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Good-bye, Illustrated Man

06 de junho de 2012 0

Ray Bradbury em uma sessão de autógrafos em 1997. Foto: AP

Ray Bradbury, um dos autores responsáveis por tirar a ficção científica do gueto restrito dos fãs e alçá-la à estratosfera da grande literatura morreu na noite da última terça-feira, aos 91. O anúncio foi feito por Alexandra Bradbury, que disse que seu pai, autor de clássicos como Crônicas Marcianas e Fahrenheit 451, faleceu na Califórnia, onde vivia.

Nascido em Waukegan, no estado americano do Illinois, Bradbury começou a escrever contos e histórias de ficção científica para revistas populares pouco depois de completar 21 anos, nos anos 1940. Em 1950, com 30 anos recém-completos, ele se tornou um nome referencial dentre os autores de ficção científica com a publicação da coletânea de contos Crônicas Marcianas – até hoje um de seus livros de maior reputação crítica, cujo débito com o personagem John Carter de Marte, de Edgar Rice Burroughs, o próprio Bradbury admitiu em um texto para a revista New Yorker. Na obra, a colonização de Marte é usada como pretexto para que o jovem autor abordasse as questões prementes de seu tempo, no auge da Guerra Fria. Os terráqueos se dirigem a Marte para escapar de uma Terra em perigo devido à iminente Guerra Nuclear, e lá encontram uma civilização autóctone diante da qual repetem os mesmos conflitos da colonização europeia das Américas.

Ainda nos anos 1950, Bradbury apresentaria ao mundo outra gema que transcendia os limites da ficção científica: Fahrenheit 451, publicado em 1953. No livro, um bombeiro, em vez de apagar incêndios, faz parte de uma equipe encarregada de queimar livros – com seus proprietários junto, se preciso. Enquanto a literatura se torna clandestina, os cidadãos preferem a companhia dos seres imaginários de uma novela holográfica transmitida diariamente – numa antecipação visionária do potencial narcotizante da ainda recente televisão e da própria cultura de massa. Clássico do gênero, o livro foi transformado em um dos grandes filmes do cineasta François Truffaut, em 1966 (a propósito, cliquem aqui e leiam o texto do meu camarada Daniel Feix no Cineclube ZH a respeito do Bradbury cinematográfico).

Bradbury conheceu seu auge de popularidade entre os anos 1950 e 1980, quando publicou ainda obras com legiões de fãs como S is for Space, Dandelion Wine (que a Bertrand Brasil deve lançar em breve como O Licor do Dente-de-Leão) e Illustrated Man. Seu último livro, a coletânea de contos The Cat’s Pajamas, é de 2004. Apesar de sua crítica à televisão, o autor também trabalhou para o veículo, como roteirista em séries fantásticas como Além da Imaginação ou de suspense, como Alfred Hitchcock Apresenta. Nos anos 1980, teve seu próprio programa, The Ray Bradbury Theatre, para o qual ele próprio adaptou 65 de seus contos. Também foi o roteirista da adaptação cinematográfica de Moby Dick, dirigido por John Huston em 1956 a partir da obra de Herman Melville. Em seus últimos anos, contudo, Bradbury insistia em declarar que sua obra não era ficção científica, era tão-somente ficção.

O autor teve um impacto definitivo na cultura pop e, ao lado de nomes como Arthur C. Hailey, Isaac Asimov e Robert A. Heinlein, deu feição e respeitabilidade à ficção científica como um gênero que, para além das traquitanas tecnológicas, explorava de modo alegórico os desvãos da condição humana. Suas obras venderam mais de 8 milhões de exemplares e foram traduzidos para mais de três dezenas de idiomas, além de terem sido adaptados para cinema, TV e quadrinhos.

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