo Inimigo, Vista Parcial da Noite e o mais recente, lançado no ano passado, O Livro das Impossibilidades. A narrativa espalhada por eles é tão fragmentária que a leitura pode começar por qualquer ponto, não obrigatoriamente pelo primeiro volume.
É uma saga de difícil classificação. Em uma ampla narrativa passada em um microcosmo que vai de Cataguases e São Paulo, Ruffato conta também a história do proletariado industrial no Brasil do século 20. Essa descrição não dá conta do projeto, claro. E o termo “romance” também não. Nem “conto”. Trata-se de um emaranhado de histórias de vidas perdidas que se cruzam primeiro na cidade pequena, depois na metrópole.
O Livro das Impossibilidades situa-se, prioritariamente, nos anos 70, mas a narrativa avança até os 80 e recua até os 60. A tal ambiciosa reconstrução do capitalismo é um pano de fundo que não negligencia a construção de ricos personagens, cujas vidas refletem as duras transformações produzidas pelo progresso. Depois da descrição das pequenas cidades frutos da industrialização, nos primeiros livros, este último centra o foco no sonho de “vencer” na cidade grande, numa época em que o otimismo industrialista convive com o endurecimento do regime militar.
Para dar conta desse panorama, Ruffato urde três histórias, Era uma Vez, Carta a uma Jovem Senhora e Zezé & Dinim. Mostrando por que é um dos mais inventivos autores brasileiros da atualidade, ele não se restringe a uma narrativa tradicional, procura caminhos experimentais — Zezé e Dinim, por exemplo, têm suas histórias narradas em colunas lado a lado.
Numa entrevista lá em 2005, Ruffato me comentou que planejava incorporar mais adiante no ciclo Inferno Provisório o próprio romance Eles Eram Muitos Cavalos, como o quinto episódio da série, dedicada à época atual. Mas como o livro foi recentemente reeditado, provavelmente a intenção não está mais valendo. O próximo lançamento do escritor, em setembro, é o romance que escreveu como parte do projeto Amores Expressos — aquele no qual autores eram enviados para passar um mês em um determinado país, pesquisando elementos para um romance a ser publicado na volta. Já saíram Cordilheira, fruto da viagem de Daniel Galera a Buenos Aires, e O Filho da Mãe, escrito por Bernardo Carvalho depois de uma estada em São Petesburgo.

O de Ruffato se passará em Lisboa.

Postado por Carlos André Moreira

Comentários (2)

  • xerxenesky diz: 25 de junho de 2009

    Gosto muito do Eles eram muitos cavalos. Só não entendi porque vai ter oficina literária em uma clínica médica… Será que é como o Houellebecq diz, “oficinas são para neuróticos”? Haha, brincadeira!
    Pior que eu não entendi, também, Antonio. Mas eu só o mensageiro. E como tu sabe, “il messaggero…”
    Carlos André

  • Mundo Livro » Blog Archive » De Ruffato e de ficção diz: 30 de março de 2010

    [...] se comparado a seus antecessores (Mamma Son Tanto Felice, O Mundo Inimigo, Vista Parcial da Noite e O LIvro das Impossibilidades), Estive em Lisboa e Lembrei de Você partilha com eles alguns elementos fundamentais. A história [...]

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