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O americano premiado

08 de junho de 2011 7

Christopher Kastensmidt. Foto de Adriana Franciosi, ZH

O escritor Christopher Kastensmidt, 38 anos, americano nascido no Texas mas radicado há uma década em Porto Alegre, foi eleito como autor do conto mais popular publicado na revista americana Realms of Fantasy, com uma história que narra o encontro de um aventureiro holandês com o Saci Pererê no Brasil-colônia.  O conto, originalmente escrito em inglês, foi publicado em edição nacional este ano pela Devir com o nome de O Encontro Fortuito de Gerard Van Oost e Oludara, em um volume duplo com a história A Travessia, do escritor brasileiro Roberto de Sousa Causo. Kastensmidt ambienta sua narrativa na Salvador do século 17, na qual o aventureiro holandês Van Oost encontra o guerreiro iorubá Oludara e compra a liberdade do africano – não sem antes precisar de uma ajuda do Saci-Pererê, entidade que vive no meio da mata e com a qual precisa barganhar em troca dos recursos necessários para financiar uma expedição.

Amparado em uma ampla pesquisa do Brasil colonial e usando o manancial mitológico com o qual tomou contato depois de mudar para o Brasil, Kastensmidt planeja para Van Oost e Oludara uma série de aventuras ambientadas em um Brasil colonial selvagem, cheio de mistério e de criaturas mágicas – o que, no mercado estrangeiro dominado ou por criaturas de horror sobrenatural como vampiros e zumbis ou por aventuras baseadas em mitologia derivativa do Senhor dos Anéis, contribuiu positivamente para chamar a atenção para a história. Kastensmidt estreou na literatura com o conto Daddy’s Little Boy, publicado na revista Deep Magic na edição 41, de outubro de 2005, e, afora a edição do conto em português, publicou suas histórias apenas em inglês, em revistas norte-americanas (nos Estados Unidos,as revistas literárias são o território por excelência da história curta). A aventura de Oludara e Van Oost saiu na edição de abril de 2010 da revista Realms of Fantasy, e foi indicada ao Nebula, um dos mais importantes prêmio internacionais para ficção fantástica, ao lado do Hugo.

Kastensmidt concorria na categoria “novelette“, que poderia ser traduzida por “noveleta”, um texto um pouco mais longo que o conto mas ainda curto o bastante para não ser um romance (e ainda um pouco menor que aquela categoria difusa que aqui no Brasil chamamos de “novela”). Não venceu o Nebula mas dividiu com Queen of the Kanguellas, escrita por Scott Dalrymple, na votação popular dos leitores, o título de melhor ficção publicada na revista Realms of Fantasy durante 2010 .

Kastensmidt  mudou-se para Porto Alegre em 2001. Com formação em engenharia de sistemas e arquitetura de processadores, ele trabalhava nos anos 1990 para a Intel, viajando pelo mundo como contato com outros programadores. Conheceu quatro jovens gaúchos sócios em uma empresa de criação de videogames e tornou-se o quinto sócio do empreendimento, estabelecendo-se em Porto Alegre. Em 2009, a empresa foi comprada pela multinacional Ubisoft, e algum tempo depois Kastensmidt desligou-se. Hoje atua como professor em universidades locais.

Comentários (7)

  • PAULO ALEXANDRE diz: 8 de junho de 2011

    Caro André:

    Até hoje não tinha entrado em comentários ditos críticos aqui no teu blog, mas quando vejo o teu discurso, a do próprio Christopher Kastensmidt me questiono como pode a ZH ter alguns colunistas totalmente fracos, com assuntos, e matérias simplesmente básicas, que não trazem nenhuma qualidade literária, além claro de não gerar reflexões, pensamentos, questionamentos.
    Cá entre nós, ZH merecia ter um caderno a parte com estilo e perfil deste blog.
    Mas sei que o mercado nos obriga a engolir as ditas porcarias.

  • Pauline Costa diz: 8 de junho de 2011

    Parabéns professor! Não li o livro, mas tive a oportunidade de ter aulas na ESPM de games com o Christopher.

  • Gerson Moreira diz: 8 de junho de 2011

    BEM PAGA A IMPRENSA PUBLICA QUALQUER COISA. SE PUXAR O SACO ENTÃO, TE TORNAM UM HEROI NACIONAL. A RBS TRANSFORMA GENTALHA EM GENTE; COLUNISTA DE TERCEIRA CATEGORIA EM LITERATO. COMO DISSE IMPERNSA DE TERCEIRA CATEGORIA SÓ PODE MESMO PUBLICAR MATERIAL DO MESMO NÍVEL.

  • Mauro TAXITRAMAS Castro diz: 8 de junho de 2011

    Tem gente boa escrevendo em Porto Alegre, no jornal Zero Hora,inclusive e, se procurar direitinho, até no Diário Gaúcho. É tudo uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, como dizia o poeta.
    Há braços!!

  • Cristiano Max diz: 8 de junho de 2011

    Christopher, como te escrevi anteriormente, te dou os parabéns pelo trabalho que está realizando. Como discutimos em outras oportunidades, a produção brasileira precisa aprender inúmeros aspectos técnicos, de visão artística e inclusive de negócios para gestão da propriedade intelectual e para contrução de um bom patrimônio cultural. A tua visão engrandece, e a convivência contigo e com teus projetos sempre foi para mim e para o Marsal motivo de muito orgulho. Parabéns novamente.

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