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Lar das coisas antigas

16 de julho de 2009 1

Alumbramento

Lingerie cor de carne: nua, ainda não
mas transparente, na luz do dia penetrante.
Sentimento de espera, véspera, furtivo
ao ter que te despir, de te livrar
mais de uma vez, da elástica nudez sintética
que resiste, iludindo os sentidos:
líquida, deslizante, fugitiva
de jérsei, náilon, ou seda
meio-termo entre pele e água
virada pelo avesso, com paixão e paciência
para chegar até a terra firme do corpo nu.

Um dos poetas mais importantes em atividade no Brasil, vencedor do Prêmio Jabuti em 1986 com o livro 3×4, o carioca Armando Freitas Filho, 69 anos, reúne no volume Lar, (assim mesmo, com a vírgula como parte do título)  versos inéditos produzidos desde 2004 — a última publicação do poeta havia sido em 2006, com a coletânea Raro Mar.

Com mais de 40 anos de carreira, Freitas Filho transforma, em Lar,, (Companhia das Letras, 136 páginas. R$ 34) a memória em matéria de poesia, num balanço recorrente de sensações e evocações. São 120 poemas divididos em três seções. A primeira intitula-se Primeira Série, referindo-se tanto à posição de abertura da série no livro quanto à primeira série escolar – os poemas remetem à remotada de memórias de infância. Na segunda, Formação, de onde foi extraído o poema ali de cima, as mesmas experiências são retrabalhadas como elementos de construção da personalidade, de descobertas de sexualidade, da religiosidade cultivada na infância corrompida pela carne na chegada à adolescência. A terceira parte do livro, Numeral, retoma a proposta de outro livro, Numeral/Nominal, com pequenos poemas numerados em série (neste volume ele vai do 66 ao 100).

Comentários (1)

  • Mundo Livro » Arquivo » Os 10 do Portugal Telecom diz: 31 de agosto de 2010

    [...] Dezanove e o Segredo do Soviético, de Ondjaki (Companhia) * Caim, de José Saramago (Companhia) * Lar, de Armando Freitas Filho (Companhia) * Leite Derramado, de Chico Buarque (Companhia) * Monodrama, [...]

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