Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

A Descoberta da América pelos árabes

22 de junho de 2010 1

Das noites frias e áridas no meio do deserto sírio para a desconcertante exuberância de terras e cores no Brasil. É essa a trajetória do protagonista de Mohamed, O Latoeiro (Primavera Editorial, 432 páginas, R$ 47,80.), romance de estreia que o autor Gilberto Abrão, 67 anos, autografa hoje às 19h30min na Fnac do BarraShoppingSul. Em mais de 400 páginas, o romance faz da trajetória de seu protagonista uma alegoria ficcional da saga de todos os imigrantes árabes.

Embora tenha desempenhado seu papel na formação do povo brasileiro, a imigração árabe ainda é minoritária como temática na ficção nacional. À parte exceções notáveis como Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, A Descoberta da América pelos Turcos, de Jorge Amado, e obras de Milton Hatoum como Relato de um Certo Oriente e Dois Irmãos, a vinda dos árabes para o país não despertou nos romancistas brasileiros o mesmo interesse de outros movimentos migratórios, como a transferência para o país de italianos, alemães ou judeus. Por esse prisma, Mohamed, O Latoeiro já se diferencia.

O Mohamed do título nasce em 1908, na Síria então parte do Império Otomano. Filho de um pastor de poucos recursos, perde a mãe muito cedo e ainda é um menino quando o território é engolfado pelas consequências da declaração da I Guerra Mundial, em 1914. Mohamed cresce, descobre a carne e o dever ao ser seduzido pela sobrinha de sua madrasta, faz um casamento sem dote e resolve emigrar para o Brasil, para onde seu melhor amigo, Khamil, já havia se transferido e se radicado em Curitiba.

Com o intuito de uma mirada épica, Abrão narra sua história com vagar, concentrando-se nos hábitos e costumes dos árabes em suas aldeias natais, no cenário político da Síria sob domínio otomano e mais tarde sob o mandato francês e britânico ao fim da I Guerra _ incluindo a animosidade entre os árabes cristãos (os maronitas) e árabes muçulmanos. Para montar esse panorama histórico, Abrão _ ele próprio descendente de sírios, nasceu em Curitiba, viveu anos no Líbano e está radicado há décadas no Rio Grande do Sul _ constrói um épico, um romanção ao estilo narrativo convencional tributário dos moldes clássicos do realismo. Mas peca por não sustentar na totalidade do texto a ambição (termo aqui usado como elogio) de sua proposta: em várias passagens a prosa que sustenta o romance cede ao banal ou ao descuido, ou explica as circunstâncias históricas com muito didatismo. Em outros momentos, porém, Abrão, faz jus à melhor prosa narrativa da tradição árabe, como em passagens eróticas de grande beleza e na descrição instigante dos costumes dos imigrantes.

Comentários (1)

  • Segundo Caderno » Arquivo » A Descoberta da América pelos árabes diz: 22 de junho de 2010

    [...] o post original no Mundo Livro: A Descoberta da América pelos árabes Compartilhar/Salvar Tags: certo-oriente, engolfado-pelas, guerra-mundial, jorge-amado, [...]

Envie seu Comentário