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Steiner e a crítica

25 de maio de 2010 2

Livros de crítica e interpretação literárias tendem a possuir vida curta. Há exceções, é claro. O tratado crítico de, digamos, Aristóteles ou Samuel Johnson ou Coleridge torna-se, ele próprio, literatura. Isso acontece devido à força filosófica, à particularidade de estilo ou pela contiguidade. Há casos em que o argumento teórico-crítico é parte integral da obra imaginativa (a polêmica de Proust contra Saint-Beuve; os estudos de T.S.Eliot). Tais casos, no entanto, continuam sendo excepcionais. A maioria dos estudos literários, eminentemente acadêmicos ou acadêmico-jornalísticos, tem dias curtos. Corporificam um momento mais ou menos específico da história do gosto, valoração e debate terminológico. rapidamente, eles encontram enterro decente nas notas de rodapé ou acumulam a silenciosa poeira das estantes das bibliotecas.

O veterano crítico francês George Steiner, no prefácio do ótimo Tolstói ou Dostoiévski (Perspectiva, 2006, tradução de Isa Kopelmann). Mostrando que entende muito do ofício.

Comentários (2)

  • Victor Lisboa diz: 26 de maio de 2010

    Um bom crítico sempre quer manter-se no relativo anonimato, pois os críticos são sempre anônimos quando acertam, seja porque o êxito da obra já parece evidente a todos os leitores e a ninguém ocorre que uma boa crítica pode ter dado um empurrãozinho (afinal, todo mundo gosta de arrogar-se a capacidade de reconhecer por si mesmo um talento), seja porque o crítico conseguiu levar a obra medíocre consigo para anonimato. De regra, os críticos só ficam notórios quando erram vergonhosamente a respeito de uma obra-prima: é que se tornam anedota literária.

    Olá, Victor, tudo bem? Olha, não concordo com seu argumento. Crítica é opinião, e opinião e anonimato não combinam. É possível, claro, a crítica anônima, mas ela é normalmente rechaçada pelos próprios autores, uma vez que parece injusto alguém que não se apresenta criticar uma obra que foi dada a público. E discordo outra vez que críticos só são notórios quando erram. Eles existem, claro, os erros notórios, qualquer um que emite opinião está sujeito a eles, mas também há os acertos – Edmund Wilson encheu a bola de Joyce e Virgina Woolf quando eles ainda eram “autores contemporâneos” do crítico. O próprio entendimento sobre Machado de Assis, que foi vítima de um erro como esse por parte de Silvio Romero, teve sua percepção crítica posterior mudada graças a abordagens de gente como Helen Caldwell e Roberto Schwarz. Claro que o crítico não é responsável pelo êxito da obra, mas o diálogo crítico é fundamental.
    Um abraço

    Carlos André

  • Victor Lisboa diz: 27 de maio de 2010

    E aí, Carlos, blz? Sem dúvida, o diálogo crítico é fundamental, e opinião e anonimato também não combinam. Eu quis brincar com a forma ingrata como o público encara o trabalho dos críticos: correm para saber as críticas a fim de informarem-se a respeito de uma nova obra, mas costumam assumir as opiniões como suas tão logo lhes pareçam convincentes. Disso resulta que, salvo as notáveis exceções que você apontou (o meu “de regra” foi justo para salientar a existência de exceções) o público “ingrato” e dotado de uma amnésia seletivíssima só costuma conferir notoriedade quando é para fazer galhofa. Ou você acha que sou louco de comprar briga com os críticos sem ser provocado? ;-)

    Abraço.

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