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Faraco, reedições e lágrimas

28 de setembro de 2011 1

Sergio Faraco tem duas novas edições de livro saindo do prelo. A L&PM vai botar outra vez no mercado a coletânea Contos Completos, reunindo toda a obra contística do autor, e um de seus livros mais conhecidos, A Dama do Bar Nevada – acrescido, nesta edição, do subtítulo Cenas Urbanas. Ambos os livros vêm com quatro contos inéditos, é o que diz a editora no material de divulgação que enviou, embora não esclareça se os inéditos são os mesmos para os dois livros (pela lógica, teria que ser. Lançar quatro inéditos no Dama no Bar Nevada e deixá-los de fora do Contos Completos tornaria incompleto este volume de completos, se é que me explico). A notícia, ainda assim, é ótima, uma vez que Faraco, um dos maiores contistas do Brasil, não lança nenhum conto novo há uma década, desde Rondas de Escárnio e Loucura (nesse período ele lançou vários livros temáticos, sobre sinuca e automóvel, por exemplo, coletâneas de crônicas, organizou antologias e fez até uma cronologia minuto a minuto do que aconteceu a bordo do Titanic em sua primeira e única trágica viagem). Uma pena, dada a qualidade que Faraco obtém em sua prosa, resultado de uma obsessão minuciosa pela clara expressão da escrita (como se pode ler neste trecho de um depoimento concedido por Faraco ao professor Ruy Carlos Ostermann)

A notícia chega, por coincidência, ao mesmo tempo que a jovem jornalista e colaborada deste blog Maria Rita Horn me enviou um e-mail com um texto seu chamando atenção para um detalhe de outro livro de Faraco, Lágrimas na Chuva, que recentemente também saiu em nova edição, em formato pocket (leia uma entrevista com o autor sobre o livro aqui neste link). Aproveito para juntar as duas coisas e publico abaixo a resenha enviada pela Maria Rita:

E era tudo verdade
Maria Rita Horn

Curiosidade, às vezes fantasia, outras indiferença. Pequena marca de uma página onde impera o espaço em branco, os agradecimentos de um livro já atraíram minha atenção de diferentes maneiras.
Em Lágrimas na Chuva – Uma Aventura na URSS, livro autobiográfico de Sergio Faraco, a dedicatória “Para Jaime” é a prova antes da dúvida, um não fictício que me passou quase despercebido.
A saída do Brasil para um curso na antiga União Soviética, a perseguição dos colegas de curso no Instituto Universal de Ciências Sociais, em Moscou, a paixão pela russa Nina, o hospício, a fuga de volta ao país natal. Na narrativa do livro, tão improvável quanto essa sucessão biográfica de fatos é Jaime, o amigo dominicano de Faraco que se oferece despropositadamente em tempos difíceis. Pés que servem de apoio na neve, costas que sustentam o corpo fraco. Jaime não pede nada em troca além de que Faraco seja forte e não tome as pílulas.
… Eu não sabia que ainda era capaz de chorar. A emoção, contudo, era o desafogo de outros sentimentos. Como não me dera conta de que estava, à minha frente, com o cálice no ar, o amigo que tanto buscara?“, disse o autor no ano-novo que passou em um hospital, ao lado do amigo, mas longe de todo o resto que importava.
Mais de 20 capítulos depois, retomei aquela confissão de carinho que estava ali, nas primeiras páginas. Aquela despercebida. Tão fantasticamente contada e dolorida, a experiência de Faraco parece mesmo invenção. Mas “Para Jaime” não é inventado. É como se fosse Faraco a provocar os incrédulos: “E não é que é tudo verdade?

Comentários (1)

  • E era tudo verdade* | (des)construindo diz: 11 de janeiro de 2013

    [...] também em Mundo Livro Gostar disso:GosteiSeja o primeiro a gostar disso. Publicado em Anotações de leitura por Maria [...]

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