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Chuva, sol, literatura e gente

30 de outubro de 2011 0

Catiucia Porto (à esquerda) e Fabíula Cenci comparam leituras na Praça. Foto: Jean Schwartz

Depois de um primeiro dia de encher os olhos, com sol e céu azul, o sábado foi de tempo algo enfarruscado na Praça da Alfândega, um céu entre o cinza e o branco a todo momento ameaçando chuva – e às vezes cumprindo, mas nunca em tal volume que espantasse o bom público que esteve no local para conhecer não apenas os descontos da Feira como a nova disposição das bancas na renovada Praça da Alfândega.

Mostrando que não é apenas a área infantil que atrai o interesse da criançada, no corredor da Sete de Setembro o garoto Fabrício Kierner Leote, de oito anos, revirava caixas de saldos mas voltava sempre à mesma edição de Drácula, de Bram Stoker, pela Ediouro, que havia encontrado no balaio. De acordo com os pais, Micael Rodrigues de Freitas, 30 anos, professor, e Karime de Souza Kierner, estudante de pedagogia, 26 anos, ele ainda não leu o livro do pai de todos os vampiros.

- Mas já leu uns quantos filhotes, aqueles vampiros meio emos que estão na moda hoje – brincava Micael.

Outra pequena apaixonada pelos livros na Praça era Eduarda Ribeiro, sete anos e meio. Recém alfabetizada, quase ao fim da 1ª série do ensino fundamental, ela se encantou com a réplica gigante de uma edição de Incidente em Antares que está posicionada próximo ao Banrisul, no fim do corredor da Rua da Praia. Pediu aos pais, Charles Elesbão e Cristina Ribeiro, para ler o que estava escrito na página – uma breve biografia de Erico Verissimo, que acompanhou atentamente, passando o dedo linha por linha até o final.

- A gente a traz para a Praça desde os dois anos. E neste ocorreu uma coisa engraçada. Sempre compramos livros infantis com texto, que líamos em casa para ela. Neste ano que ela já está aprendendo a ler e escolheu o primeiro livro, ela preferiu um livro só com ilustrações, para inventar a história sozinha – conta Charles.

Apesar do tempo instável, não faltou quem escolhesse o aprazível espaço da praça ao ar livre para comentar suas recém adquiridas novas leituras. As amigas Fabíula Cenci, 26 anos, e Catiucia Porto, 27, ex-colegas de cursinho, foram à Praça com um plano já bem traçado: comprar livros para depois espiá-los durante um café em algum dos estabelecimentos da Praça. Enquanto Fabíula folheava um volume de bolso de O Ovo Apunhalado, coletânea de Caio Fernando Abreu, Catiucia lia um exemplar antigo de Carta Sobre a Anistia: A Entrevista do Pasquim, editado pela Codecri em 1979 com uma entrevista concedida por Fernando Gabeira ao jornal após oito anos de exílio. Encontrado em uma banca na Rua da Praia, o volume mostrou que manteve intacto seu potencial revolucionário, quase gerando uma altercação entre Catiucia e outro comprador.

- Eu achei na caixa e pus de lado. Chegou outro comprador e já ia passando a mão e eu disse: peralá que esse aqui é meu. – lembrava ela, diante dos cafés que ambas já haviam terminado.

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