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Os vampiros de del Toro

29 de abril de 2010 3

Tenho em Drácula de Bram Stoker, do Coppola, um dos meus filmes prediletos. Também gostei bastante do primeiro Blade. E acho o game Batman: Arkham Asylum uma obra de arte. Mas nunca li muito a respeito dessa galera quiróptera. Na verdade, nem me lembro se um dia li algum livro com vampiros. Dessa série adolescente de chupadores de sangue vegetarianos eu passei longe. Vi o primeiro filme até o fim por pura e mórbida curiosidade, certo de que poderia ter desligado a TV muito antes.

Então decidi pegar Noturno, parceria do cineasta Guillermo del Toro e do escritor Chuck Hogan, lançado no Brasil em 2009 pela Rocco. E o fiz apenas pela certeza embasbacante de que as livrarias estão a ponto de dedicarem um espaço exclusivo para livros sobre e com vampiros. Quer dizer, eu tinha que ler pelo menos uma obra escrita durante esses anos de febre. Sei lá, esperava pelo menos entender seu zeitgeist.

Mas Noturno foi um negócio tão difícil de engolir quanto _ suponho _ sangue.

Não sei sobre o que versa essa nova literatura vampiresca, mas del Toro optou pelo cruzamento do tradicional com o moderno. Então seu vilão vem da Romênia e dorme num caixão preto cheio de terra. Mas ele está em Nova York a fim de provocar o apocalipse vampiro. Chega de avião e nele faz suas primeiras vítimas. Na cidade está também um velho judeu que conheceu o monstro num campo de concentração nazista e, desde então, se prepara para o derradeiro encontro.

Mas quem aparece antes é um médico de uma divisão governamental treinada para evitar e combater terrorismo biológico. Ele é cético, claro, e custa a acreditar _ Arquivo X feelings. Mas começa a mudar de ideia quando vê os humanos transformados em ação. Aqui, del Toro recicla seus vampiros de Blade 2 (que eu particularmente não simpatizei…). Eles não possuem dentes, e sim um tentáculo munido de ferrão que fica alojado embaixo da língua e pelo qual sugam o sangue de suas vítimas ao mesmo tempo que transmitem o vampirismo _ que, descobre-se depois, é uma espécie de vírus que transmuta seres humanos em bestas mortas-vivas acéfalas sugadoras de… sangue.

E que não morrem tão fácil. Precisam ter a cabeça decepada com uma lâmina de prata. Do contrário, o sistema continua vivo, necessitando apenas de sangue. O velho exterminador de vampiros tem, em seu bunker (que fica embaixo de sua loja de penhores, por deus…), um jarro contendo um coração extraído de uma vampira na década de 70 e que, até hoje, fica todo excitado quando “sente” sangue fresco por perto. Basta uma gota de sangue no jarro para que ele volte a funcionar, como um órgão independente. Pois é.

Capinha style em alto relevo, anyway...

Um plus: esses vampiros são como aquele inseto que transmite a Doença de Chagas, o Barbeiro. Ele se empolga tanto sugando o sangue de sua vítima que seu estômago vai inchando e espremendo outros órgãos, incluindo os intestinos _ que, apertados, o fazem defecar por toda parte, quando transmite a doença. Os vampiros de del Toro fazem o mesmo. Não, eu não sei o porquê e deveria ter parado nessa parte, mas como ficou claro, possuo curiosidade mórbida de sobra.

Cabeças pra lá, sangue pra cá, tripas pra todo lado e é formada então uma equipe de caçadores: o velho judeu dos Cárpatos, o médico e sua assistente e um exterminador russo de ratos. Eles tentam, matam os primeiros contaminados, mas o estrago  já está feito. Até o mestre-vampiro eles chegam perto de destruir. Termina o livro com o surgimento de vampiros caçadores de vampiros (Blade de novo, del Toro, pô rapaz…), a mulher do médico transformada, uma conclave de anciãos vampiros declarando guerra e uma miríade de perguntas sem respostas.

Sei lá, mas acho que como filme daria certo. Bota um filtro azulado, trilha sonora de suspense, cenas de correria com câmera no ombro e uma meia dúzia de sustos que tá feito. Nego vai dar cinco estrelinhas fácil. Mas não, como livro não dá. Talvez melhore no segundo, mostrando como vai ser esse mundo tomado por vampiros, um pequeno grupo de humanos na resistência tentando achar uma maneira eficaz de reverter a situação. Só que ainda assim, pensando bem, ficaria melhor no cinema.

Comentários (3)

  • Simone Saueressig diz: 3 de maio de 2010

    Oi Carlos!

    Bom, eu não li “Noturno” e, francamente, não penso em ler. Estou de vampiros “até aqui” e olha que eu empre fui simpatizante da causa sanguessuga. Mas depois de ler (sim, eu confesso que li) três da série “Crepúsculo” (o quarto não deu para engolir!), e “Morto até o anoitecer”, dá licença, vou passar de “Noturno”, mesmo sabendo que a ótica é diferente.
    Sobre teu artigo, queria comentar duas coisas. Primeiro, a ideia de que o vampirismo é uma espécie de doença que se transmitiria com a mordida não é nada nova. Ela foi tema de um dos velhos “Drácula” da Hammer e tese de mestrado de um médico espanhol, que associou o vampirismo com a hidrofobia (o povo confundiria um com o outro). O livro é interessantíssimo e convence. No filme, uma médica identificava o “problema” e tentava encontrar uma cura para o velho conde, para que ele pudesse ser um homem normal e, claro, ficar com ela porque (claro!) estava apaixonada por ele. Os vampiros são mesmo o personagem mais romântico que conheço. Até hoje, todas as histórias de vampiros que li tinham a ver com o amor impossível. Romeu escapou por um triz. Morreu a tempo!
    Segundo: não me leva a mal, mas o que o retratinho do Kurt está fazendo num artigo sobre vampiros?! O Noturno dos X-Man parece mas não é um vampiro, até porque nenhum vampiro não tem uma cauda tão charmosa quanto a dele. Só porque o condinome do sujeito é Noturno? Olha, isso vai dar uma ideia errada aos leitores que não conhecem o Kurt. Não venha tentar me convencer que você não lia os X-Man!
    Abração
    Simone

    Oi, Simone, tudo bem?
    Seguinte. O texto não é meu, é do Gustavo Brigatti. E a foto do Noturno está ali por brincadeira. Se passares o cursor na tela, vai aparecer uma frase alerta: “não é deste sujeito que estamos falando”. Foi mais uma curtição com o fato de o livro ter o mesmo nome do carinha dos X-Men – que sim, eu li muito. Quanto à tese não ser nova, sim, concordo, é possível encontrar um ensaio esclarecedor sobre isso na coletânea
    O Vampiro Antes de Drácula (Editora Aleph), organizada por Martha Argel e Humberto Moura Neto, que reúne várias histórias precursoras do vampirismo antes do livro de Bram Stoker. No ensaio, também se esmiúça as origens das lendas que proliferaram sobre o gênero no Leste Europeu.
    Abraço

    Carlos André

  • Simone Saueressig diz: 4 de maio de 2010

    Oi de novo, Carlos!

    Ops, desculpe pelo comentário sobre a ilustração da matéria. Eu não tinha passado o cursor sobre ela, então não vi o alerta.
    Legal você ter citado o livro da Martha Argel e do Humberto Moura. Quem escreve dentro do gênero Fántástico ou sobre ele, sempre fica satisfeito de ve os autores brasileiros sendo citados.
    Valeu!

  • Saimon Nunes diz: 8 de maio de 2010

    Quer livro de vampiro?
    Leia a trilogia Bento, Vampiro Rei I e Vampiro rei II do ótimo escritor brasileiro André Vianco.

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