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Jogo arriscado

02 de fevereiro de 2010 2

Aproveitando que Invictus, o filme de Clint Eastwood, está em cartaz aqui na Capital (na foto, vocês veem Morgan Freeman como Nelson Mandela e Matt Damon como o capitão da seleção sul-africana de rúgby François Pienaar), republico abaixo o texto escrito pelo nosso colega Luiz Zini Pires, titular da coluna e do blog Bola Dividida, sobre o livro que deu origem ao filme. Bom proveito:

A Grande Jogada de Mandela

John Carlin, 56 anos, é autor de Conquistando o Inimigo: Nelson Mandela e o Jogo que Uniu a África do Sul (Sextante, 272 páginas, R$ 29,90), mãe do filme Invictus. Mãe não. Madrasta.

Tivesse a mesma garra do livro de John Carlin, o filme do quase sempre perfeito Clint Eastwood seria candidato ao Oscar. Não que o filme seja ruim. Não é. Decepciona pela falta de esforço do diretor, pela sua mão politicamente correta. Mas no fim o filme sempre ajuda o livro – o contrário nunca acontece. Talvez ajude você.

Os mais apressados podem começar a sua viagem pela África do Sul, país da próxima Copa, em 132 exatos dias, por Invictus. Eu começaria pelo livro. Conheço o autor, John Carlin, um inglês de pai escocês diplomata) e mãe espanhola, que já morou em Buenos Aires, gosta de Porto Alegre e vive em Barcelona, onde escreve no jornal El País. Carlin é um grande papo. Formado em Oxford, passou 25 anos trabalhando em mais de 40 países. Cobriu todo tipo de conflito. Falei com ele semanas atrás. Ele estava ansioso com a estreia do filme.

Carlin viveu na África do Sul como chefe dos correspondentes locais do melhor jornal britânico, o The Independent, nos anos 1990. Esteve várias vezes com Nelson Mandela em diferentes situações. Na prisão e no chá das cinco do então novo presidente.

- Mandela é uma pessoa que combina generosidade com astúcia. Nobreza com pragmatismo. Mandela tem um tremendo encanto pessoal. Ele é um gênio da política. Como Mozart com a música, como Einstein na ciência, Pelé com o futebol – ele me disse, por telefone, da Espanha.

Carlin contou (e o livro mostra) que Mandela, primeiro, liberou o seu povo de uma terrível tirania.Logo, cimentou as bases para uma democracia real e estável. A África do Sul tem seus problemas, como outros países, mas ninguém duvida que é uma democracia absolutamente autêntica. Mandela também evitou uma guerra. Claro, é terreno hipotético, mas quando Mandela saiu da prisão, existiam todos os elementos para que eclodisse uma terrível guerra civil entre brancos e negros. É, assim, um libertador.

Hoje, a África do Sul poderia ser outro Afeganistão. Não é, e é isto que Mandela deixou. A África do Sul é um país democrático, estável economicamente, bastante forte e capaz de celebrar uma Copa do Mundo com novos estádios, com o maior orgulho, sem terrorismo, mas ainda com sérios problemas de criminalidade – como o Brasil – e um crônico buraco no seu sistema de transportes (o que seguramente atrapalhará o óbvio
vaivém dos torcedores).

O livro dá mais sobre a África do Sul, o filme dá menos. Os dois podem se ajudar. Ganha a nossa cultura.

Comentários (2)

  • Mundo Livro » Blog Archive » Mandela nos livros diz: 11 de fevereiro de 2010

    [...] Há ainda Conquistando o Inimigo: Nelson Mandela e o Jogo que Uniu a África do Sul, de John Carlin, que inspirou o filme Invictus, de Clint Eastwood, e sobre o qual já publicamos um texto aqui. [...]

  • uberVU – social comments diz: 16 de fevereiro de 2010

    Social comments and analytics for this post…

    This post was mentioned on Twitter by mundolivro: Luiz Zini Pires escreve sobre o livro de John Carlin que deu origem ao filme “Invictus”, de Clint Eastwood. No blog: http://migre.me/ixcf

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