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O nonagenário Kerouac

12 de março de 2012 1

O escritor Jack Kerouac. Foto: L&PM, Divulgação

Apresentação do Autor

NOME: Jack Kerouac
NACIONALIDADE: Franco-americana
LOCAL DE NASCIMENTO: Lowell, Massachussetts
DATA DE NASCIMENTO: 12 de março de 1922
INSTRUÇÃO (escolas frequentadas, cursos especiais, diplomas e anos):
Escola de Lowell (Mass.); Escola Masculina Horace Mann; Universidade de Columbia (1940-1942); New School for Social Research (194-1949). Ciências Humanas, nenhum diploma (1936-1949) Ganhei um A de Mark van Doren em Inglês na Columbia (curso sobre Shakespeare). – Levei pau em Química na Colúmbia. – Tirei média 92 na Horace Mann (1939-1940). Joguei futebol americano no time principal da universidade. Também pratiquei atletismo, beisebol e xadrez.
CASADO: Não
FILHOS: Não
RESUMO DAS PRINCIPAIS OCUPAÇÕES E/OU EMPREGOS
Tudo. Especificando: auxiliar de cozinha e lavador de pratos em navios, empregado de posto de gasolina, limpador de convés, jornalista esportivo (Lowell Sun), guarda-freios ferroviário, condensador de roteiros da 20th Century Fox em Nova York,  balconista de lanchonete, funcionário nos pátios de manobras de estradas de ferro, também carregador de mala na estação ferroviária, apanhador de algodão, ajudante de empresa de mudanças, aprendiz de laminação de metal no Pentágono em 1942, vigia de incêndios florestais em 1956, operário da construção civil (1941).
FAÇA UM BREVE RESUMO DE SUA VIDA, POR FAVOR
(…) Meu primeiro romance formal foi
The Town and the City, escrito na tradição de trabalho longo e revisão, de 1946 a 1948, três anos, publicado pela Harcourt Brace em 1950. – Então descobri a prosa “espontânea” e escrevi, digamos, The Subterraneans em três noites – escrevi On The Road em três semanas –
Li e estudei sozinho a vida inteira. – Estabeleci o recorde de falta às aulas da faculdade de Columbia para ficar no meu quarto escrevendo uma peça diária e leondo, digamos, Louis Ferdinand Céline, em vez dos “clássicos” do curso.
Sempre tive minhas próprias ideias. — Sou conhecido como “vagabundo maluco e anjo” com uma “cabeça desnuda e inesgotável” de “prosa”. Também poeta, Mexico City Blues (Grove, 1959). — Sempre considerei escrever meu dever na Terra. E também pregar a bondade universal, que críticos histéricos não foram capazes de descobrir sob a frenética atividade de minhas histórias verídicas sobre a geração beat. — Na verdade, não sou um beat, mas sim um estranho e solitário católico, louco e místico…

A apresentação acima, parcialmente condensada, está inclusa no volume Cenas de Nova York e Outras Viagens, que a L&PM está publicando agora como parte de uma nova série da editora, a Coleção 64 páginas, livros de… bem, 64 páginas, nos quais são reunidos textos e contos de autores consagrados em um volume de bolso finito que custa cinco pilas. Os primeiros exemplares da coleção incluem seletas de contos de Edgar Allan Poe, Bukowski e Machado de Assis, as novelas O Diabo, de Leon Tolstói, e O Retrato, de Gógol, e até uma antologia de tirinhas da turma da Mônica. O centro do projeto é fazer livros curtos cujo preço possa ficar em cinco reais.

O volume de Jack Kerouac especificamente traz essa apresentação bastante pessoal, três narrativas de viagen retiradas do livro Viajante Solitário (que a L&PM também têm em catálogo na coleção Pocket) e o poema Rimbaud, que havia sido publicado originalmente na Revista 80, uma revista de cultura e ensaios que a L&PM pôs em circulação… bem, nos anos 80.

Hoje completam-se 90 anos, como vocês veem na data de nascimento do currículo acima, 90 anos do nascimento de Keroauc, um escritor cuja influência avassaladora gerou imitadores e seguidores passionais no último meio século – para o bem e para o mal, uma vez que a postura místico-beatnik-libertária se vale a pena como estilo de vida nem sempre resulta na melhor das literaturas. Kerouac, entretanto, mesmo em seus momentos mais vagabundos e menos iluminados, continua transbordando uma força e um vigor agressivo – melhores características de uma literatura que fazia da linguagem um processo ao mesmo tempo xamânico e musical. Literatura libertária que amava as amplidões e as máquinas velozes como atalhos entre os infinitos caminhos. Mesmo que tenha morrido como uma caricatura do avesso de sua brilhante juventude, Kerouac e seus livros dos anos mais férteis permanecem um chamado à paixão, à boemia e ao sentimento numa era em que as máquinas parecem ter virado o fio e limitado o horizonte.

Comentários (1)

  • Marcelo Xavier diz: 30 de março de 2012

    Hoje eu leio menos literaturaeat e não me interessei em ler Desolation Angels ou lançamentos inéditos em português (confesso que li o Visions Of Cody e achei mais um ensaio vertical joyceano-proustiano pastichizado do On the Road mas cansativo e não gostei muito dos Subterrâneos e Tristessa) mas eu tenho necessariamente como referência o estilo literário do On the Road e uma predileção especial pelo Dharma Bums pela sua visão castiça do budismo e a crença infinita naquela vidinha ao rés do chão muito antes dos hippies. É um livro muito bom. E o Lonesome Traveller, sempre que eu leio Cenas de Nova Iorque eu quero escrever algo do tipo, ese texto eu considero clássico, de ler em voz alta, com um George Sharing ao fundo ao piano :)

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