Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Posts de outubro 2011

Viaje na Feira

31 de outubro de 2011 1

Se você pudesse visitar qualquer lugar da ficção literária, qual lugar você visitaria? No dia temático de viagens, essa foi a pergunta que o Mundo Livro fez a quem passeava pela Praça da Alfândega. As respostas, que vão de Hogwarts a Macondo, você assiste aí:



Do que você tem medo na Praça?

31 de outubro de 2011 1

Aproveitando o dia temático do Horror/Terror na Praça da Alfândega, o Mundo Livro foi a campo na Feira para perguntar aos frequentadores, escritores e livreiros qual seu maior medo relacionado com a Feira. Veja os resultados abaixo. As fotos são de Jean Schwartz

Angélica

“Para um autor na Praça dos Autógrafos o maior medo é que não venha ninguém, que não apareça nenhum dos amigos que tu convidou, nenhum dos parentes e que tu fique sozinho na mesa esperando acabar o tempo pensando ‘cadê todo mundo’.?”
Angélica Rizzi, escritora, que autografava no sábado O Poeta Mais Velho do Mundo (Independente)

“Não tenho medo de nada nesta Feira. A Feira é alegria, é uma festa pública, criativa, e é uma maneira de encontrar gente e colegas que estão por aí o ano todo mas que vão se ver aqui, durante a Feira, para trocar novidades e ideias. A gente às vezes torce para que tenha movimento e boas vendas, mas daí a medo já é outra história.”
Wilson Scortegagna, livreiro

Clarissa

“O medo de quem escreve é que o livro não seja lido.”
Clarissa de Baumont, organizadora do livro Ecos do Planeta (Editora da UFRGS)

“Medo de que chova. Principalmente de que chova demais e fique aquela enxurrada que alague os corredores, fica difícil de transitar, é um problema.”
Camilla Pereira, arquiteta

“Medo de pai na Feira é o de perder de vista as filhas. Pai na Praça é meio guarda-costas. Elas estão olhando uma banca eu aviso: ó, vou olhar aquela outra banca, mas fico com um olho na banca e outro nelas, cuidando sempre.”
Flávio Pereira, pai de uma menina de 12 anos e outra de oito.

Cássia

“Um medo em dia de Halloween é o de que de repente essas estátuas todas da praça criem vida e saiam correndo. Imagina aquele General Osório a galope na praça?”
Cássia Kerpel, consultora tributária

“Em lugares assim muito cheios de gente meu maior medo é sofrer assalto, roubo, ser agredida, Nessas aglomerações assim sempre se corre mais riscos. Nunca me aconteceu, mas hoje em dia a gente não se sente muito mais seguro em lugar nenhum, então…”
Ausia Meneghetti

Personagens da praça: a bruxa

31 de outubro de 2011 0


Não foi só o pessoal de Hogwarts que se animou a visitar a Feira paramentado a preceito. Na tarde desta segunda, o que despertava curiosidade nos passantes era a figura de Maria Dofrman, 75 anos, vestida com uma túnica nas cores da bandeira do Rio Grande e com um chapéu de bruxa comprado em uma loja de produtos a R$ 1,99.

– A loja era R$ 1,99, mas o chapéu me custou R$ 8 – declarava.

Autora de cinco livros, entre eles A Família de Clarissa, Maria teve a idéia de comemorar o Halloween a caráter na praça depois de um baile realizado no Asilo Padre Cacique, onde atua como voluntária fazendo companhia aos idosos internados. Não foi avisada do baile a tempo, mas preparou a fantasia para o passeio na Praça, comprando três metros de tecido TNT nas cores verde, amarela e vermelha (ao preço de R$ 1 o metro de tecido) e encomendou a túnica à costureira de confiança para encarnar Bruxonilda, a Bruxa Gaúcha, pelos corredores da Alfândega, espanando o pó dos livros nas bancas com um espanador colorido – também comprado em loja de R$ 1,99.

Por hoje, a Bruxonilda se limitou aos corredores da área geral. Para amanhã, promete uma visita à Área Infantil.

– Quero testar a sensibilidade das crianças. Hoje passei por uma turma de meninos e meninas vestida de bruxa e nenhuma me deu a menor bola. Criança que não se admira com as coisas na infância já começa mal – pontifica.

Conversas literárias em streaming

31 de outubro de 2011 0

Essa é para quem fica em casa, mas gostaria de acompanhar pelo menos um pouquinho da programação da Feira ao vivo e direto de casa. A LP&M transmite algumas das palestras em sua webTV.  As transmissões começaram hoje com a conversa sobre o horror na biblioteca, que você pôde conferir aqui.

Para se agendar e assistir às próximas transmissões é só dar uma olhada na programação da editora para esta Feira do Livro.

Para ler e reler Machado de Assis

31 de outubro de 2011 0

Homero Vizeu Araújo. Foto: Ricardo Duarte

Ensaísta e professor do Instituto de Letras da UFRGS, Homero Vizeu Araújo autografa nesta terça-feira, às 19h30min, na Praça de Autógrafos, Machado de Assis e Arredores (Editora Movimento), coletânea de artigos produzidos ao longo de 10 anos sobre o escritor carioca.
Confira, a seguir, trechos de uma entrevista concedida ao Mundo Livro na tarde de segunda-feira.

Mundo Livro – Para quem nunca leu Machado de Assis ou para aqueles que tiveram contato com a obra somente no tempo de escola, qual a sua sugestão de primeira leitura?
Araújo –
Recomendaria os contos. Várias editoras lançam seleções de contos do Machado, e há outros publicados por ele mesmo. Tem elegância na prosa e criatividade no enredo. O famoso O Alienista, todo mundo é obrigado a ler.

Mundo Livro – Que livro você sempre relê?
Araújo –
Dom Casmurro. Infelizmente, reli menos do que eu gostaria. As impressões se alteram a cada leitura. É preciso mesmo uma sedimentação. Numa segunda ou terceira leitura, surgem detalhes ou questões que a primeira não consegue pegar. É uma literatura muito ambiciosa. Tem poder de encantamento já na primeira vez, mas o rendimento maior está na releitura.

Mundo Livro – Qual é o seu personagem machadiano preferido?
Araújo – Sofia
e Rubião, de Quincas Borba, e Brás Cubas, de Memórias Póstumas de Brás Cubas. A Sofia é uma mulher sedutora, e não muito simpática para o leitor. A armação do personagem é muito bem feita – ela tem um pé no prazer em que sente com o marido e outro no prazer em seduzir outros homens, o que não faz dela, necessariamente, uma adúltera. Talvez a promessa da traição dê mais prazer a ela do que qualquer outra coisa. Rubião, também de Quincas Borba, é um personagem patético, para não dizer trágico. É envolvido por personagens que têm uma perspectiva complexa e atuam por motivos complexos. Herdeiro da fortuna e do cão Quincas Borba, é cercado de gente muito complicada. E Brás Cubas, de Memórias Póstumas de Brás Cubas, é o que sabe tudo, está sempre se vangloriando de ser superior aos outros. Às vezes, essa superioridade acaba sendo só uma vaidade boba. Como qualquer ser humano, tem pretensões e ilusões.

Retrospectiva de horror

31 de outubro de 2011 0

Guilherme da Silva Braga, tradutor de livros de horror. Foto: Fernanda Grabauska

Por Fernanda Grabauska

Foi com uma referência a Percy Bysshe Shelley, marido da autora de Frankestein, Mary Shelley, que o tradutor Guilherme da Silva Braga começou seu passeio retrospectivo pela literatura de horror, que atraiu uma plateia formada majoritariamente por jovens ao Santander Cultural:

- Como experiência estética, não há nada comparável a ler sobre o grotesco.

Braga revisitou rapida e cronologicamente as grandes obras do gênero escritas até 1927 – ano no qual o horror dá uma guinada decisiva em direção à ficção científica -, formando um rol de títulos que vale a pena dividir com fãs de vampiros, fantasmas e seres sobrenaturais afins:

1. O Castelo de Otranto – Horace Walpole (1764)
Tido como o primeiro romance gótico, o livro de Walpole influencia fortemente Stephen King, Daphne du Maurier, e Bram Stoker. Quando o príncipe Manfred apropria-se indevidamente de um castelo pertencente à sua família, uma antiga maldição o impede de tomar posse definitiva do local.

2. O Homem da Areia (conto) – E.T.A. Hoffmann (1815)
O conto de Hoffmann é o mote de Sigmund Freud para escrever O Estranho. Nele, o personagem Natanael conta em uma série de cartas ao amigo Lotário sobre uma lembrança de infância que, uma vez trazida à tona por um vendedor de barômetros que lhe aparece à porta, suscita uma série de (supostas) alucinações.

3. Frankenstein – Mary Shelley (1823)
No clássico de Shelley, o capitão Walton relata em cartas a vida do Dr. Victor Frankenstein, que, estudando febrilmente as ciências modernas, acaba encontrando o segredo para a criação da vida – e assim cria o homem-monstro Frankenstein, cujos atos lhe rendem culpa eterna.

4. A Queda da casa de Usher (conto) – Edgar Allan Poe  (1839)
Quando o narrador chega à casa dos Usher, amigos de longa data, é tomado de surpresa pelo estado moribundo dos irmãos Roderick e Madeline, ele hipocondríaco e ela cataléptica. Temendo pelo próprio fim, Roderick chama o narrador para passar com ele seus últimos momentos.

5. O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë (1847)
Não tanto um romance, nem tanto um livro de horror, a obra de Brontë continua inclassificável atualmente, mas a fúria de seu personagem principal continua assustadora. Rejeitado pela meia-irmã Catherine, Heathcliff passa o resto de sua vida determinado a infernizar a amada.

6. O Médico e o Monstro – Robert Louis Stevenson (1886)
A desconstrução de Dr. Jeckyll em Jeckyll e Hyde mostra apenas o desejo obsessivo da personagem principal em tornar-se a pessoa perfeita, de certo modo igualando-se a Deus.

7. Drácula – Bram Stoker (1897)
Embora considerado por Braga uma obra “inferior” pelo maniqueísmo, a narrativa de Drácula ainda fascina pela novidade.

8. A Volta do Parafuso – Henry James (1898)
Incumbida pelo tio de um casal de crianças órfãs de delas cuidar sem trazer maiores problemas, uma governanta começa a ver fantasmas pela grande casa onde com elas vive. Ás vezes traduzido como A Outra Volta do Parafuso.

9. A cor que caiu do céu – H.P. Lovecraft (1927)
Último dos livros de terror sem nuances de ficção científica, segundo Braga, A cor que caiu do céu reúne contos que, assim como outras obras primas, tais qual O Chamado de Cthulhu, seduzem pelo uso da primeira pessoa.

A Feira do Livro de Hogwarts

31 de outubro de 2011 0

Se o Halloween é o dia das bruxas, também é o dia dos bruxos. Seguindo essa conclusão para lá de lógica, uma turma de amigas de Porto Alegre foi passear ontem na Feira paramentadas com elementos da saga de Harry Potter, o bruxo criado por J.K. Rowling. Colegas de escola no Rosário, Luíza Brasil, Natália Claas, Flávia Simões, Clara Savi e Giovanni Santiago, todas de 15 anos, foram à praça com cachecóis, capas e varinhas remetendo a Hogwarts, a escola do mundo bruxo criado pela autora britânica.

Luíza já havia garantido os livros que pretendia levar para casa, incluindo Água para Elefantes – o romance que deu origem ao filme com o astro adolescente Robert Pattinson – e Um Capricho dos Deuses, do best-seller ancestral Sidney Sheldon. Flávia ainda procurava na praça por O Trono de Fogo,  novo livro de Rick Riordan, criador da série Percy Jackson.

Entre capas de cetim preto, varinhas de madeira e mantas coloridas com as cores e os brasões de Hogwarts e de suas casas Corvinal e Grifinória, o estilo tranquilão de Fernando Weimer, 16 anos, estudante do Americano e amigo que acompanhava as garotas à praça, sobressaía pela absoluta normalidade.

– Mas ele também está fantasiado, está fantasiado de “trouxa” – brincou Clara, usando a palavra do universo potteriano para aqueles que, na história, nascem sem poderes mágicos.

A Drummond, em seu aniversário

31 de outubro de 2011 0

O colega Jones Lopes fala, em matéria da Zero Hora desta segunda, sobre o Dia D, como foi chamado o aniversário de Carlos Drummond de Andrade. Para celebrar o aniversário do poeta do “eu x mundo”, o Mundo Livro chamou os poetas Armindo Trevisan e Ricardo Silvestrin para declamar poemas de Drummond na Praça da Alfândega.

Confira o desempenho dos dois no vídeo:

O quarto da patrona

30 de outubro de 2011 1

A patrona Jane no quarto inspirado no da personagem Bia. Foto: Fernanda Grabauska

Por Fernanda Grabauska

A inauguração da Biblioteca Moacyr Scliar (que já foi tema de post aqui), espaço destinado ao público infanto-juvenil, foi a inauguração também de um cantinho especial dedicado à patrona Jane Tutikian, também autora de livros para os pequenos (e para os não tão pequenos assim): Jane ganhou o próprio quarto dentro da biblioteca, decorado com motivos de borboletas e com muitos livros espalhados, inspirado no quarto de Bia, sua personagem em Ale, Marcelo, Ju e eu

Simpática, Jane posou com uma das obras expostas em seu quarto e lembrou com carinho do amigo Moacyr Scliar, afirmando que guarda ainda todos os e-mails e cartas que o escritor lhe mandou e, que assim como estas memórias, ter seu espaço na biblioteca agraciada com o nome de alguém tão caro também é “uma grande emoção”.

Ficção policial na Sala dos Jacarandás

30 de outubro de 2011 0
Foto: Fernanda Grabauska

Samir Machado de Machado, Lu Thomé, Carlos André Moreira e Carlos Orsi. Foto: Fernanda Grabauska

Por Fernanda Grabauska

O gênero policial é influência inesgotável para a cultura pop. Por exemplo: o Dr. House, da série hit que leva o sobrenome da personagem, é uma releitura médica de Sherlock Holmes – que, por sua vez, foi inspirado em um médico escocês. E foi o romance policial, com suas escolas particulares, seus grandes autores e sua prestidigitação psicológica o alvo da discussão da mesa Crime e Mistério no Século 21, na Sala dos Jacarandás do Memorial do Rio Grande do Sul.

Os headliners, já mencionados pelo Carlos André aqui, debateram a cronologia do gênero policial, que começa a tomar forma com Edgar Allan Poe e Wilkie Collins e explode com as sagas de M0nsieur Poirot e Miss Marple, de Agatha Christie, e, principalmente, com os detetives Sherlock Holmes e  John Watson, criados por Arthur Conan Doyle em um misto de inspiração ficcional e real. Os nomes dos personagens vêm do conto A Aparição da Senhora Veal, de Daniel Defoe, e a personagem do detetive Sherlock é inspirada pelo médico escocês Joseph Bell, do qual o próprio Conan Doyle foi aluno e estagiário.

Um escritor que fez a própria escola foi o belga Georges Simenon, pai do Comissário Maigret, investigador cujo método particular marca também uma igualmente particular narrativa: algo similar a um quebra-cabeças. Maigret chega à cena do crime, que pode ser a locação mais variada, irrita-se com as versões que não batem, com as peças que não se encaixam, espairece – e aí é como se algo clicasse em direção à solução do crime.

Mas não é só a partir da visão do detetive que se faz o gênero policial. Ao final do debate, a audiência trouxe à tona o ladrão Arsène Lupin, o gentleman-cambrioleur, do francês Maurice Leblanc, personagem com infinitas incursões pelo cinema e pela televisão. Pela televisão há outro clássico da investigação: Columbo, um “detetive muito esperto, que se fazia de idiota”, conforme apontou a mesa, interpretado por Peter Faulk.

Com toda esta conversa sobre nomes estrangeiros, faltou apontar o que temos aqui no Brasil em termos de livros de suspense. Os debatedores apontaram a personagem do Delegado Espinosa, dos livros de Luiz Alfredo Garcia-Roza, e o romance Todos Morrem no Fim, de Carlos Gerbase. Além de Bufo & Spallanzani, clássico de Rubem Fonseca. No domingo dedicado ao suspense na Feira do Livro, eis um tanto de dicas para ler mais obras no gênero.