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Retratos Poéticos - Fabrício Corsaletti

02 de junho de 2012 0

Para a matéria deste sábado no Cultura, conversamos também com o poeta Fabrício Corsaletti. Nascido em Santo Anastácio (SP), em 1978,  hoje reside em São Paulo. Publicou seu primeiro livro, Movediço, em 2001, seguido por Sobrevivente (2003) – ambos por editoras pequenas, e mais tarde reunidos a inéditos no volume Estudos para o Seu Corpo, publicado em 2007 pela Companhia das Letras. Esquimó é seu lançamento mais recente, pela mesma editora. É colunista da Folha de S.Paulo

Mundo Livro – Como você se colocaria no atual momento da poesia nacional? Quem são suas “sombras” dentro da tradição, se é que existem?
Fabrício Corsaletti –
Me coloco como alguém que escreve poesia porque precisa fazer isso. Não sei me situar dentro da poesia nacional, nem acho que seja meu papel pensar nesse tipo de coisa, e sim da crítica, dos leitores. Não vejo minhas influências como sombras, mas como inspiraçoes. São elas: Manuel Bandeira, Drummond, Vinicius, Murilo Mendes, Joao Cabral, os modernos, enfim. Dos poetas recentes, gosto muito de Paulo Henriques Britto, Alberto Martins, Fabiano Calixto, Angélica Freitas, Eucanaã Ferraz.

ML – A sua poesia, ao menos a que li, é marcada por concisão, um humor  com pegada pop e ao mesmo tempo muita clareza de enunciação e de prosódia. Aceitas, em teus poemas, uma dimensão comunicativa da obra? Teus versos tentam se comunicar com o universo interior do leitor?
Corsaletti –
Aceito a comunicação, sim, mas não me preocupo com isso. Mesmo porque não sei como um outro, o leitor, lê os meus poemas. Escrevo-os como acho que eles pedem pra ser escritos. Sou fiel à minha intuição. Todo o resto é secundário.

ML – Mesmo os pontos mais experimentais de tua poesia me parecem imbuídos de ironia, de tratar também a experimentação como uma atividade lúdica. Te sentes um artista à vontade para experimentar sem que haja necessidade de um programa póetico/político como o das vanguardas do século 20?
Corsaletti –
Sim, me sinto, dentro dos meus limites, que são muitos, bastante livre. Não tenho um programa poético/político. Penso poema a poema, e depois livro a livro.

ML – Com quem dentre os escritores/poetas em atividade acreditas que tua obra  estabelece algum diálogo, seja em temas, seja na forma, ou mesmo quem são  teus interlocutores entre os atuais poetas?
Corsaletti –
Os poetas que citei na primeira pergunta. Sem ter lido a poesia da Angélica Freitas, por exemplo, não sei se eu teria chegado em alguns dos poemas de Esquimó, meu último livro de poemas. Ler os poemas dela foi uma descoberta, uma felicidade.

Um poema de Fabrício Corsaletti

Everything is broken
(de Esquimó)

a rua está quebrada
minhas botas
estão quebradas
minha voz
está quebrada
meu pensamento
está quebrado
as portas
estão quebradas
o despertador está quebrado
a noite está quebrada
a manhã
será quebrada _

há uma pessoa no mundo
que não está quebrada
e eu estou ao seu lado
como se não estivesse quebrado _

a alegria
está quebrada
o cansaço
está quebrado
tudo está quebrado

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