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Posts de outubro 2009

Dicas de leitura para a Feira do Livro

31 de outubro de 2009 5

Os colegas da redação de ZH David Coimbra e Cláudia Laitano dão dicas de lançamentos e saldos para aproveitar a Feira do Livro de Porto Alegre.

Confira:

 

Postado por Carlos André Moreira

Ela e aquela palavra

31 de outubro de 2009 0

Não chamem Gabriela Leite de menina, garota de programa ou profissional do sexo. Ela prefere puta. Com toda a sonoridade e o peso que a palavra tem, está lá, na capa da autobiografia dessa paulista de 58 anos, referência do movimento de prostitutas no Brasil, à frente da ONG Da Vida e da grife Daspu: Filha Mãe Avó e Puta.

Gabriela estará na Feira do Livro hoje às 19h, para um debate no Salão Oeste do Santander Cultural com a participação da escritora Cíntia Moscovich, para, entre outras coisas, defender o vocábulo maldito. Nada mais coerente com a história de quem batia boca nos congressos sobre prostituição contra os eufemismos e termos politicamente corretos para enquadrar aquela que é descrita como a profissão mais antiga do mundo. E talvez a mais estigmatizada.

— Gosto de todos os nomes que estão no dicionário, mas gosto mais de “puta”, porque é sonoro, explica quem somos. E quero que esse nome seja um dia considerado bonito. Nossos filhos são literalmente os maiores palavrões dessa cidade, os filhos-da-puta — afirma Gabriela, em entrevista por telefone, do Rio.

O tom é bem-humorado, mas o assunto é sério. Gabriela milita há 30 anos pelo reconhecimento da profissão, por melhores condições de trabalho e o fim do preconceito. No dia em que atravessou a rua para conhecer a zona, a então estudante de Ciências Sociais da USP fez sua escolha. Deixou a universidade, o emprego de secretária, enfrentou a mãe, a irmã, acabou por abrir mão de criar a filha (e a outra menina que nasceria anos mais tarde) e foi ganhar a vida com sexo. Por 12 anos, trabalhou e morou em prédios de apartamentos controlados por cafetinas, passando por São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

E desde então, em entrevistas, mesas-redondas e bate-papos em mesa de bar, ouve sempre a mesma pergunta: “Por quê?”.

— Acho que entrei na prostituição até para poder responder a essa pergunta às pessoas (risos): “Porque quis, gosto da sexualidade e tal”. A prostituição é muito mais complexa do que as pessoas sentem ou acham.

Filha Mãe Avó e Puta não é a primeira autobiografia de Gabriela. Em 1992, ela havia lançado Eu, Mulher da Vida, que hoje considera datada, marcada por um momento difícil, em que o movimento de prostitutas perdeu o amparo da instituição que o abrigava. E, desde então, Gabriela realmente fez muito mais história para contar. Aposentou-se da profissão, casou-se com o jornalista Flávio Lenz, fundou no Rio a ONG Da Vida, que deu origem a badalada grife Daspu, motivo de dor de cabeça da luxuosa loja paulista Daslu, antes que eles tivessem problemas mais sérios a enfrentar — o processo por sonegação fiscal contra a proprietária, Eliana Tranchesi. A ação judicial que a Daslu moveu exigindo a mudança de nome da Daspu só tornou ainda mais conhecida — com direito a desfile de prostituas em rede nacional em novela da Globo.

— Falei na imprensa que Eliana não deveria ser presa. O castigo deveria ser devolver todo o dinheiro ao fisco. Mas ouvi críticas por ter dito isso, de quem achava que estava perdoando a mulher rica da Daslu só porque agora estou aparecendo.

E Gabriela vai aparecer ainda mais. Tem planos de montar uma loja da Daspu, está empreendendo uma pesquisa sobre a violação dos direitos humanos das prostitutas nas capitais do Brasil, que deverá se transformar em livro. Ela até pode se apresentar como prostituta aposentada, mas a militante segue na rua.

A história da Feira do Livro

31 de outubro de 2009 2

Clique na imagem para conferir uma retrospectiva da Feira com imagens históricas e comentário de Luís Augusto Fischer:

Postado por Carlos André Moreira

O truque do Jorge

31 de outubro de 2009 0

Na coluna da contracapa do caderno da Feira de hoje, comentei como o cineasta e escritor Jorge Furtado precisou lançar mão de um baralho com truques e adivinhações para entreter a gurizada assando sob o telhado de um dos armazéns do cais do porto onde está instalado o espaço da Arena das Histórias. Furtado havia levado o baralho, ilustrado com episódios de Alice no País das Maravilhas, para que as crianças sorteassem nas cartas trechos da nova tradução assinada por ele e por Liziane Kugland, e sobre o qual vocês podem ler mais aqui mesmo no blog. Cada episódio sorteado na carta, seria lido pela dupla no livro, mas o calor deixou a gurizada meio dispersiva, e Furtado utilizou o baralho para truques de adivinhações (como vocês veem na foto). Cercado pela gurizada, cada um querendo escolher uma carta diferente para que ele adivinhasse, Furtado perdeu-se algumas vezes na execução do truque e ouviu reclamações. Mas terminou a brincadeira ensinando o truque, que partilhamos aqui com nossos leitores:

Em um baralho ilustrado com desenhos, as cartas devem ter as figuras sempre no mesmo sentido. Depois que a vítima escolhe uma, pede-se para que ela a olhe e a memorize atentamente, e aproveita-se para sorrateiramente virar o baralho, pedindo para que a pessoa devolva ao monte a carta que escolheu, que ficará com a figura no sentido inverso das demais. Aí, não importa se o monte for embaralhado, será fácil encontrá-la.

Postado por Carlos André Moreira

Calor e boas vendas

30 de outubro de 2009 0

O primeiro dia de Feira do Livro foi de calor e teve a maior parte de suas atividades sediada na área infantil, onde os ar-condicionados tiveram de ser ligados a toda e alguns portões abertos para amenizar a alta temperatura que deixava os pequenos inquietos e pouco predispostos a apreciar a literatura. Na área principal, foi um dia de frequência média, embora os livreiros garantam que tiveram um bom resultado.

Confira algumas imagens feitas pelo fotógrafo Diego Vara:

O fotógrafo Daniel Marenco também esteve na feira:

 

Postado por Natália Leal

Um bom primeiro dia

30 de outubro de 2009 4

Em um dia de calor porto-alegrense, que é como os senegalenses chamam um calor senegalesco, a Feira ainda não recebeu o número de visitantes que vai inevitavelmente receber em seu desenrolar. Se eu pudesse dar uma dica a quem está lendo é que aproveite inclusive para dar um pulo aqui esta tarde mesmo — primeiro dia, final de mês, os corredores ainda estão transitáveis, os vendedores estão a pleno gás, os títulos estão à disposição, logo, é um bom momento para quem quiser fazer suas primeiras compras.

O engraçado é que apesar do movimento ainda baixo pelos corredores, os livreiros com quem conversei dizem que têm boas razões para comemorar no caixa, e que este seria um dos melhores primeiros dias de Feira do Livro em muitos anos no que diz respeito às vendas.

— Fazia tempo que eu não via um dia de abertura tão bom quanto este — disse o livreiro Vitor Zandomeneghi, da Terceiro Mundo.

Postado por Carlos André Moreira

A praça dos leitores

30 de outubro de 2009 0

Daniel Marenco

De hoje a 15 de novembro, o Mundo Livro tem um coração: a Praça da Alfândega de Porto Alegre. É lá que se realiza a 55ª Feira do Livro, evento que de tão tradicional já se confunde com a praça, o centro da Capital e a vida dos gaúchos no final da primavera.

É lá, sob as árvores floridas, que desfilarão este ano autores destas e de outras paragens, editores, ilustradores, cineastas, agitadores culturais e gente como a gente, que não vive sem o livro seu de cada dia.

É lá que se cruzarão duas culturas: a do Brasil e a da França — em 2009 se comemora o Ano da França no Brasil. A praça é dos leitores.

Começa aqui o Mundo Livro Especial da Feira do Livro.

Postado por Equipe do Segundo Caderno

Blog da Feira

29 de outubro de 2009 2

Vocês que passeiam por aqui de vez em quando devem ter notado que o banner de apresentação do blog ali em cima mudou, não? Não sei se é preciso explicar mais do que já está ali, mas é que o Mundo Livro, durante o período desta 55ª Feira do Livro, de amanhã até dia 15 de novembro, vai apresentar uma cobertura especial voltada para o evento — e desta vez, com o apoio do pessoal que produz o Zero Hora Online, o que vai garantir atualizações constantes. Portanto, a partir de amanhã, elejam seu blog literário de sempre, o Mundo Livro, como o melhor lugar na rede para se informar sobre a Feira.

Ah, sim, e sigam a gente no Twitter: @mundolivro.

Boa Feira para todos nós

Postado por Carlos André Moreira

As Fotos do Tadeu

28 de outubro de 2009 3

 O sujeito que vocês veem aí em cima (na foto de Jean Pimentel) é o fotógrafo de Zero Hora Tadeu Vilani. O Tadeu veio para garantir que vocês tenham imagens bacanas na cobertura da Jornada, e não essas coisas toscas que eu ando fotografando com o celular e jogando no blog. Tadeu tem 44 anos e foi correspondente de Zero Hora aqui na região de Passo Fundo — e, portanto, tem sido inestimável nesta cobertura com seu “conhecimento do terreno”. Só que o Tadeu, que agora está na equipe de Porto Alegre do jornal, também é convidado da programação paralela da Jornada, e está expondo no Centro de Eventos aqui da Universidade de Passo Fundo uma série de fotografias resultado de uma recente viagem a Cuba — imagens como a que vocês veem aí embaixo, em solene preto-e-branco.

Tá, e o que este blog tem a ver com isso? Tem que não é necessário vir até aqui a Passo Fundo para se encantar com as fotos do Tadeu — as imagens podem ser vistas no site da exposição Compadre: ¿Que Pasa?, que vocês podem ver clicando aqui. O Tadeu também registrou a experiência em video que pode ser assistido neste link, do site especializado em fotografia Mesa de Luz:

Postado por Carlos André Moreira

O entrevistado inquieto

28 de outubro de 2009 0

Guillermo Arriaga em Passo Fundo. Foto: Carlos André Moreira

A sala de entrevistas coletivas do circo da Jornada é um espaço de não mais que 24 metros quadrados (uns seis de comprimento por quatro de largura), feito de chapas de compensado revestido de fórmica e sustentado por vigas de aço. As cadeiras para a imprensa ficam voltadas para uma mesa no fundo da sala onde se sentam os convidados (como você pode ver na foto do Tezza logo abaixo).

A menos que o convidado seja o roteirista e escritor mexicano Guillermo Arriaga, 51 anos. Com trânsito pela literatura, pelo cinema, com formação em História e Letras, Arriaga ofereceu uma explicação simples e bem humorada tanto para o motivo pelo qual a determinado momento resolveu conceder a entrevista em pé e circulando pela sala quanto pelas suas histórias cheias de tramas paralelas e entrecruzamentos narrativos.

— Tchekhov disse que um escritor só escreve o que pode, não o que quer, e essa é minha forma de escrever. Também porque tenho Transtorno de Déficit de Atenção.

Arriaga falará hoje à noite na principal conferência do evento sobre os cruzamentos entre cinema e literatura — e mais de uma vez ao longo da conversa de 45 minutos com os jornalistas ele reiterou que o que faz nas telas também é literatura.

— Considero o que faço no cinema literatura. Porque tento fazer ali o mesmo que em meus livros, que é seduzir. Toda arte é sedução, é trazer alguém para dentro de seu universo.

Bem falante e uma figura imponente do alto de seu 1,85m, Arriaga disserta com suavidade e gentileza inclusive sobre uma das características mais presentes em sua obra, tanto nos livros quanto nos filmes: o retrato cru da violência. Que, de acordo com ele, nada tem da celebração da violência quase cartunesca que Quentin Tarantino transformou na tônica do cinema contemporâneo.

— Tarantino esteve recentemente no México e disse que se diverte muito com a violência no cinema, que ri muito, também porque sabe que aquilo não é real. É como uma grande piada. Mas para nós, mexicanos, brasileiros, que vivemos em países nos quais a violência é real, não tem mais graça, não há risos. Quando se perde um familiar ou um amigo em consequência da violência, aquilo já não parece mais tão engraçado. Então eu sempre procuro mostrar que a violência tem consequências.

Em sua sétima viagem ao Brasil, Arriaga não poupou elogios ao que viu por aqui em termos de festas literárias. Já esteve nos últimos anos nas bienais de São Paulo e Rio, na Flip, na Feira do Livro de Porto Alegre — para onde retorna na próxima sexta-feira.

— Não sei se vocês se dão conta da enormidade do que é algo como esta jornada, entrar em uma lona de circo e se ver diante de uma multidão de… quantas cabem naquele circo, cinco mil pessoas? Em outros países já falei para umas cem, duzentas pessoas, mas nada como isto.

Também não se furtou a falar de política e temas candentes: elogiou Lula e suas medidas sociais, que, de acordo com ele, fazem o México se perguntar se poderiam ser implantadas por lá, dadas as semelhanças entre os dois países. Elogiou Obama como um símbolo e viu pontos positivos e negativos na figura de Hugo Chávez

— Chávez foi criado como resposta à voracidade criminosa das elites venezuelanas. Alguém tinha de dar um basta. Mas Chávez peca ao incitar o ódio à classe média.

E também falou do flagelo comum tanto a México quanto ao Brasil: pobreza aliada ao poder devastador do narcotráfico:

— A lei do México não fala em pena de morte, mas temos pena de morte no México. Se desafias o traficante, se atrapalhas o traficante, estás condenado à morte. É um poder paralelo. Quando falo em universidades americanas sempre digo que, cada cigarro de maconha fumado por alguém naquela sala está sujo de duas ou três gotas de sangue inocente. Acho que hoje o México só teria a ganhar se legalizasse as drogas. Afinal, é um absurdo o estado controlar o que o indivíduo consome, isso é responsabilidade individual. Do jeito que está agora, é da clandestinidade que o tráfico retira sua força.

Postado por Carlos André Moreira