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Arranjando mais trabalho

24 de maio de 2012 0

Obra "Leitura", de Iberê Camargo

Estive em Erechim recentemente, para um encontro intitulado “Partilhando leituras”, atendendo ao gentil convite dos organizadores, os professores Gerson Severo e Paulo Bittencourt, do campus local da Universidade Federal da Fronteira Sul (quem quiser ter um relato de como foi, clique aqui, no blog do projeto, e leia um texto escrito por Andrei Vanin). Uma das coisas que me foram perguntadas e sobre as quais falei durante a conversa é o critério que usamos para que um livro seja matéria no Segundo Caderno.

Ao responder, comentei que tentamos um equilíbrio entre o interesse jornalístico e o literário. Um livro que se torna um fenômeno precisa ser lido em algum momento. Um autor de reconhecida importância, nacional e internacional. E que, dada a ênfase que a Zero Hora dá ao cenário local, buscamos sempre, quando o espaço, o tempo, as circunstâncias assim permitem, falar de autores locais.  A ideia é achar um equilíbrio entre o autor estrangeiro publicado por editora blockbuster com mídia em massa e o escritor que está começando agora, não tem uma poderosa estrutura de divulgação e tem, portanto, menor possibilidade estatística de receber uma leitura pública em jornal ou revista. Porque a leitura é uma parte essencial do processo de um livro.

Voltei de Erechim com essa explicação na cabeça.  E me lembrei de um projeto que cheguei a acalentar há dois anos e que havia posto na geladeira por um tempo devido ao surgimento do Gaúchão de Literatura, que no fundo tinha proposta semelhante.Acho que entusiasmado pela acohida recebida em Erechim, resolvi tirá-lo da gaveta.

Sabe quantos livros de contos são publicados a cada ano? Eu não sei, mas ajudei o Rodrigo Rosp e a Lu Thomé a fazer no levantamento prévio dos concorrentes do Gauchão no ano de 2010, e chegamos a uns 60 livros no período de dois anos  – provavelmente deixando passar uns quantos. É uma produção caudalosa que é impossível de acomodar em qualquer lugar, ainda mais no espaço restrito do jornal de papel. Ainda mais que o conto hoje é uma forma literária que passa provavelmente por uma saturação semelhante à que se seguiu ao boom dos grandes contistas dos anos 70 e 80. Muita coisa sendo produzida, etc.

Daí vou tentar dar minha contribuição pessoal aqui no blog. Com este post, anuncio que damos início à série “Bairrismo? Conta outra” - o título é provisório. De 15 em 15 dias publicarei aqui neste espaço uma resenha detalhada de um livro de contos escrito por autor gaúcho de publicação recente.  Vamos às inevitáveis perguntas:

Por que contos? pelos motivos explicitados anteriormente, contos não parecem ter tanto espaço quanto romances – inclusive no meu próprio trabalho, como percebi analisando o blog. Logo, vamos dar um espaço para essa contarada toda.

Por que de 15 em 15 dias? Você leria um livro em menos tempo do que isso? Com certeza. Você leria um livro em menos tempo do que isso sem interromper todas as coisas que você precisa fazer numa jornada de oito horas de trabalho e ainda tendo que ler vários outros livros no processo tentando não perder sua vida nisso? Duvido.

Por que no blog e não no jornal? No blog eu tenho mais espaço e depende só de mim.

Quem é que vai ler isso? Não sei. Talvez só o autor do livro, talvez nem ele.  Talvez você que tenha curiosidade por saber o que anda sendo produzido.

Fiquem atentos então à semana que vem, quando publicarei a primeira resenha.


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