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Os livros pela capa

18 de maio de 2010 3

Claro que há alguma verdade na velha e surrada expressão “julgar o livro pela capa”, mas ela funciona muito mais como metáfora edificante do que propriamente como juízo aplicado à literatura. Livros são fetiche de consumo, é claro que são, o que inclui, obviamente, o deleite visual e tátil que advém de olhar uma capa bacana ou folhear uma edição bem cuidada em papel de boa textura – e é inevitável que seja cada vez mais assim numa época em que o conteúdo de um livro está lá no computador para ser baixado numa caixinha eletrônica que mais parece um gameboy de gente grande.

Já discutimos capas bregas e apelativas de uma época em que o mercado nacional parecia mais interessado em tornar o livro uma versão sem figuras da Playboy, e um que outro leitor já me perguntou porque eu não fazia alguns posts sobre capas de livros que eu tenha achado bacanas, em vez de bregas. A ideia é boa, claro, mas como a maioria das boas ideias já tem alguém lá fora a pondo em prática com mais qualidade, como é o caso do escritor e designer Samir Machado de Machado, que mantém o blog Sobrecapas,  no qual analisa as capas que considera mais bacanas da produção nacional. Não que eu não vá falar de capas de vez em quando, mas tirando o fato de saber desenhar um pouquinho, não tenho lá muito o que acrescentar em termos de linguagem gráfica. Minha apreciação é mais na linha do gostei ou não gostei, como gostei – e muito, das capas que ilustram este post.

Elas pertencem à coleção Penguin Ink, iniciativa da editora Penguin para comemorar seus 75 anos. A casa selecionou seis livros de seu catálogo, Grana, de Martin Amis; À espera dos Bárbaros, de J.M. Coetzee; O Diário de Bridget Jones, de Helen Fielding; From Rússia With Love, de Ian Flemming; The Bone People, de Keri Hulme e The Broom of the System, de David Foster Wallace, e encomendou para eles novas capas, cada uma produzida por um tatuador ou ilustrador. Confesso minha ignorância quanto ao nome e ao valor dos sujeitos escolhidos, mas o resultado, que você pode conferir neste link, dispensa considerações. Tá certo que, ao menos para mim, parece um recurso muito sofisticado para uma naba como o livro da Bridget Jones ou para um típico pulp de espionagem como o livro de Flemming, mais uma aventura do espião 007. Mas é certo que o resultado ficou belíssimo.

Mais um gol da mesma editora que já havia criado maravilhas na coleção Penguin Classics Deluxe Edition, também chamada de Penguin Graphic Classics, que tinha uma ideia semelhante à da Penguin Ink: trazer para a arte das capas de alguns de seus livros profissionais renomados na indústria dos quadrinhos. O que resultou em coisas como Frank Miller criando a capa de O Arco-Íris da Gravidade, de Thomas Pynchon, Art Spiegelman fazendo a da Trilogia de Nova York, de Paul Auster, e Dan Clowes responsável pela capa de Frankenstein, de Mary Shelley. A série completa pode ser conferida aqui, no Flickr do diretor de arte da coleção, Paul Buckley

Comentários (3)

  • Kelli Pedroso diz: 19 de maio de 2010

    Concordo contigo, Carlos André. Mas o livro não deixa de ser um produto, onde a capa é a embalagem – digamos assim. Infelizmente, tem gente que adquire uma obra somente pela estética, quando o que interessa é o conteúdo.
    Agora, vamos admitir que é extremamente aprazível passar horas numa livraria apreciando, ou até mesmo comprando, livros onde pode-se unir os itens fundamentais: uma bela capa, uma excelente diagramação, folhas Chamois ou Pólen e, o principal: uma narrativa que prende o leitor do início ao fim.

  • Beto Lemela diz: 19 de maio de 2010

    Sou professor de português, leitor viciado e concordo plenamente com você. Parabéns pelo blog.

    Opa, valeu, Beto. Grande abraço e volte sempre.
    Carlos André

  • Everson diz: 21 de maio de 2010

    Eu tenho um amigo que só compra livros baseado no critério “gostei da capa”. Então, são dois os seres que julgam um livro pela capa: ele e o Chuck Norris.

    Por sinal, ele me deu de presente um exemplar do “O Arco-Íris da Gravidade”. Ele gostou muito da capa (não lembro se é um Spitfire ou um Hurricane), mas não passou da segunda página. E eu também ainda não passei (um dia, um dia).

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