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Posts de dezembro 2011

Descoberta do fim do ano

29 de dezembro de 2011 0

Mural de Diego Rivera que mostra Mussollini abençoado pelo papa pró-fascista Pio XI. Divulgação, L&PM

O escândalo dos abusos sexuais cometidos por padres tem levantado essas questões com maior evidência, mas existem outras violações e outros problemas causados pelos altos sacerdotes políticos que, por algum motivo teológico, incentivam o ódio, a violência ou a discriminação dentro de suas comunidades. A liberdade de religião não dá o direito a pregar o ódio, como descobriram alguns mulás radicais que foram condenados em Old Bailey, o tribunal judicial geral de Londres. Em 2009 a Grã-Bretanha barrou a entrada de vários evangelistas dos Estados Unidos e um apresentador de rádio texano no país por receio de que eles pudessem promover a homofobia; em 2010 um fanático religioso foi preso no centro de uma cidade por ter manifestado aos policiais locais suas ideias de que o homossexualismo era errado. Sensatamente, as autoridades decidiram não processar esse indivíduo, que era sem dúvida apenas um maluco qualquer. No entanto, esse não é o caso do papa Bento XVI. Caso volte a professar em público sua visão já muitoas vezes exposta de que o homossexualismo é “perverso” e de que todos os os homossexuais são pessoas com problemas de personalidade, ele estará fazendo pleno uso de seu cargo espiritual para demonizar uma camada da população protegida  pela igualdade perante a lei. Há sempre, é claro, um limite a ser respeitado em favor da liberdade de expressão, embora o poder das condenações papais seja muito maior do que o dos mulás e dos evangelistas norte-americanos banidos, mesmo (especialmente, na verdade) quando expressadas em uma linguagem decente para suas congregações religiosas. Caso o papa Bento XVI ameaçasse professar com força total suas visões, que já foram acusadas de incitar o espancamento de homossexuais no Brasil e em outros países católicos, o Ministério do Interior britânico também não poderia, sendo coerente quanto às suas decisões em outros casos, permitir sua entrada no país. No entanto, seria inconcebível  para o governo do Reino Unido barrar a entrada do papa. Pelo contrário, ele foi convidado para uma “visita oficial”, pela qual os contribuintes britânicos ainda serão obrigados a pagar metade da conta, estimada hoje em mais de US$ 32 milhões – o que não poderia acontecer caso o papa não fosse reconhecido como um chefe de Estado. Conforme previsto, ele deverá descer em Edimburgo de seu avião particular, resplandescente com seu manto de “chefe de Estado” (“um manto de cetim vermelho com bordas de pele por cima de um roquete, e uma estola papal bordada”), para uma reunião com sua  colega chefe de Estado, a rainha Elizabeth II (que deverá estar de preto, já que apenas rainhas católicas podem receber o papa de branco). Ele então voltará a aparecer no dia seguinte com seu modesto manto branco de “chefe da Igreja” para conduzir uma missa pública. Nesse segundo caso suas vestes merecem respeito, mas no primeiro é importante deixar claro que é um exagero.

Comecei apenas ontem a ler o exemplar de O Papa é Culpado? (Tradução de Otávio Albuquerque. L&PM, 280 páginas, R$ 44), livro de Geoffrey Robertson que havia sido enviado para mim pela editora , nas minhas férias. Robertson é um dos mais renomados juristas britânicos e discute longamente em seu livro os pontos técnicos que podem transformar ou não Bento XVI ou qualquer um que vier a ocupar o trono papal em responsável direto ou indireto pela prática e acobertamento de violações de direitos humanos. O questionamento principal levantado por Robertson é justamente o status de nação independente concedido ao Vaticano – que, como ele lembra muito bem, é resultado de um acordo assinado nos anos 1920 com… Benito Mussollini, é aquele mesmo.

Além de um tratamento absolutamente incomum não compartilhado com religião alguma no planeta, o status de Estado para a sede da Igreja Católica tem permitido na última década manobras legais de acobertamento dos escândalos envolvendo padres católicos acusados de pedofilia em suas paróquias, e é esse o foco principal do livro. Ainda não li todo o livro, deixo isso aqui bem claro, mas Robertson lista numerosos casos de denúncias e queixas de pedofilia levadas à Igreja Católica ao longo de 50 anos e acobertadas ou ignoradas pelas dioceses seguindo uma política oficial do Vaticano de resolver tais questões no âmbito interno da igreja – o que, lembra Robertson claramente, contraria dispositivos que são a base do Estado laico: a liberdade religiosa não autoriza ninguém a cometer crimes. Para piorar, a forma como a igreja muitas vezes trata de tais assuntos é praticamente uma garantia de impunidade: vários padres acusados de pedofilia em paróquias americanas foram realocados para outras comunidades em Roma, na América Latina e, principalmente, na África, sem menção alguma a sua folha corrida anterior, praticamente garantindo campo livre para a reincidência em uma nova paróquia desinformada.

Os argumentos de Robertson  referem-se muitas vezes a casos e leis específicas da common law aplicada na Grã-Bretanha, mas se estendem muitas vezes para questões gerais de direito e Justiça válidas para qualquer nação democrática. Afinal, como ele mesmo escreve em determinado trecho: “todas as  instituições que oferecem ensino ou orientação a jovens devem estar alertas para o perigo de que adultos abusem da confiança a eles conferida. Uma organização religiosa que impõe o celibato aos seus sacerdotes e concede ao clero o poder de dar orientação espiritual e amplas oportunidades para influencias crianças deveria estar particularmente alerta”.

O livro além de tudo, e talvez involuntariamente, é um libelo contundente contra o argumento sempre apresentado pelos críticos do ateísmo de que só pode existir um sistema de valores morais dentro de um sistema de fé religiosa. Como demonstra Robertson, assim como existe uma ética e uma moral laica humanista, há práticas religiosas de duvidosa qualificação moral…

Boa leitura para este fim de ano e início do próximo.

Brincadeira de Forte Apache

27 de dezembro de 2011 3

Não se julga livro pela capa, todo mundo sabe, este resenhista também sabe, então vamos tirar esta questão do caminho o mais cedo possível. Mas literatura também é produção de signos, e, intencionalmente ou não, boas pistas das qualidades de Habitante Irreal, romance do escritor gaúcho Paulo Scott, encontram-se na capa da belíssima edição lançada mês passado pelo selo Alfaguara, da Objetiva. Sobre um fundo branco indistinto, avulta-se um boneco sem cabeça, em close — uma antiga miniatura do conjunto de brinquedos Forte Apache, que opunha índios e cavalaria estadunidenses e fez parte da infância de quem hoje anda pelos 40 anos, pouco mais ou pouco menos. É essa a geração retratada no livro, a dos que foram jovens no fim dos anos 1980 e viram e sonharam com a retomada democrática no país.

A imagem da capa é ao mesmo tempo evocativa e perturbadora — a ausência de rosto do índio de brinquedo não apenas remete a um dos temas-chave do livro, sobre o qual falaremos adiante, como também parece fazer referência à mutilação dos sonhos otimistas acalentados na infância da redemocratização. Habitante Irreal é dividido em quatro partes. A primeira concentra-se na crise de identidade vivida por Paulo, personagem que toma emprestado de seu autor não apenas o nome, mas alguns elementos biográficos.

Paulo (o protagonista, não o escritor) é um estudante de Direito, jovem líder estudantil de Porto Alegre, militante de primeira hora da primeira eleição vencida pelo PT no Estado. Desencantado com a prática profissional no escritório em que estagia e com a voracidade da disputa por cargos no governo petista recém-eleito, Paulo vive uma crise de identidade que tenta resolver após encontrar, na volta de uma viagem a Pelotas, uma adolescente índia à beira da estrada, assolada pelo temporal. Ele oferece uma carona à menina, de nome Maína, e, encantado por ela, faz planos de mudar a vida que a garota leva, acampada à beira de uma estrada federal com a mãe e as irmãs. O idealismo inconsequente de Paulo, embora bem-intencionado, é pautado por uma mescla de sentimentos confusos que desembocam, no fim, na exploração emocional e sexual da garota. Não é essa, claro, a a intenção de Paulo, que gostaria de salvar a índia para salvar a si mesmo, e para provar que ainda é o idealista puro inflamado pela chama dos próprios sonhos – obviamente, à medida que a narrativa avança, não acontecerá nem uma coisa, nem outra.

Paulo é um inconformado com o rumo desastrado que as coisas, vistas fora do prisma de sua visão de mundo, tomaram. Suas tentativas de “salvar” Maína, contudo, mostram uma incompreensão colonialista inconsciente tão grande quanto a das autoridades que ele considera responsáveis pelo abandono de Maína e sua família. Uma inconsciência que terá consequências drásticas mais adiante, quando Maína engravida de Paulo e gera um menino, Donato (que não por acaso significa “dado”, “doado”). Depois de trágicas peripécias, Donato é adotado por um casal de professores universitários — destinados a repetir, ainda que dotados das melhores intenções, alguns dos erros do pai biológico do garoto com Maína, como a negação da identidade e o pensamento paternalista.

Em obras anteriores, como a coletânea de contos Ainda Orangotangos, Scott se mostrava um artista ligado à experimentação da forma – a primeira edição do livro, pela extinta Livros do Mal, vinha com um disco com uma faixa de acompanhamento para cada conto; bem como uma das histórias era narrada em blocos dispostos na ordem contrária (antes ainda do sucesso do filme Amnésia, de Christopher Nolan), etc… Em Habitante Irreal, alguns torneios estruturais e gráficos permanecem para dar conta de uma vontade de ousadia do autor, mesmo que nem todos bem-sucedidos – alguns capítulos são narrados como imensas notas de rodapé para textos inexistentes, um recurso de sinalização metalinguística que não chega a ter neste romance o impacto de uma estratégia semelhante usada por J.M. Coetzee em Diário de um Ano Ruim. As últimas páginas de Habitante…, por exemplo, que também estão lá para relembrar ao leitor do caráter ficcional e narrativo do que acabou de ler, conseguem com beleza e poesia um efeito dilacerante, algo que as notas apenas tangenciam.

A prosa, narrada em uma terceira pessoa colada de modo epidérmico às personagens, estrutura-se em frases longas e sinuosas, por vezes furiosas, por vezes líricas, sentenças que se projetam para mais de um plano de ação e discurso, do personagem e do narrador: “Caminha até a beira da estrada, sente-se capaz de enternecê-la (e quando os próximos faróis chegarem cogita, a partir de um velho hábito de apenas cogitar, forrá-los ainda que instantâneo seja o baque, cegando-os, forjando altura das copas de todas as árvores visíveis, companhia e penúria lunar contra a peça de madeira que ficará ali para sempre)”.

Voláteis, romance anterior de Scott, já apresentava uma inflexão da experimentação formal para a construção psicológica – era das relações entre os três principais personagens em meio a uma trama de solidões e submundo que o livro, um romance de crime que transcendia o policial, tirava sua força. Habitante Irreal leva a obra de Scott a outro patamar na representação dos personagens, embora ainda mantenha a estrutura formal sofisticada – as três partes seguintes à apresentação de Paulo praticamente deixam o personagem de lado, mapeando as vidas tocadas indiretamente por seus atos: Maína; o filho de ambos Donato; Luísa, mulher do professor que adota o garoto. Cada novo mergulho aprofunda a incompreensão básica de cada personagem com relação ao caminho correto a tomar, aparentemente tão claro no início. O trajeto romanesco de Habitante Irreal é, assim, também um trajeto ético, uma vez que cada decisão parece gerar mais dúvidas e provocar consequências contrárias às intenções que as balizavam na origem. No fim, caberá a Donato tecer uma prece mortuária de múltipla significação no contexto do romance — não apenas para alguém que morreu, mas para si mesmo, para a vida emprestada que levou até ali, para o toque de morte dos contatos indígenas com o homem branco mostrados ao longo da narrativa.

É bem nesse fim do romance que Paulo (o personagem, não o autor) volta à história. E ainda que seu retorno feche um círculo formal, sua presença naquela situação parece excessiva, uma vez que ele reaparece depois de 20 anos e várias páginas ausentes apenas para reiterar seu comportamento pusilânime do passado – o que soa deslocado quando tantas transformações drásticas ocorreram nos demais personagens circunstanciais. Essas mudanças são o que o romance tem de melhor. É no mergulho intenso na psiquê, nas dúvidas, covardias e incertezas de suas criaturas que Scott tece um emaranhado complexo que, ao mesmo tempo, se sustenta como estudo de personagem e responde, a seu modo, ao velho questionamento de “por onde anda a realidade brasileira na literatura?”. Os personagens de Habitante Irreal não existem fora do contexto nacional – as eleições do processo de redemocratização, o surgimento da internet no Brasil, a questão indígena, um retrato onívoro que tenta não deixar nada de fora – e por vezes peca aqui e ali pelo excesso de enumerações contextuais.

Com Paulo e sua covardia desastrada e bem-intencionada; Luísa e sua e Donato, o índio mestiço, gradativamente espoliado de suas raízes, de sua cultura e de sua identidade (ainda que sempre com as melhores intenções, o que torna tudo muito pior), Scott faz de Habitante Irreal um romance político, arrebatado, disposto a sair no mano a mano com a complexa realidade brasileira dos últimos 30 anos.

Hitchens e o mundo contemporâneo

16 de dezembro de 2011 4

Christopher Hitchens no Fronteiras do Pensamento. Foto de Valdir Friolin

Meu amigo Gabriel Brust costuma referir-se à entrevista abaixo como uma das mais difíceis de sua carreira. Christopher Hitchens seria o convidado do ciclo Fronteiras do Pensamento naquele novembro de 2007 e atendeu a uma ligação telefônica para uma entrevista previamente combinada. O escritor falava de sua residência em Washington, em um inglês com entonação áspera, mastigava as palavras e ainda por cima parecia ter tomado alguns drinques antes da conversa – a gravação não ficou lá muito boa, também, o que transformou a transcrição do papo em uma tarefa para abnegados… Hitchens foi seco e direto, não parecia ter paciência para desenvolver oralmente temas que já havia abordado com detalhe em seus ensaios.. Como o repórter escreveu no texto de apresentação da entrevista, publicada em três de novembro de 2007 no Caderno Cultura:

“Hitchens é um animal argumentativo, embora isso fique mais explícito em seus artigos do que em entrevistas, fazendo com que questões consideradas indiscutíveis
– como a condenação à invasão do Iraque – voltem à pauta, inclusive à luz de uma ética humanitária. Em seu racionalismo radical, o jornalista bate de frente com questões caras – e, freqüentemente, carregadas de demagogia – à esquerda, como o relativismo cultural. O autor é implacável com os métodos islâmicos, sejam eles justificados ou não pela religião ou pela cultura, já tendo usado o termo “fascismo islâmico” para criticar as ameaças do mundo oriental aos editores europeus que publicaram cartuns de Maomé, por exemplo. Em 1989, quando um fatwah teocrático ameaçou de morte o escritor Salman Rushdie, Hitchens denunciou a indiferença e as hesitações ocorridas entre os intelectuais para negar apoio ao colega.  Tais tergiversações, para Hitchens, encarnavam a tendência da boa parte dos pensadores para justificar qualquer ato islâmico — inclusive o 11 de setembro.

Agora, com seu novo livro, Deus não é Grande – Como a Religião Envenena Tudo (Ediouro, 286 páginas, R$ 44,90), o jornalista confirma sua postura de livre pensador ao compartilhar uma bandeira típica da esquerda: a ojeriza por religiões. Em entrevista ao Cultura por telefone, Hitchens optou por responder tudo de forma clara e direta. As religiões são ruins porque elas mentem. Simples assim.

Republicamos aqui a entrevista devido à recente notícia do falecimento do autor, aos 62 anos, vítima de um câncer de esôfago.

Zero Hora – Deus não é Grande acaba de ser lançado no Brasil. Em que este se difere de outros livros sobre ateísmo que estão chegando ao mercado?
Christopher Hitchens —
A diferença é que eu não sou um cientista. E eu acredito que o argumento contra a religião foi feito antes de Darwin e antes de Einstein. Sou um crítico literário e um correspondente estrangeiro. Em meus livros, eu argumento baseando- me em exemplos que eu vi viajando pelo mundo, exemplos dos perigos da religião.

ZH — Richard Dawkins, no seu livro Deus, Um Delírio, diz que pretende converter as pessoas ao ateísmo. Ele não corre o risco de incorrer no mesmo erro das religiões ao tentar isso?
Hitchens —
Eu não estou tentado converter pessoas. Não…

Cultura — O senhor concorda com aqueles que dizem que a religião foi a responsável por importantes princípios morais para a construção da civilização?
Hitchens —
Não, isto está errado. Religião não é a fonte da moralidade, a moralidade vem da solidariedade humana, e ela surge em todas as sociedades, desde os tempos antigos. Religião, pelo contrário, prega a imoralidade. Ela conta mentiras para as crianças sobre céu e inferno, ela cria contos de fada aos adultos. Mente sobre a morte concreta, que é algo inevitável e inescapável. Elas praticam mutilação genital e repressão sexual, que levam à perversão e à hipocrisia. Ou seja, é imoral, vai contra a solidariedade humana e, é claro, é responsável pela subordinação das mulheres.

Cultura — A religião pode ser substituída pelo quê na vida das pessoas?
Hitchens —
Não há um substituto, porque não queremos repetir o erro. Deixar de se impressionar pelas mentiras e imoralidades da religião é algo que não requer substituto. Se você consegue se emancipar da noção de imoralidade da religião, você não precisa de nenhum substituto. A emancipação é uma coisa boa or si só.

Cultura — Como você imagina politicamente um mundo em que ninguém acredita em Deus?
Hitchens —
Eu não consigo imaginar, porque não há o perigo de isso acontecer. A espécie humana é programada de certa maneira para ser religiosa porque é uma espécie muito egocêntrica. É facilmente persuadida de que é o objetivo de algum plano divino. Em segundo, é uma espécie muito medrosa, e tem particular medo da morte.

Cultura — O mundo oriental depende mais da religião do que o ocidental?
Hitchens —
Não. Acho que o problema é o mesmo para todos. O budismo não é exatamente uma religião, mas uma prática espiritual. É difícil medir.

Cultura – Há o mito de que, em países corruptos e pobres como o Brasil, as igrejas neopentecostais poderiam prestar um serviço às camadas mais pobres, até mesmo facilitando a ascensão social. A religião pode ser útil dependendo do contexto de uma sociedade?
Hitchens -
Ninguém é tão pobre que precise aprender moralidade com os pentecostais.

Cultura – A religião não pode ter nenhuma utilidade?
Hitchens -
Não é útil ser enganado. Não é útil que te digam para acreditar em coisas. É o mesmo problema em todos os lugares, sem diferença. As escolhas entre razão e fé estão em todas as sociedades e entre todos os indivíduos. Eles precisam decidir por si mesmos por que estão aqui. Por causa da biologia ou por causa do divino. Mas a questão é a mesma em Porto Alegre ou na Islândia.