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Retratos Poéticos – Lorena Martins

02 de junho de 2012 0

Gaúcha de Dom Pedrito, Lorena Martins não aborda a viagem apenas no título de seu livro de estreia, Água para Viagem (7Letras). Já morou em Paris, Londres e Brasília, e atualmente reside no Irã.

Mundo Livro – Como você se colocaria no atual momento da poesia nacional? Quem são suas “sombras” dentro da tradição, se é que existem?
Lorena Martins –
Acho complicado me colocar no atual momento da poesia nacional. quem pode fazer isso é o crítico, o teórico, o leitor. eu apenas escrevo e gosto de compartilhar a minha poesia com as pessoas. Sobre “sombras”, posso apenas falar sobre o que leio.  Alguns dos meus poetas de cabeceira são Drummond, Ana Cristina Cesar, Wislawa Szymborska, Alejandra Pizarnik, Eugénio de Andrade, Herberto Helder, Armando Freitas Filho, Hilda Hilst, Ferreira Gullar, Fabrício Carpinejar.  E há também a presença da prosa na minha formação e naquilo que escrevo, é claro.

ML – Com quem dentre os  poetas em atividade acreditas que tua obra estabelece algum diálogo, seja em temas, seja na forma. E quem são seus interlocutores entre os atuais poetas?
Lorena –
Dentre os poetas em atividade, dialogo e me identifico mais com fabrício corsaletti, bruna beber, armando freitas filho e ana martins marques. se a minha poesia estabelece um diálogo com a deles, entretanto, é uma outra é questão; é possível e seria uma honra para mim, são poetas que muito admiro.

ML – Seus versos, ao menos em Água para Viagem, não rejeitam o lirismo, o sentimento, e parecem buscar as sensações do leitor, provocá-lo emocionalmente, comunicar-se com ele. Você aceita essa dimensão comunicativa da poesia conscientemente em seu trabalho?
Lorena
– Poesia, para mim, tem de ter sangue. se for muito cerebral, nada me diz. partindo desse pressuposto, muitos temas e caminhos podem ser percorridos. Eu escolho o amor, a observação do mundo, a experiência, o suspiro.
A poesia nasce do espanto, como diz Gullar.

ML – Você se sente uma artista à vontade para experimentar sem que haja necessidade de um programa póetico/político como o das vanguardas do século 20?
Lorena
– Sem dúvida. a poesia é o lugar onde eu exerço toda minha liberdade e individualidade. não me interessa nenhum programa poético/político

Um poema de Lorena Martins

eu curo meu silêncio
com gaze, museus
mercúrio
a noite em claro

a semana chove
ferida
ninguém mais suporta
molhar os pés

eu peço um duplo
cafeína, vodka,
versos
fotos de abajur

à meia-noite
suspira
billie na calçada
a heaven just for two

é uma saga

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