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Para conhecer Jane Tutikian

27 de setembro de 2011 0


Foto: Ricardo Duarte, ZH


Na foto acima vocês podem ver o exato momento em que Jane Tutikian foi anunciada como a nova patrona da Feira do Livro de Porto Alegre, no Santander Cultural – a escritora recebe na imagem os aplausos dos demais concorrentes ao posto (Luiz Coronel, Celso Gutfreind e Airton Ortiz), do presidente da Câmara do Livro, João Carneiro, dos patronos de edições anteriores Walter Galvani e Alcy Cheuíche, e do atual detentor do cargo, o folclorista Paixão Côrtes.

Jane Tutikian concilia as atividades literária e acadêmica – é escritora com 16 livros publicados, entre contos adultos e novelas infanto-juvenis, e também atua como professora do curso de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com estudos e artigos publicados e mais de uma dezena de livros organizados por ela, de antologias comentadas a coletâneas de ensaios. Você poderá conhecer um pouco melhor a nova patrona (inclusive o motivo pelo qual a estamos chamando de “patrona” e não de “patronesse”) na capa do Segundo Caderno de amanhã, mas por ora, republico aqui duas matérias que saíram na Zero Hora sobre duas obras recentes da autora. O primeiro é um texto deste blogueiro que vos escreve publicado por ocasião do lançamento da coletânea de contos Entre Mulheres: Contos do Amor Aprendiz (WS Editor), em 2005. O segundo é uma resenha de Cláudia Tajes, autora de Louca Por Homem e Dores, Amores e Assemelhados, sobre a novela infanto-juvenil Fica Ficando (Edelbra), publicada em 2007 no caderno da Feira do Livro. Aproveitem

Amores de Mulheres
Carlos André Moreira

Autora que tem alternado em sua produção obras infanto-juvenis com coletâneas de contos voltados para o público adulto, a escritora Jane Tutikian apresenta com Entre Mulheres: contos do amor aprendiz uma obra filiada à segunda linhagem. O livro reúne 15 histórias  intituladas com nomes de mulheres e abordando personagens e inquietações femininas. As narrativas do livro apresentam diferentes andamentos, mas mantêm unidade de estilo e temática. São todas histórias sobre mulheres reagindo ao amor. A escrita, poética, reflexiva, é marcada a intervalos por frases abruptamente interrompidas por uma pontuação inusual.
– Há momentos em que suspendo a frase e deixo o leitor terminar, poderíamos dizer que é uma maneira de marcar graficamente um subentendido – analisa a escritora.
As histórias navegam por diferentes estados amorosos femininos: a segunda mulher que tenta inutilmente ser amada pela enteada, a universitária que, um pouco por interesse amoroso e um pouco por interesse financeiro, inicia um caso com um professor com o triplo de sua idade, a difícil relação entre duas irmãs idosas, a digna e negligenciada esposa judia que é, de choque, atingida pelo entendimento de sua triste condição. Todas investindo em finais que causam impacto no leitor.
– Minhas histórias só começam depois que eu tenho uma última frase. Muitas vezes vêm de idéias soltas e aí eu praticamente escrevo os contos em retrospectiva — conta.

Ficar ou Não Ficar
Cláudia Tajes

Dizem que as diferenças entre meninas e meninos já são notadas a partir da forma da barriga da mãe: barriga redonda é mulher, barriga pontuda é homem. Depois o mundo se divide entre bonecas e carrinhos e as coisas são conduzidas de jeito a produzir, lá no final da história, os machos e fêmeas que tradicionalmente conhecemos. Exceções serão aceitas e respeitadas. Pois no infanto-juvenil Fica Ficando, a Jane Tutikian, autora sensível tanto no escrever para adultos quanto para a turma mais nova, conta a expectativa de uma guria e de um guri pela festa que vai marcar o encerramento das aulas.
Ela é a Helena, que terminou a 8ª série e gosta do B.G., ele é o B.G., que concluiu a primeira série do Ensino Médio e acha que gosta da Jaque. A partir daí, um capítulo é narrado pela guria, que escolheu uma camiseta largona e um par de coturnos para ir à festa, e o outro é narrado pelo guri, um cara com mais indagações existenciais do que as dúvidas pela classificação do time dele no Brasileirão.
Se, no fim, o B.G. vai chegar em um cavalo branco e pedir a mão da princesa Helena, só lendo o livro para saber. Mas fica (ficando) uma pista: sendo autora a Jane Tutikian, o The End é muito melhor do que isso.

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