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Quarta capa

22 de fevereiro de 2011 6

Que cada um escolhe a próxima leitura de um jeito diferente, eu nem preciso dizer. Alguns pela capa, outros por uma indicação. Tem aqueles que lêem porque pegam emprestado (o/), leram a resenha, ouviram falar, gostam do autor… ou então ficaram interessados na história que a quarta capa e a orelha apresentam.

Eu confesso que não tenho muito método (além do critério empréstimo) e, além disso, raras vezes leio as orelhas e afins antes de começar algumas páginas do livro. Não, não é por questão de princípio, porque acho que eu vá ser influenciada ou coisa que o valha. Apenas me interessam muito pouco antes de começar a leitura da obra em si. Mas inevitavelmente, acabo lendo em alguma pausa de leitura do livro.

De qualquer forma, a tarefa da quarta capa é cruel. Considerando a infinidade de títulos dispostos em uma livraria, até que o leitor coloque o volume na sacola, ele vai passar pela capa, título, autor, sessão na qual está à venda. Aí, se ainda assim, o indivíduo não estiver convencido, cabe àquelas vinte linhas de texto, quando tanto, o papel de convencer.

Então, vamos a um exercício das coisas que nunca devem ser ditas nessas referidas apresentações, sob pena de perder o leitor. No princípio, a ideia era usar alguns textos de exemplo, mas achei melhor não comprar briga com ninguém (hehehe)

Regra 1: nunca diga “o autor lança mão de x recurso” para explicar alguma coisa. Normalmente o recurso do qual o fulano “lança mão” não é nada de importante, mas apenas alguma coisa que vá parecer impressionante ou charmosa no texto. Acredite: não é.

Regra 2: não entregue nada da história que não esteja nas primeiras 20 páginas. Parte da graça de ler é descobrir SOZINHO o raciocínio e a história (adaptado da entrevista que o Michel Laub concedeu para a minha monografia).

Regra 3: Não faça o livro parecer autoajuda, por mais tentador que isso possa ser, comercialmente falando. Nada de “manuais” e nem “pílulas de sabedoria“, se você quiser fazer seu livro parecer sério.

Regra 4: Não diga que o livro é fascinante, delicioso ou encantador. Adjetivos devem ser atribuídos pelos leitores e não pelo povo que trabalha no departamento editorial (por mais competentes que sejam).

Regra 5: Se você for entregar a orelha ou a quarta-capa para algum escritor famoso (que irá assinar o texto), não permita que ele transforme o texto em uma “obra-prima”, mostrando todas as suas competências literárias. Vai dar errado. Também não deixe que ele faça uma resenha – o objetivo dos referidos espaços não é esse.

Tá. Chega de ficar ditando regras sozinha. Diz aí, o que vocês não suportam quando vão ler orelhas e que tais de livros?

Texto de Tássia Kastner

Comentários (6)

  • Simone Saueressig diz: 22 de fevereiro de 2011

    O melhor texto de 4ª capa que li na minha vida tinha duas frases e é da 1ª edição brasileira de “A História Sem Fim” do Michel Ende. Diz mais ou menos assim:
    “Fantasia é um livro de capa cor de cobre, que estava esquecido em um sótão.
    Agora ele está na sua mão”.
    Vai dizer que não dá vontade de abrir imediatamente o livro e mergulhar nele?

  • Alexandre diz: 22 de fevereiro de 2011

    Quarta capa é um negócio que às vezes me assusta. Porque, de vez em quando, lendo certas observações, me sinto em outro planeta… lendo outro texto… em outra língua. Sinto-me ignorante, corro para me atualizar, ler mais etc. Não vou dizer quem é o santo, mas o milagre está aí: alguém (de renome) escreveu na quarta capa: “os diálogos são ágeis e inteligentes…”. Qual o quê! Em muitos pontos parecia conversa de retardado, enchendo página, troca improvável de meias palavras, até mesmo para uma dupla de menores na década de… opa.

  • Gustavo diz: 22 de fevereiro de 2011

    Eu nunca leio qualquer texto extra até que não termine o livro, e nunca me arrependo. Várias vezes encontrei algum que entregava pontos chave logo de cara. Em “Crime e Castigo”, a orelha contem um trecho do final!

  • Tássia Kastner diz: 23 de fevereiro de 2011

    Gustavo, esse caso do Crime e Castigo é de denunciar a editora por spoiler. Que coisa desagradável, hein?

    E Simone, tendo a concordar com a tua melhor 4ª capa, mas por um motivo específico: ter só duas frases. hehehe

    Já a coisa de diálogos ágeis pode ir pra lista de coisas que não devem ser ditas. É tão clichê quanto o lançar mão, né?

  • Alexandre diz: 23 de fevereiro de 2011

    Vai aqui um convite para visitar verbologia.wordpress.com
    Grande abraço a todos.

  • Nara diz: 24 de fevereiro de 2011

    Tássia, vou comentar algo que vai parecer óbvio, e mesmo irrelevante, mas ao ler o teu texto, me ví inúmeras vezes, parada frente às estantes da livraria, mexendo e remexendo nos livros em busca de algum sinal que me dissesse: me leva! Muitas vezes, na maioria, não escolhi pela orelha, nem pelos comentários impressos na 4a. capa, principalmente aqueles citados pela grande mídia literária. Geralmente leio a primeira ( ou parte dela) e depois, abro outra página, ao acaso. De modo bem simples e resumido, conseguiste colocar essas dicas que, tenho certeza, vai ajudar a muitos. Abraço.

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