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Elisa Lucinda e o Pago

23 de agosto de 2011 0

Elisa Lucinda na abertura da Jornada. Foto: Jean Schwarz

Na cerimônia de abertura da Jornada Nacional de Literatura, na noite de ontem, Elisa Lucinda foi chamada para prestar um tributo ao escritor homenageado desta edição, o Josué Guimarães entusiasta da festa de Passo Fundo desde a primeira edição. Lucinda declamou um texto no qual mesclava suas reflexões sobre o lirismo e a leveza da prosa de Josué com trechos marcantes da obra do autor, como o diálogo entre marido e mulher no conto A visita, o primeiro de O Cavalo Cego, ou a dura recebida por Camilo Mortágua de um policial arbitrário enquanto tentava pacatamente almoçar nos muquifos da Cabo Rocha que frequenta regularmente.

Ainda não era o fim da homenagem gaúcha feita pela poetisa e atriz nascida em Vitória. No fim de sua apresentação, ela fez o elogio de como a poesia pode aproximar mundos, ao ponto de ela, nascida capixaba, entender perfeitamente a “saudade do pago” expressa na poesia Querência, de João da Cunha Vargas, musicada por Vitor Ramil. Apesar do vocabulário marcadamente regionalista, a canção passa sua mensagem a alguém que não cresceu na mesma cultura mas que compartilha do mesmo sentimento essencial.

– Eu ouço e me identifico, uma capizaba, aquilo sou eu, porque eu também deixei o meu “pago” cedo, saí, fui embora, e ainda tenho em mim a minha “querência”, disse ela, antes de emendar com a interpretação à capela da canção (aquela do “eu vou voltar para a Querência, lugar em que fui parido”, para quem não se lembra.

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