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O Instituto Estadual do Livro responde

21 de março de 2012 3

Ricardo Silvestrin, diretor do IEL. Foto: Mariana Muller

O Prêmio Moacyr Scliar foi anunciado oficialmente em agosto do ano passado.  Patrocinado pela Petrobrás e pelo Banrisul, ele oferece R$ 150 mil para o escritor e R$ 30 mil para a editora da obra vencedora, para custear uma nova edição a ser distribuída em bibliotecas. A primeira edição do prêmio foi aberta a livros de poesia publicados nos dois anos anteriores. A segunda edição, prevista para o ano que vem, vai contemplar contos também lançados até dois anos antes, e assim sucessivamente, alternando os dois gêneros. Foram 152 livros inscritos no certame, entre eles Aleijão, de Eduardo Sterzi.

O livro vencedor foi Em Alguma Parte Alguma, de Ferreira Gullar (José Olympio, 2009). Sterzi recebeu Menção Honrosa, bem como os livros Em Trânsito, de Alberto Martins (Companhia das Letras); A Vida Submarina, de Ana Martins Marques (Scriptum) e Lar,, de Armando Freitas Filho (Companhia das Letras).

Na última sexta-feira, Sterzi renunciou à menção em uma mensagem dirigida ao diretor do Instituto Estadual do Livro, Ricardo Silvestrin. Para ouvir a posição do Instituto sobre os Motivos que levaram à renúncia de Sterzi e sobre os comentários feitos por ele em sua carta de renúncia, entrevistamos Silvestrin, também por e-mail:

Zero Hora – O poeta Eduardo Sterzi renunciou, em uma carta aberta endereçada ao senhor, à menção honrosa que havia sido conferida a ele pelo Prêmio Moacyr Scliar. Ele cita como razões a mudança para o Rio da solenidade oficial de entrega e o fato de a própria editora da obra vencedora oferecer o coquetel de premiação – como de fato está expresso no convite que foi divulgado pelo IEL. O senhor já leu o comunicado? Qual sua posição oficial sobre ele e sobre os pontos apontados por Sterzi?
Ricardo Silvestrin
– Sim. O autor enviou e-mail para o IEL na sexta feira (dia 16), às 21h31min, solicitando que seu nome e seu livro fossem retirados da lista dos ganhadores de menção honrosa. Foi respondido a ele, com base no item 6.4 do regulamento, que diz os casos omissos serão resolvidos pela Secretaria de Estado da Cultura e pelo Instituto Estadual do Livro, que sua solicitação, embora não concordando com seus argumentos, foi aceita. Os outros pontos estão respondidos abaixo das tuas perguntas.

ZH – Por que um prêmio realizado no Rio Grande do Sul, homenageando um dos maiores escritores do Rio Grande do Sul e conferido por uma secretaria de governo do Rio Grande do Sul terá solenidade de entrega oficial no Rio de Janeiro? A escolha do agraciado determinou a mudança do local de entrega? Por quê?
Silvestrin –
O agraciado, Ferreira Gullar, comunicou à Secretaria de Cultura e ao IEL que não viaja de avião. Não viajou, por exemplo, para Lisboa quando foi o escolhido para receber o prêmio Camões, que foi entregue a ele também na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Como o Governador Tarso Genro estaria no Rio em função de atos do governo, no dia 29, data prevista pelo edital, o Governo, a Secretaria de Cultura e o IEL decidiram aproveitar a oportunidade para fazer a entrega. Embora realizado por uma Secretaria de Estado do Rio Grande do Sul, embora leve o nome de um dos maiores escritores nossos, trata-se, também, de um prêmio nacional que leva o nome de um dos maiores escritores nacionais. A vontade, é claro, era realizar a entrega aqui, no Palácio do Governo. Mas, em virtude da inviabilidade de deslocamento do vencedor, não foi possível.  Outro ponto levantado pelo autor que pediu sua exclusão da lista dos ganhadores de menção honrosa – menções que foram propostas pelos jurados e aceitas pela Secretaria e pelo IEL – seria o fato do coquetel de confraternização ser pago, no Rio de Janeiro, no próximo dia 29, pela editora premiada.  Como está no edital, a editora do livro premiado (e poderia ser mesmo um livro independente; sendo nesse caso o autor também o editor), recebe a quantia de trinta mil reais como pagamento pela compra dos direitos de edição para uma nova tiragem de cinco mil exemplares impressa pela Corag (apoiadora do Prêmio). Essa edição será distribuída nas bibliotecas públicas e pontos de cultura do estado. Nada, a nosso ver, impede a editora de oferecer um coquetel, por sua iniciativa, para receber os convidados do evento, o autor, as autoridades e confraternizar com todos. Aliás, essa é a praxe em lançamentos.

ZH – O edital do prêmio, como é padrão em certames do gênero, proíbe a inscrição de membros da comissão julgadora e de parentes e “afins”. Sterzi argumenta que, dada a reconhecida amizade de Antônio Carlos Secchin com Ferreira Gullar, soa estranha a premiação. O “afins” neste caso não englobaria também críticos que tenham prefaciado, apresentado ou recebido agradecimentos nos livros inscritos?
Silvestrin –
Não. O “afins”, segundo o Direito de Família, define o que segue:
“O parentesco pode ser, portanto: a) consangüíneo ou natural, quando se funda na igualdade de sangue; b) afim, quando se forma entre um indivíduo e a família de outro, por intermédio da união sexual.”
Ou seja, não se trata de parente afim (sogro, cunhado, genro, concunhado…) Além disso,  as decisões da comissão julgadora são soberanas – o IEL não tem qualquer interferência no resultado do concurso.  Se, por hipótese, o IEL tivesse a possibilidade de qualquer ingerência – o que seria um absurdo legal, veja-se: a comissão julgadora é composta por 5 membros. A decisão foi por unanimidade – e dessa comissão fazem parte, por exemplo, pessoas com a idoneidade moral e intelectual de um Armindo Trevisan, pra citar um nosso conterrâneo. Essa comissão não considerou que o fato de um dos membros ter feito o prefácio da obra de um autor de longa trajetória na cultura brasileira fosse um impedimento a ponto de propor a sua abstenção na votação. Matematicamente, um voto nada poderia fazer contra os outros.  E a votação foi individual.  Houve prazo de recurso contra a decisão, o qual se esgotou, e ninguém interpôs recurso algum, isto é: a comunidade literária reconheceu como idônea a atribuição do prêmio.

ZH – A formação da comissão julgadora foi efetuada pelo IEL e pelo Secretário de Cultura do Estado, de acordo com o que está no edital. Qual foi o critério de escolha dos nomes que formaram o júri?
Silvestrin –
O critério está explicitado no item 3.1. Todos os nomes escolhidos se enquadram nesse critério. São poetas, ensaístas, antologistas, professores com destacada atuação no meio literário do país. Procurou-se compor um grupo que tivesse uma visão tanto da produção contemporânea, como o caso do crítico e antologista Ricardo Vieira Lima, da produção dos últimos quarenta anos, como a professora, antologista e editora Heloísa Buarque de Holanda, ensaístas e poetas destacados, como Trevisan, Secchin e Carlos Felipe Moisés.  Todos foram convidados quando do lançamento do edital. Os livros inscritos foram divulgados e enviados para a Comissão Julgadora só após o IEL tê-los recebidos dento do prazo de inscrição. Não havia como barrar qualquer jurado antes da inscrição dos exemplares. Depois disso, a decisão se haveria algum impedimento para o julgamento ficaria a cargo da Comissão Julgadora.

Comentários (3)

  • Leandro Angonese diz: 21 de março de 2012

    Não entendo como cinco jurados julgaram em tão pouco tempo 152 obras.

  • Cristina Bomfim diz: 21 de março de 2012

    A solenidade de premiação será fora do Rio Grande do Sul. Não importa, a meu ver, que seja no Rio de Janeiro. O que importa, sinceramente, é que aconteça na Fundação Biblioteca Nacional, instituição que por seu significado e grandeza é um espaço digno da festa de premiação de qualquer conurso literário brasileiro. Tenho certeza de que o Moacyr Scliar ficaria feliz com a escolha do local. Trabalhei na Biblioteca Nacional durante uns 4 anos e lá o conheci com seu jeito discreto e generoso. Era, como outros escritores,gaúchos, cariocas, paulistas, nordestinos, mineiros, etc., frequentador daquele lugar fascinante, pela beleza arquitetônica, detenção e conservação de acervo extraordinário em livros, manuscritos, iconografia e partituras. musicais.

  • Uma festa para a literatura da cidade | Mundo Livro diz: 30 de março de 2012

    [...] Quintana (Andradas, 736) * 18h30 _ O crítico Antonio Carlos Secchin e o poeta e diretor do IEL Ricardo Silvestrin conversam sobre produção poética e leitura de poesia. Seguido de lançamento de Memórias de um [...]

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