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As melhores cenas de sexo da literatura

10 de novembro de 2011 2

Dominique Swain na adaptação de "Lolita" para o cinema em 1997

Corpo, Sexo e Saúde é o tema de hoje na 57ª Feira do Livro de Porto Alegre. Zero Hora pediu a escritores, livreiros e leitores da Praça que destacassem suas cenas de sexo preferidas na literatura mundial. A reportagem está publicada na edição impressa desta quinta-feira. Confira, a seguir, os trechos favoritos dos entrevistados e as justificativas para suas escolhas.

A preferida do poeta Ricardo Silvestrin, diretor do Instituto Estadual do Livro (IEL): em O Centauro no Jardim, de Moacyr Scliar

“Scliar narra o sexo sem idealização romântica ou apelo erótico além da conta. É o sexo mais próximo do que todos vivenciam. No entanto, tudo isso ocorre com um centauro. A arte, a literatura e o cinema idealizam ou erotizam o sexo como se fosse uma coisa de outro mundo. Ele consegue dar o tom.”

Trecho
- Vem, amor – sussurra. – Vem, centauro querido.
As patas fletidas, inclino-me sobre ela e beijo-a, beijo-a como um doido – a boca, os seios, as coxas. Ai, tu me deixas louca, geme, louca, louquinha! Anda, amor, vem logo. Sai desse couro e vem. 
E então – avalancha descendo a montanha, torrente rompendo as comportas – atiro-me sobre ela e já não vejo mais nada. Confusamente percebo que grita por socorro – me acudam, ele está me atacando, é um monstro – subjugo-a, tapo-lhe a boca, tento penetrar, não consigo, ejaculo-lhe as coxas, tombo para o lado, exausto. Ela pula da cama e foge, gritando sempre: é um cavalo! Um cavalo de verdade!

***

A preferida da escritora Claudia Tajes: em Um Dia na Vida de Dois Pactários, conto/poema de Rubem Fonseca incluído na coletânea A Confraria dos Espadas:

“É uma das mais bonitas e mais intensas cenas de sexo (ao menos, das que podem sair no jornal) de que eu tenho notícia.”

Trecho
“(…) E caminhamos apressados debaixo do sol
Pois não queríamos perder tempo, tínhamos depois
De voltar para nossas prisões e aguardar
O novo encontro, e fomos
Para o primeiro lugar mais perto, um apartamento sem
Nenhum móvel e ficamos agarrados lá dentro,
A maior parte do tempo eu em cima dela
Com os joelhos apoiados no chão, e meus joelhos
ficaram lacerados,
E o meu pau esfolado, e ela com a carne ardendo, e um
Dente meu da frente rachado e um dente dela da frente
Rachado, e marcas vermelhas
Apareceram ao lado de antigas manchas roxas e nossas
Olheiras se tornaram ainda mais escuras, mas não me
Queixei nem ela se queixou. Era um pacto de incêndio,
Contra esse espaço de rotina cinzenta entre
O nascimento e a morte que chamam
vida.”

***

A escolhida pelo escritor e editor Rodrigo Rosp: em Lolita, de Vladimir Nabokov

“É a melhor construção de tensão sexual da literatura. São mais de cem páginas em que Nabokov faz com que Humbert Humbert conduza o leitor no desejo pela sua musa-ninfa. E, na hora de pintar a cena em que o ato se consuma, faz isso com toda a sutileza que pode haver, com todos os não ditos e as elipses possíveis.”

Trecho
Se eu fosse um pintor, (…) pintaria uma opala de fogo dissolvendo-se numa lagoa, as marolas formando círculos concêntricos, um último espasmo, uma última mancha de cor, vermelho ardente, rosa magoado, um suspiro, uma criança encolhendo-se de dor.”


***

A preferida do livreiro Vitor Zandomeneghi, da Terceiro Mundo: em A Puta de 135 Quilos, conto de Charles Bukowski

“O que me impressionou é que ele transou com uma mulher de 135 quilos. Fiquei impressionadíssimo. O Bukowski é muito detalhista. Marcou a minha juventude.”

Trecho
“Finalmente consegui atingi-la. Encontrei o seu ritmo. Ela cedeu. E eu a pus em fogo. Foi divino. De manhã, vi que a cama estava no chão, os quatro pés quebrados.
– Bom Deus! Oh, bom Deus, bom Deus…
– O que há, Hank?
– A cama quebrou.”

***

Para o  jornalista e titular deste blog Carlos André Moreira, a escolha foi difícil e precisou passar por várias opções antes de finalmente aportar no clássico do erotismo A História do Olho, de Georges Bataille:

“Gosto muito de uma cena descrita por Tabajara Ruas em O Amor de Pedro por João, na qual ele mistura uma transa entre dois jovens numa casa de praia com a poesia do livro do Gênesis – é a iniciação sexual do garoto. Mas esse livro está na casa da minha família em São Gabriel e eu não poderia apresentar o trecho. Lembrei também de uma cena envolvendo estimulação sexual a três em uma piscina pública, do romance satírico Política, de Adam Thirlwell, mas essa não era lá muito publicável. Então vamos ao clássico História do Olho, estreia literária de Bataille e até hoje uma das obras mais honestas ao retratar a descoberta do sexo e sua sagração como objeto transcendente.”

Trecho
Três dias depois de nosso primeiro encontro. Simone e eu estávamos a sós em sua casa de campo. Ela vestia um avental preto, e usava uma gola engomada. Comecei a me dar conta de que ela partilhava minha angústia, bem mais forte naquele dia em que ela parecia estar nua sob o avental.
Suas meias de seda preta subiam acima do joelho.(…)
Havia no corredor um prato de leite para o gato.
– Os pratos foram feitos para a gente sentar – disse Simone .
Quer apostar que eu me sento no prato?
– Duvido que você se atreva – respondi ofegante.
Fazia calor. Simone colocou o prato num banquinho, instalou-se à minha frente e, sem desviar dos meus olhos, sentou-se e mergulhou a bunda no leite. (…) Deitei-me a seus pés. Ela não se mexia; pela primeira vez, vi sua “carne rosa e negra” banhada em leite branco. Permanecemos imóveis por muito tempo, ambos ruborizados.

Comentários (2)

  • o best-seller pornô soft, os lugares comuns e o novo conto de fadas machista « procurando sentidos diz: 20 de agosto de 2012

    [...] tempo: Xico Sá já sugeriu alternativas pra quem procura literatura erótica, a revista Gloss e o jornal Zero Hora também fizeram suas listas e eu, de cara, consigo pensar em pelo menos quatro livros em que o sexo [...]

  • Mundo Livro » Arquivo » Cinquenta Clones Cinzas diz: 10 de dezembro de 2012

    [...] são sim sobre sexo, mas recusam a vulgaridade – o que, para mim enquanto leitor, significa que o sexo nessas obras não deve valer muito a pena – com trocadilho, por favor). Novamente, a composição é dominada por um objeto de dupla [...]

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