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Capa Brega sci-fi do Dia

04 de novembro de 2011 3

A ficção científica é um gênero que ainda sofre preconceito – e por vezes o justifica. Mesmo que alguns autores da mais rematada excelência tenham trabalhado ou ainda trabalhem com a chamada “ficção antecipatória”, como Júlio Verne, Philip K. Dick, Isaac Asimov, Ray Bradbury, Kurt Vonnegut, Maurice Dantec, William Gibson, Arthur C. Clarke, Neil Stephenson, etc, etc, a FC por vezes mergulha em um círculo de incompreensão no qual é impossível mapear a origem do problema: se o fandom do gênero é tão sectário por ser alvo da imagem distorcida de ser uma literatura obcecada com a técnica e sem alma ou se os fãs do gênero alimentaram essa desconfiança com sua postura algo desconfiada. O fato é que uma das maiores editoras do Brasil, a Companhia das Letras, há pouco tempo ainda mantinha em sua página na internet o aviso a quem estava interessado em enviar originais que não recebia trabalhos de Ficção Científica – o que eu particularmente acho muito estranho vindo de uma editora que tem em seu catálogo J.G. Ballard, por exemplo.

Por outro lado, é inegável reconhecer que muito da ficção científica é hermética, irrepreensível do ponto de vista técnico mas completamente falho do ponto de vista literário, não conseguindo casar as duas coisas satisfatoriamente: a estética (literatura sem estética vira o quê?) e a precisão científica. Os autores antes citados conseguiram. Outros, nacionais, vêm trilhando a mesma senda, como Luiz Brás (o pseudônimo sci-fi de Nelson de Oliveira), Berilo Neves, Jorge Calife, Bráulio Tavares e Fábio Fernandes. Os livros desses autores também hoje contam com um cuidado editorial praticamente ausente das publicações anteriores do gênero (como as capas praticamente todas iguais da série Perry Rhodan, lembram?), e em alguns deles, como as coletâneas de Contos Brasileiros do gênero editados por Roberto de Souza Causo ou os volumes de Ficção de Polpa, já conseguem mesmo utilizar alguns dos clichês mais associados ao gênero de modo elegante e inovador.

Isso não deixa de ter muito valor quando lembramos que as capas associadas ao gênero eram como esta de Orion Renascerá, fotografada por mim mas encontrada nas caixas da Feira pela nossa jovem repórter online Fernanda Grabauska em uma banca ali perto do Santander Cultural. É uma obra de um dos mestres do gênero, Poul Anderson, autor de extensas sagas que trabalhavam seus temas ao longo não dos anos de vida de um ou outro personagem, mas durante décadas e às vezes séculos. Anderson também dedicava especial atenção à construção de sus personagens, Anderson foi brindado na edição nacional da Francisco Alves para este romance de 1983 com essa capa que:

1 – É ilustrada com um desenho no limite do amador e que descaradamente tenta pegar carona em Blade Runner (reparem como a figura masculina parece ter sido decalcada do Rutger Hauer no filme)

2 – Só consegue traduzir o clima do livro, situado em um futuro pós-apocalíptico no qual a tecnologia retrocedeu a períodos ancestrais e que enfrenta o dilema de saber se vale a pena retomar uma sociedade industrial em larga escala, apresentando um casal de olhos vidrados como uma espécie de peregrinos neopentecostais interestelares.

Em tempo: no Facebook, o amigo do blog Bruno Leite indicou este site britânico que é uma  verdadeira pérola de capas bregas da Ficção Científica.

Comentários (3)

  • Frederico J. diz: 5 de novembro de 2011

    Gostaria de partilhar convosco o meu blog dedicado a Júlio Verne:
    http://www.jvernept.blogspot.com
    Obrigado.

  • Everson diz: 6 de novembro de 2011

    Carlos,

    Você leu alguma coisa do Stephenson? Eu acho que só tem o ‘Snowcrash’ em português (traduzido como ‘Nevasca’). Pergunto porque sou fã do cara, tenho quase tudo.

    Aliás, um experimento que eu fiz durante alguns anos: eu ia no setor de FC da Saraiva e tirava uma foto da prateleira. Prateleira mesmo, não passava nunca disso. E metade era tomada por coisas tipo ‘Operação Cavalo-de-Tróia’.

    Desalentador.

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