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A Bibiana do Erico Verissimo - e a do filme...

20 de janeiro de 2012 11

No começo do capítulo Um Certo Capitão Rodrigo, de O Continente, primeira parte da saga O Tempo e o Vento, Erico Verissimo assim descreve a jovem Bibiana Terra (que, naquela altura, o leitor já conhecia como a avó-matriarca da família Terra Cambará sitiada no sobrado na praça central de Santa Fé durante a Revolução Federalista, em 1895):

Bibiana tinha um rosto redondo, olhos oblíquos e uma boca carnuda em que o lábio inferior era mais espesso que o superior. Havia em seus olhos, bem como na voz, qualquer coisa de noturno e aveludado. Os forasteiros que chegavam a Santa Fé e deitavam os olhos nela, ao saberem-na ainda solteira, exclamavam: “Mas que é que a rapaziada desta terra está fazendo?” E então ouviam histórias… Bento Amaral, filho do coronel Ricardo Amaral Neto, senhor dos melhores e mais vastos campos dos arredores do povoado, andava apaixonado pela menina, tinha-se declarado mais de uma vez, mas a moça não queria saber dele.
– O herdeiro do velho Amaral? – estranhavam os forasteiros.
– Sim senhor.
– Mas o moço é aleijado?
– Qual nada! É até um rapagão mui guapo.
Ninguém conseguia compreender. As outras moças invejavam Bibiana Terra e não entendiam como era que ela, não sendo rica, rejeitava o melhor partido de Santa Fé, aquele moço bonitão a quem elas de muito bom grado diriam sim no momento em que ele se declarasse.
Mas quem ficava mais perplexo que qualquer outra pessoa era o próprio Pedro Terra, que não atinava com uma explicação para a atitude da filha. Ele não morria de amores pelos Amarais. Tinha até queixas do velho Ricardo, que lhe tirara as terras e se recusara a ajudá-lo quando o trigo fora águas abaixo. Além disso, achava os Amarais prepotentes, vaidosos, gananciosos, e também sabia que Ricardo não fazia muito gosto no casamento do filho com Bibiana, pois queria que o rapaz casasse com alguma moça rica de Rio Grande ou Porto Alegre. Por todas essas coisas Pedro Terra não insistia com a filha para que aceitasse Bento Amaral. Mas mesmo assim não compreendia e ficava vagamente inquieto à idéia de morrer sem ver a filha casada com um homem de bem.
Fosse como fosse, os Amarais eram por assim dizer os donos de Santa Fé. E Bento visitava os Terras com alguma freqüência, tratava-os bem, dava presentes a Juvenal, a Arminda e principalmente a Bibiana, que os recebia sem nenhuma alegria, mal murmurando uma palavra de agradecimento, quase sempre sem olhar para o pretendente.
Pedro Terra às vezes inquietava-se pensando no gênio da filha. Era voluntariosa, duma teimosia nunca vista, e dum orgulho tão grande que era capaz de morrer de fome e de sede só para não pedir favores aos outros. No entanto, quem olhasse para ela julgaria, pelo seu suave aspecto exterior, estar diante da criatura mais meiga e submissa do mundo.

Não tive como não ir atrás dessa descrição para compará-la com a foto abaixo (de um ensaio para a revista Trip), já que foi recentemente anunciado que essa Bibiana, a Bibiana jovem que conhece o Capitão Rodrigo e se casa com ele, será vivida pela atriz e cantora Marjorie Estiano no longa que o diretor Jayme Monjardim prepara adaptando a saga – sim, parece que é a saga toda, mas não tenho informações mais detalhadas. Consultem a página oficial da produção.

"Bibiana, minha prenda, estás aquecendo água pro mate?" Foto: Trip/divulgação

A Bibiana matriarca do sobrado será vivida por Fernanda Montenegro. O interessante é que o Capitão Rodrigo nesta versão será Thiago Lacerda. E, embora a figura de Tarcísio Meira tenha se cristalizado como capitão devido ao sucesso da minissérie que anda até reprisando por aí, de acordo com o que me informaram, é possível que o capitão do Erico tivesse mais a ver com o Lacerda mesmo (a não ser a altura. Rodrigo é descrito como um homem de estatura média). O Capitão, na descrição do Erico no romance, era assim:

Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida, e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava um alazão, trazia bombachas claras, botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal. Tinha um violão a tiracolo; sua espada, apresilhada aos arreios, rebrilhava ao sol daquela tarde de outubro de 1828 e o lenço encarnado que trazia ao pescoço esvoaçava no ar como uma bandeira

Prosseguindo na leitura, vemos Rodrigo entrar na birosca do Nicolau e quase arranjar briga com o irmão de Bibiana, Juvenal Terra devido a uma bravata que tinha a intenção de ser engraçada. Apaziguados os ânimos, ambos sentam-se a uma mesa para um trago. Rodrigo pede uma linguiça, que na época ainda devia ter trema, acredito. E é pelos olhos de Pedro Terra a partir daí que vemos mais um pouco da figura de Rodrigo:

Só o jeito de olhar é que não era lá muito agradável: havia naqueles olhos muito atrevimento, muita prosápia e assim um ar de superioridade. Depois, Juvenal sempre desconfiara de homem de olho azul… No entanto, podia jurar que nunca vira cara de macho mais insinuante. Os cabelos do capitão eram meio ondulados e dum castanho escuro com uns lampejos assim como de fundo de tacho ao sol. O nariz era reto e fino, os beiços dum vermelho úmido, meio indecente, e o queixo voluntarioso.

Vejamos como isso se traduzirá no filme, então.

__________________

PS:

– Vem cá, essa notícia de que a Marjorie Estiano vai ser a Bibiana não é da semana passada?

– É, é sim.

– Então pra que tocar neste assunto aqui no blog agora?

– Porque era uma boa oportunidade de colocar uma foto insinuante de uma garota bonita. Não é sempre que se consegue isso, mas todas as vezes que conseguimos, a audiência subiu à estratosfera. Por que não, então?

Comentários (11)

  • marcelo benvenutti diz: 20 de janeiro de 2012

    Eu só acessei e li por causa da foto!
    hahahahaha

  • constantin diz: 21 de janeiro de 2012

    Magnifico texto de Érico Veríssimo.

  • wilson diz: 21 de janeiro de 2012

    Será que no filme estes artistas cariocas ficarão ” chiando” como na novela que se passa no Rio grande do Sul e é uma ” chiadeira” só?

  • elisabeth diz: 22 de janeiro de 2012

    É so enfeitar teu blog com bastante prenda pelada e gaudérios peladões, que a tua audiência aumenta ,claro ninguem vai ler nada de literatura, para quê?

  • Lisandra diz: 1 de fevereiro de 2012

    O Capitão Rodrigo chegou à Santa Fé, em novembro de 1828, Dia de Finados. E não em outubro como está no trecho acima.

  • Marcelo Xavier diz: 30 de março de 2012

    Quem vai ser a Maria Valéria? Nicole Bahls?

  • Mundo Livro » Arquivo » O cantor da sereia diz: 28 de dezembro de 2012

    [...] com foto de mulher gostosa neste blog. Não me xinguem, a experiência comprova que a audiência aumenta com esses artifícios, que eu repito muito [...]

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