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Uma Viagem a Passo Fundo

24 de agosto de 2011 0

Gonçalo M. Tavares chegou com o semblante cansado à Jornada de Passo Fundo, na tarde de ontem. Um dos mais importantes escritores da literatura portuguesa atual, Tavares é também um dos mais solicitados, e tem feito muitas viagens físicas para falar de uma jornada imaginária, a de seu livro Uma viagem à Índia, com o qual o autor tenta traduzir para a contemporaneidade o gênero épico versificado ao qual se filia Os Lusíadas.

Tavares falou nesta tarde em uma mesa com a participação do crítico Luiz Costa Lima (UERJ) e dos escritores Maria Esther Maciel, Nilson Luiz May e Tatiana Salem Levy. O tema é justamente o da identidade na era da globalização, um dos pontos tangenciados por Uma Viagem À Índia, que narra a viagem de um homem comum, Bloom (o homem comum arquetípico de Joyce) não apenas pelo nosso mundo físico, mas pela atmosfera do atual século. Ao mesmo tempo em que divaga e viaja muito em sua própria cabeça (e aqui a referência é a Viagem Ao Redor do Meu Quarto, de Xavier de Maïstre), Bloom também é o tema de uma reflexão sobre a própria maneira como um épico versificado pode ser composto nos dias de hoje.

– Minha ideia com esse livro foi responder à pergunta de como podemos construir uma epopeia no século 21, um épico que responda às nossas questões de hoje, focando o personagem, os defeitos e a situação absolutamente comum do personagem. Não é mais tratar das andanças de um herói como antigamente, e sim levar um homem banal, absolutamente comum, mesquinho, a uma longa viagem de Lisboa a Índia, refazendo o percurso dos Lusíadas mas em um tempo sem lugar para grandes e desconhecidas aventuras. – disse.

No fim da tarde, ele ainda conversou com um dos mediadores recorrentes da Jornada, Ignácio de Loyola Brandão, na praça de alimentação lotada do centro de convivência da universidade. E falou bastante sobre os contos surreais de sua série O Bairro, cada um protagonizada por um diferente “senhor”.

- Cada um desses livros é como uma enciclopédia de conceitos protagonizados pelos senhores. O Senhor Juarroz é o pensamento. O Senhor Vallery é a lógica.

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