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O Clone no escuro

14 de agosto de 2009 7

Dia desses fui parar em um site ligado a uma publicação hypada e li uma coluna de livros assinada por uma jornalista e escritora brasileira. Tinha um texto grande sobre os dois recentes vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura, Galiléia, de Ronaldo Correia de Britto, e A Parede no Escuro, do gaúcho Altair Martins. Fui lendo, fui lendo, estava gostando, confesso. Até que chegou na parte em que a autora da coluna dedicava-se a falar um pouco do romance. E alguma coisa me soou muito familiar na primeira frase. E me soou mais familiar ainda em outros trechos adiante.

Não que eu não soubesse de onde vinha aquela sensação estranha de familiaridade, eu sabia, era essa a questão. O texto parecia um tanto com o texto que eu próprio escrevi e que foi capa do Segundo Caderno em outubro do ano passado. logo no lançamento do romance. Não era uma cópia integral, mas parecia que a maneira como o pensamento era encadeado era muito semelhante à descrição que eu próprio havia feito no meu texto. Para não ser leviano em minhas impressões, fui até o post publicado aqui mesmo no blog em 14 de julho, onde havia republicado o texto por conta da indicação do romance entre os semifinalistas do prêmio Passo Fundo Zaffari Bourbon. E comprovei que, ao menos para mim, há coisas bem semelhantes.

Para não dizer que eu sou paranoico, transcrevo abaixo o meu texto e o texto da escritora/colunista, com as passagens que me soaram familiares destacadas, e pergunto aos considerados leitores. Não parece ter havido uma inspiração bastante acentuada, ao ponto de ultrapassar a simples coincidência? Palpites nos comentários:

O meu texto:
Chove a cântaros quando o padeiro Adorno estaciona a Kombi velha na qual faz as entregas à frente de uma padaria onde vai deixar um lote de pãezinhos. No meio do vendaval, não vê nem é visto por um carro que entra na mesma rua no exato momento em que ele tenta atravessá-la.
O acidente na chuva é um dos pontos-chave da narrativa de A Parede no Escuro, primeiro romance do escritor Altair Martins, 33 anos, até aqui conhecido pela originalidade e pelo cuidado com a linguagem em seus contos, nos livros Se Choverem Pássaros, Dentro do Olho Dentro e Como se Moesse Ferro - um cuidado que lhe valeu duas vezes o prêmio Guimarães Rosa, organizado pela Rádio France Internationale, em 1994 e 1999. A Parede no Escuro é narrado por uma profusão de narradores que se cruzam no mesmo capítulo e às vezes na mesma cena.
- Nesse livro eu me propus um desafio: buscar a possibilidade de colocar mais de um narrador no mesmo espaço narrativo em cena sem quebra.
Tive alguns contos anteriores nos quais experimentei coisas assim, mas no romance em particular eu queria trabalhar na forma a idéia central do tema, a de as pessoas invadindo abruptamente o espaço e o discurso umas das outras – conta o autor, mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS em 2006 com uma dissertação na qual defendia os procedimentos narrativos desse mesmo primeiro romance, na época provisoriamente chamado de Desencanto.
Uma série de personagens se cruzam numa narrativa circular na manhã do já descrito atropelamento. Adorno, padeiro doente mas ainda na ativa, acorda depois de um sonho opressivo e de passar mal, discute com a mulher, Onilda, acende o forno e faz seus pães. Sai e é colhido na frente da padaria por um carro dirigido pelo professor de matemática Emanuel. Este, por sua vez, dirigia-se à casa do pai, Fojo, para apanhá-lo e levá-lo a uma consulta médica. Emanuel vinha, perturbado, do apartamento em que dormiu com uma aluna, Lisla – que vem, pelas artes circulares do romance, a ser colega de quarto de Maria do Céu, filha do padeiro atropelado. Cada um deles, e outros personagens colaterais que a trama vai agregando, narra um fragmento da história, numa polifonia narrativa quebrada às vezes por um narrador em terceira pessoa, distante, que também tem voz nas transições entre um episódio e outro.

O texto dela:
O romance “A Parede no Escuro” é resultado de dissertação de mestrado do autor, sobre discurso narrativo. O objetivo de Altair era mostrar a possibilidade de colocar mais de um narrador no mesmo espaço narrativo, no caso do livro, no mesmo capítulo, ou na mesma cena. O ponto de partida é um acidente: chove a cântaros, quando o padeiro Adorno sai para cumprir sua rotina de entregas de pães. Ele havia passado uma noite péssima, para piorar, ao acordar, discutira com a mulher, Onilda. No meio da tempestade, não vê nem é visto por um carro que entra numa rua no exato momento em que ele tenta atravessá-la. O motorista, o professor de matemática Emanuel, dirigia-se à casa do pai, Fojo, para levá-lo a uma consulta médica. Emanuel, assim como Adorno, estava desorientado, vinha do apartamento em que dormira com uma aluna, Lisla, que, por sua vez, é colega de quarto de Maria do Céu, filha do padeiro atropelado. Esses personagens, além de outros que vão surgindo no desenrolar do enredo, relatam fragmentos da história, produzindo um texto polifônico, o qual, às vezes, é interrompido por um narrador em terceira pessoa, descolado da trama, e que também aparece nas transições entre um episódio e outro.

Ah, antes que perguntem: Não, não vou declinar o nome da moça. Primeiro porque espero a opinião de vocês, e segundo porque não é do meu feitio subir nas tamancas quando sou plagiado - se plagiado fui, não terá sido a primeira vez que texto meu foi parar sem crédito em outros pontos da rede, por aí.

Comentários (7)

  • Flávio André diz: 15 de agosto de 2009

    Lembrou-me das redações “originais” que eu fazia na 8ª série. Só trocava ou invertia a sequencia das palavras.
    Lamentável.

  • Marcelo Frizon diz: 14 de agosto de 2009

    Qualquer um que pegue um trecho do texto da moça e coloque no Google descobre quem é ela… E é decepcionante descobrir quem é. Não que se trate de excelente jornalista, mas é uma figura respeitada.

  • Gabriel diz: 16 de agosto de 2009

    Não sei se o pior é o plágio em si ou se é achar que publicando na internet ninguem vai se dar conta.

  • Rafael Pimentel Müller diz: 16 de agosto de 2009

    Maquiado, mas ainda plágio.

    Abraçoss

  • Gabriel B diz: 18 de agosto de 2009

    Se tu visse a foto da moça, ia querer discutir esse plágio pessoalmente.

  • Lourenco diz: 22 de agosto de 2009

    Fiquei ate na duvida se ela realmente leu o livro. Que cara dura tem a moca, heim.

  • Camila diz: 4 de setembro de 2009

    Te usou como “release”, certo. Mas essa “moça” copia muita gente mesmo.

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