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O Gênese segundo Saramago

19 de outubro de 2009 29

Depois de enfurecer a Igreja no início dos anos 1990 com seu ateísmo militante expresso em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, uma leitura iconoclasta ainda que poética da vida de Cristo, José Saramago agora volta à Bíblia, desta vez para acompanhar, como o título de seu novo romance deixa entrever, o “primeiro assassino da história humana”, Caim. O que Saramago faz em Caim é desviar o foco para a primeira mão ensanguentada da narrativa ocidental e focar quem ele considera o verdadeiro autor do crime, seu instigador e planejador, o próprio Deus (que Saramago no livro grafa em minúsculas, bem como todos os nomes próprios). Não é um mote inédito na obra de Saramago, que já em O Evangelho Segundo Jesus Cristo apresentava Deus como um planejador cínico e meticuloso que sabia de antemão todos os martírios que as ações de Jesus provocariam no futuro e mesmo assim insiste na realização do plano até o fim (o que merece um comentário ao mesmo tempo amargo e irônico do Diabo, feito durante a conversa entre Jesus, Deus e o Adversário em um barco no meio do mar: “É preciso ser-se Deus para gostar tanto de sangue“).

Conforme prometemos na capa de hoje do Segundo Caderno (foi mal, gurizada, mudaram a capa e não fui avisado para desprogramar o post), vai abaixo um trecho de Caim, que a Companhia das Letras está jogando nas livrarias esta semana:

Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de mugidos e rugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo. Dos escritos em que, ao longo dos tempos, vieram sendo consignados um pouco ao acaso os acontecimentos destas remotas épocas, quer de possível certificação canónica futura ou fruto de imaginações apócrifas e irremediavelmente heréticas, não se aclara a dúvida sobre que língua terá sido aquela, se o músculo flexível e húmido que se mexe e remexe na cavidade bucal e às vezes fora dela, ou a fala, também chamada idioma, de que o senhor lamentavelmente se havia esquecido e que ignoramos qual fosse, uma vez que dela não ficou o menor vestígio, nem ao menos um coração gravado na casca de uma árvore com uma legenda sentimental, qualquer coisa no género amo-te, eva. Como uma coisa, em princípio, não deveria ir sem a outra, é provável que um outro objectivo do violento empurrão dado pelo senhor às mudas línguas dos seus rebentos fosse pô-las em contacto com os mais profundos interiores do ser corporal, as chamadas incomodidades do ser, para que, no porvir, já com algum conhecimento de causa, pudessem falar da sua escura e labiríntica confusão a cuja janela, a boca, já começavam elas a assomar. Tudo pode ser. Evidentemente, por um escrúpulo de bom artífice que só lhe ficava bem, além de compensar com a devida humildade a anterior negligência, o senhor quis comprovar que o seu erro havia sido corrigido, e assim perguntou a adão, Tu, como te chamas, e o homem respondeu, Sou adão, teu primogénito, senhor. Depois, o criador virou-se para a mulher, E tu, como te chamas tu, Sou eva, senhor, a primeira dama, respondeu ela desnecessariamente, uma vez que não havia outra. Deu-se o senhor por satisfeito, despediu-se com um paternal Até logo, e foi à sua vida. Então, pela primeira vez, adão disse para eva, Vamos para a cama.
Set, o filho terceiro da família, só virá ao mundo cento e trinta anos depois, não porque a gravidez materna precisasse de tanto tempo para rematar a fabricação de um novo descendente, mas porque as gónadas do pai e da mãe, os testículos e o útero respectivamente, haviam tardado mais de um século a amadurecer e a desenvolver suficiente potência generativa. Há que dizer aos apressados que o fiat foi uma vez e nunca mais, que um homem e uma mulher não são máquinas de encher chouriços, as hormonas são coisa muito complicada, não se produzem assim do pé para a mão, não se encontram nas farmácias nem nos supermercados, há que dar tempo ao tempo. Antes de set tinham vindo ao mundo, com escassa diferença de tempo entre eles, primeiro caim e depois abel. O que não pode ser deixado sem imediata referência é o profundo aborrecimento que foram tantos anos sem vizinhos, sem distracções, sem uma criança gatinhando entre a cozinha e o salão, sem outras visitas que as do senhor, e mesmo essas pouquíssimas e breves, espaçadas por longos períodos de ausência, dez, quinze, vinte, cinquenta anos, imaginamos que pouco haverá faltado para que os solitários ocupantes do paraíso terrestre se vissem a si mesmos como uns pobres órfãos abandonados na floresta do universo, ainda que não tivessem sido capazes de explicar o que fosse isso de órfãos e abandonos. É verdade que dia sim, dia não, e este não com altíssima frequência também sim, adão dizia a eva, Vamos para a cama, mas a rotina conjugal, agravada, no caso destes dois, pela nula variedade nas posturas por falta de experiência, já então se demonstrou tão destrutiva como uma invasão de carunchos a roer a trave da casa. Por fora, salvo alguns pozinhos que vão escorrendo aqui e ali de minúsculos orifícios, o atentado mal se percebe, mas lá por dentro a procissão é outra, não tardará muito que venha por aí abaixo o que tão firme havia parecido. Em situações como esta, há quem defenda que o nascimento de um filho pode ter efeitos reanimadores, senão da libido, que é obra de químicas muito mais complexas que aprender a mudar uma fralda, ao menos dos sentimentos, o que, reconhe­ça-se, já não é pequeno ganho. Quanto ao senhor e às suas esporádicas visitas, a primeira foi para ver se adão e eva haviam tido problemas com a instalação doméstica, a segunda para saber se tinham beneficiado alguma coisa da experiência da vida campestre e a terceira para avisar que tão cedo não esperava voltar, pois tinha de fazer a ronda pelos outros paraí­sos existentes no espaço celeste.

Comentários (29)

  • Felipe Barcelos Alves diz: 22 de outubro de 2009

    Fiat lux aqui que o texto de Saramago não é sobre Deus em si. Ele não tenta entender nem explicar Deus, mas somente sobre e sobre somente a Bíblia e a interpretação de seus textos. Muitos aqui nesse blog já levam pro lado “pessoal” mas não é. Trata-se somente da interpretação do cristianismo sobre os textos bíblicos.

  • Elaine diz: 19 de outubro de 2009

    Saramago é genial! Sou fã!

  • FernandaV diz: 19 de outubro de 2009

    O texto está repetido.

    Já arrumei ali, Fernanda. Valeu o aviso.
    Carlos André

  • Rafael Martins diz: 23 de outubro de 2009

    Sim, Carlos. Um bom amante da literatura irá ler de Saramago a Bíblia, sem nenhum problema. E também entendo a sua posição sobre o “fundamentalismo”; só não podemos esquecer que há essa intolerância de ambos os lados. Li aqui nesses comentários abusos dos amantes da literatura e dos católicos. Isso não dá para acontecer. Paz na terra aos homens de boa vontade [não importando a sua posição religiosa ou suas referências bibliográficas]. Abraço Rafa

  • Milton Munaro diz: 22 de outubro de 2009

    O Doutor José, cheio de sabedoria e arrogância, pensa que é Deus, pois nega-o. Einstein, gênio por excelência, disse que tudo depende de Deus, mormente o equilíbrio do Cosmo. Saramago, que vive na Terra de Fátima, está a soldo de quem? Pecar contra o Espírito Santo, não passará. O efêmero positivismo é átomo no Universo. Morrerás e verás.

    Opa, Milton, tudo bem? Quanto à crença de Einstein em Deus, a coisa não era lá muito assim. Einstein era mais deísta do que cristão, ele não tinha as convicções religiosas dos católicos – o que inclui o Espírito Santo. SObre esse ponto, sugiro a leitura de Einstein, de Walter Isaacson (Companhia das Letras, 2008).
    Ah, sim, e Saramago já não vive na “Terra de Fátima” desde 1992, quando se mudou para a ilha espanhola de Lanzarote, nas Canárias.
    Abraço.
    Carlos André

  • luiz diz: 19 de outubro de 2009

    Engraçadíssimo ver o Saramago esperneando como um animal ferido, já que quanto mais grita e tenta parecer ameaçador, mais claro fica que os golpes de Bento XVI na pós-modernidade foram certeiros. O cara pode ter seus livros traduzidos em 300 línguas, mas o seu materialismo e racionalismo caíram porque não conseguem responder as perguntas que realmente importam. Por isso a fé cresceu quando todos diziam que ia cair com os avanços da ciência. Como disseram, seus livros de nada serviram.

  • sergio Garcez diz: 19 de outubro de 2009

    Todo maçonico fala desse jeito da igreja catolica, mais isso nao derruba a fé daqueles que acreditam nos bons pastores dentro na nossa igreja.

    E aí, Sérgio? Olha, ao que me consta o Saramago não é maçom, é comunista.
    Abraço
    Carlos André

  • Lia diz: 19 de outubro de 2009

    Que escritor mais idiota!! E ainda tem alguma igreja que se preocupa com uma criatura destas?

  • Luís Abrianos diz: 19 de outubro de 2009

    Depois de saber que o universo tem 72 bilhões de anos luz, de uma ponta à outra, a visão de um insignificante planeta num sistema solar, que é o nosso, Deus estaria preocupado em punir os pecadores que se perdem por ignorância sem que lhes dê a oportunidade de educação. As religiões sempre apresentaram Deus como um ente sádico: ou tu me adoras ou vais para o inferno.
    Eu prefiro os agnósticos, são muito mais lógicos e racionais.
    Caro Carlos André, um grande abraço, Luís Abrianos.

  • Antonio diz: 22 de outubro de 2009

    Saramago sim, é deus. hahahahahaha o melhor de tudo é ver os cristãos fervorosos p. da cara. Ótimo texto.

  • David Mattos diz: 19 de outubro de 2009

    Saramago é genial! SAbe como poucos mexer com os brios do cristianismo, expondo as suas incongruências com uma ironia rara. Saramago, mesmo quando seus romances não tratam diretamente sobre deus, sabe como mexer com o conto de fadas mais absurdo de todos os tempos, e força as pessoas a refletirem sobre a história que todo mundo aceita como verdade sem a menor reflexão, tudo pelo medo do pecado, do céu e do inferno. deus é uma fábula que deu certo.

  • Maria Paula Amaral Leal diz: 24 de outubro de 2009

    Que homenzinho complicado! Diz que não lê a Bíblia (e para entender seus textos é preciso mais do que ler,é necessário entender o contexto em que foram escritos)e escreve sobre ela. Diz que Deus é fruto da mente humana, portanto não existe, e atribui a Ele (maiúsculo) uma série de atrocidades.O que ele realmente quer?

  • EDSON LUIZ VARGAS DE OLIVEIRA diz: 19 de outubro de 2009

    O texto tá duplicado.

    Valeu pelo aviso, Edson – já arrumei. Quando a gente programa o post mas não o vê no ar nem sempre a coisa dá certo.
    Abraço
    Carlos André

  • Oiced Mocam diz: 31 de outubro de 2009

    A Bíblia inspirada ou escrita por Deus e por isso a consideram sagrada, mas para quem vivia numa era bárbara, de ignorância, superstição, crueldade e principalmente de pouquíssimo conhecimento. O Livro da Lei, com muitos textos metafóricos que já não faziam sentido no tempo em que foram escritos e que perderam a sua significação na atualidade. Merece o meu respeito , como uma obra literária, como patrimônio cultural da humanidade; o vejo como um livro comum e mal escrito sem inspiração divina…

  • PC, O PC diz: 19 de outubro de 2009

    É ixxxperrto esse Saramago… Os incautos ainda não perceberam que qualquer um… Eu disse qualquer um… que escreva, fale, publique qualquer coisa que vá contra o combinado e estabelecido está condenado a se tornar polêmico e se dar bem, ha ha ah ah h ha ha A propósito, o que é torá? pentateuco? Pentateuco seria um teuco com cinco lados? Como não dá pra vir então eu vou ..Tchus.

    “Pentateuco seria um teuco com cinco lados?”
    Não, PC, é uma coleção de cinco volumes (a palavra vem do grego): São os cinco primeiros livros da Bíblia: Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, como não é preciso ser judeu para saber.
    Carlos André

  • Marcelo Reichelt diz: 22 de outubro de 2009

    Luiz, e quais perguntas realmente importam? Como diz um grande amigo meu, “o que não tem explicação eu não preciso explicar.” E complemento: também não preciso inventar doutrina nenhuma para enganar os outros, a quem devo meu respeito.

  • Luís Abrianos diz: 19 de outubro de 2009

    Eu me surpreendo com os comentários ou teses referentes à bíblia – aqui diga-se antigo testamento ou cópia do torá. Quem teve a oportunidade de ler e ou estudar o pentateuco, verá vários absurdos… apenas uma passagem: Caim mata Abel e é expulso por Deus, passando a errar pela terra tendo um sinal para não ser morto;
    Nas andanças ele chega nas terras de “NOD” casa-se e tem uma família?! com quem? só existiam na terra, 3 pessoas: Caim, Adão e Eva.
    Saramago é o Cara!
    Carlos André, um abração!

  • TADEU diz: 19 de outubro de 2009

    Qual o nome deste deus que ele escreve, o meu Deus verdadeiro é soberano criador do céu e da terra e que não existe ninguem alem dele e o mesmo exige devoção exclusiva segundo a biblia é JEOVÁ.

    Amém, Tadeu. Amém
    Carlos André

  • PC, O PC diz: 19 de outubro de 2009

    Pitz, e a Biblia tem mais de cinco livros ? Báh!!! Pensei que fosse só um… e tem os cinco primeiros o que supõe que são mais do que isso…
    E Deuteronômio seria algum Deutério parente do polinômio?
    Complicado essa bíbilia hein!!!???
    Vou procurar algo mais látixi e literário pra ler … tipo O Doce Veneno do Escorpião . ha ah ah ahaha ha ah ah

  • Rafael Martins diz: 22 de outubro de 2009

    Vamos combinar assim: os católicos leiam a bíblia; os amantes de literatura leiam Caim. Pronto, cada um no seu barco. Temos muito espaço para cada um ter as suas verdades [e respeitar as verdades dos outros, ok?]. Abraço a todos

    Uma boa proposta, Rafael. Sem falar que há muitos amantes da literatura (eu inclusive) que leem a Bíblia como a matriz da tradição literária do Ocidente. Agora, minha opinião pessoal sobre o assunto é: quem tem fé prescinde de xingamentos porque sua fé lhe basta, e faria bem em respeitar os pontos de vista contrários, como muito bem apontas.
    Abraço.
    Carlos André

  • Luís Abrianos diz: 19 de outubro de 2009

    continuando…
    José Saramago é o Cara!
    De uma inteligência privilegiada, consegue não apenas enfurecer a igreja, mas também adeptos ao cristianismo de outras vertentes. Fico imaginando se ao invés de escrever sobre Caim, escrevesse sobre Maomé ou comentasse sobre o islã, os mesmos que se levantaram contra Saramago o estariam criticando agora?
    continua…

  • David Mattos diz: 19 de outubro de 2009

    Deus, Tupã, Javé, Jeová, Maomé, Jesus Cristo, Buda, Zeus, Netuno. Todos, SEM EXCEÇÃO são seres mitológicos, feitos para acalentar o desespero em ter que encarar a óbvia finitude. A espécie humana é muito presunçosa, acha que o fato de pensar a torna divina, mas isso é apenas um aspecto físico. Pássaros voam, homens pensam. O pássaro não acha que é melhor do que qualquer outra espécie pelo fato de voar, e por naõ se achar melhor, vive melhor consigo e com o meio. deus é uma piada cansada.

  • André Borges Uliano diz: 19 de outubro de 2009

    Saramago é mais um exemplo de rebeldia infantil. Há vários tipos de rebeldia saudáveis e até necessários, a exemplo dos grandes líderes. Eles visavam opor-se ao que estava errado e influciar outros a fazê-lo. No caso de Saramago é diferente. Sua rebeldia não acrescenta nada. Só quer se aparecer e rebelar-se contra as autoridades, para mostrar que tem coragem de o fazer, do mesmo modo que um adolescente inseguro contradiz os pais. Seu livro não ajuda em nada a sociedade, muito pelo contrário!

  • Carlos diz: 22 de outubro de 2009

    David Mattos, Buda não é um ser mitológico, é um ser humano comum, porém desperto para a verdade e livre de todas as ilusões. O Buda histórico foi um príncipe indiano que morreu de disenteria (mais humano, impossível). O Budismo tradicional (theravada) é uma filosofia, não uma religião. Buda falava que devemos sempre questionar e nunca aceitar algo como verdade somente por respeito ou veneração à quem fala. Saramago é o cara. Expõe seu ponto de vista e nos faz refletir.

  • alessandro machado diz: 22 de outubro de 2009

    É muito triste ter que ler matérias como estas de pessoas que se dizem cultas e ao mesmo tempo são tolas.Enquanto esse (senhor) que se diz escritor escreve asneiras esqueceu se que DEUS é soberano é inicio,meio e fim de todas as coisas.Enquanto viver esse(senhor)será lembrado vindo a morte seu nome será entregue ao esquecimento.MAS O NOME DE DEUS PERMANECE PELOS SÉCULOS E SÉCULOS PARA TODO SEMPRE AMÉM.

  • Dalamico diz: 19 de outubro de 2009

    Magnífico!Sarcástico e saboroso texto.
    Saramago não é para muitos é para poucos, aqueles poucos que ainda apreciam literatura de qualidade, aqueles que apreciam a leitura que agrega…

  • David Mattos diz: 19 de outubro de 2009

    Saramago não é um rebelde, se o afirmas assim, mostra que não conheces nem ele nem a sua obra. Sua obra se propõe àquilo que no meu entendimento, toda boa obra deveria se propor. Nenhum livro deve ter a pretensão de estabelecer dogmas, afirmar verdades, decretar mentiras. As boas histórias devem apenas nos fazer pensar, refletir sobre o que achamos ser o correto. Não que necessariamente devamos mudar de opinão, mas é preciso coragem para aceitar pensar nas nossas crenças sob a ótica oposta.

  • Segundo Caderno » Arquivo » Sai no Brasil biografia de Saramago diz: 18 de maio de 2010

    [...] da aldeia de Azinhaga, onde nasceu, até o lançamento de seu romance mais recente, o polêmico Caim – passando pelos diversos ofícios que exerceu antes de ingressar no jornalismo e mais tarde na [...]

  • Mundo Livro » Arquivo » Os 10 do Portugal Telecom diz: 7 de setembro de 2010

    [...] de Brito Mello (Companhia), * Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, de Ondjaki (Companhia) * Caim, de José Saramago (Companhia) * Lar, de Armando Freitas Filho (Companhia) * Leite Derramado, de [...]

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