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Nas águas de Altair Martins

05 de novembro de 2011 0

Antes do consagrado A Parede no Escuro, romance com o qual venceu o Prêmio São Paulo de Literatura, em 2009, Altair Martins publicara livros de contos nos quais seu estilo e seu modo todo próprio de inventara linguagem se sobrepunham à ideia de enredo. Depois da destilação realizada no romance, Altair volta ao conto com uma série de narrativas na qual a forma encontra a fábula com muito mais harmonia – e assim o autor entrega uma de suas melhores obras, a coletânea de contos Enquanto Água.

O volume enfeixa 18 histórias subdivididas em quatro seções tendo a água como mote e anunciando já em seus títulos as diferentes modulações de tons e registros que o autor apresenta para as histórias de cada conjunto: Chuva na Cara, narrativas mais carregadas no drama; Depois da Chuva, com um único conto sobre um homem que contempla a dissolução da própria realidade; Garoa, com histórias que flertam com a ficção científica, e Água com Gás, narrativas sobre relações familiares que aceitam conter uma certa leveza e dão a mão ao fantástico.

Como em seus trabalhos anteriores no gênero conto, Altair não apenas narra, mas adensa seus textos com uma linguagem em que os torneios de imagens e sentidos por vezes desconcertam, como em “o rosto já mostrava as taipas” ou “Beatriz, que era bonita até sem querer...”. Altair também dedica uma atenção especial àqueles detalhes de que são feitos os melhores contos, como a tensão narrativa, mesclando-a com finais de impacto – cujo efeito é fortalecido pelo cuidado com a trama. Sem abrir mão da linguagem inventiva, Altair constrói-se como um renovado contador de histórias.

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