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Charles Kiefer e a evolução do Conto

13 de setembro de 2011 0

O escritor Charles Kiefer. Foto: Tadeu Vilani, ZH

A evolução do gênero conto, seus antecedentes e as linhas de força que cruzam o pensamento estético de quatro mestres da história curta são os elementos com os quais Charles Kiefer organiza seu ensaio A Poética do Conto (Editora Leya, 400 páginas, R$ 44,90), uma reflexão sobre narrativa recentemente relançada pela Leya. O livro é resultado de uma pesquisa de doutorado sobre a narrativa curta realizada por Kiefer. Já havia sido publicado em uma versão resumida em 2004, editada pela Nova Prova com metade das páginas a atual edição.

– Na época, eu até queria publicar inteira, mas a editora me pediu para reduzir porque os custos de produção para um livro de 400 páginas seriam muito altos. Aquela primeira versão, hoje esgotada, tinha apenas a parte teórica, não tinha os exemplos comparativos, era bem menos complexa – comenta Kiefer, que aproveitou a mudança para a Editora Leya para republicar a obra na íntegra.

Ao contrário do que o nome possa dar a entender, principalmente para quem conhece o trabalho de Kiefer tanto como contista quanto como ministrante de uma das mais tradicionais oficinas do Estado, A Poética do Conto não apresenta um manual de composição ou um conjunto de normas práticas para a elaboração de uma narrativa curta. O livro é um ensaio teórico no qual o autor parte da leitura que mestres do conto ocidental fizeram um da obra do outro.  Na primeira sessão, discute a leitura que o criador do conto moderno, Edgar Allan Poe (1809 – 1849), fez do seu compatriota e contemporâneo Nathaniel Hawthorne (1804 – 1864), e o desdém com que Poe se refere à tendência da narrativa de seu tempo de tecer contos usando alegorias. No segundo capítulo, Kiefer recupera a leitura de Poe feita por Júlio Cortázar (1914 – 1984) e o quanto o autor latino- americano atualiza para seus propósitos os pressupostos estéticos do americano. Na terceira parte, Kiefer parte da leitura que Jorge Luis Borges (1899 – 1986) faz da obra dos outros três – chegando inclusive a reabilitar a alegoria de Hawthorne, desprezada por Poe um século antes.

No processo, Kiefer traça as mudanças de concepção do conto nos últimos dois séculos, período de amplo desenvolvimento do gênero. Da teoria do”efeito único” que o  autor precisaria obter, segundo Poe, para a ênfase que Cortázar põe na tensão do conjunto à reconstrução da literatura como uma mitologia empreendida por Borges.

– Estamos num ponto no qual não houve muito avanço posterior aos pontos altos da obra de Cortázar. Talvez estejamos na época em que alguém esteja desenvolvendo uma nova concepção do que é um bom conto e não estejamos percebendo pela proximidade histórica – diz Kiefer.

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