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O homem que viu o amanhã

25 de junho de 2012 0

O escritor Philip K. Dick

Texto de Luiz Domingues

Philip Kindred Dick não viu suas histórias serem levadas ao cinema. Nascido em Chicago, em 1928, o escritor morreu na Califórnia, vítima de ataque cardíaco, em março de 1982, três meses antes da estréia de Blade Runner. A coincidência acabou por impulsionar a venda das obras de Dick, que, em 1963, já ganhara o prêmio Hugo,um dos mais importantes da ficção científica, com O Homem do Castelo Alto, sobre um mundo onde os aliados haviam perdido a II Guerra.

Dick escreveu 36 romances e mais de cem contos. Entre as traduções para o português estão Loteria Solar (Ediouro), Minority Report (Record), O Homem Duplo (Rocco), Os Três Estigmas de Palmer Eldritch, Ubik, Vialis Valis (os três pela Aleph) e A Invasão Divina (Melhoramentos). O Caçador de Andróides (Andróides Sonham com Ovelhas Eletrônicas?), de 1963, foi publicado no Brasil 20 anos depois, pela Francisco Alves, e reeditado em 2007 pela Rocco. A coletânea de contos O Vingador do Futuro (E Nós Podemos Lembrar Você por Atacado) saiu em 1991, e mais tarde o mesmo conto foi republicado, com o título de Podemos Recordar para Você, por um Preço Razoável na coletânea Minority Report: a Nova Lei, desta vez batizada com o nome da adaptação para o cinema da vez.

No futuro imaginado por Dick, nada é o que parece ser. Seus personagens, repentinamente, vivem o impossível, têm o destino alterado e retorcido, perdem o controle e a compreensão da realidade. Debatem-se mais e mais, até encontrarem as fundações do que deve ser real. Mas que nem sempre é. Dick trabalha com uma frágil visão da realidade, a humanização das máquinas e visões polêmicas do futuro. Conflitos religiosos e sociais são freqüentes em seus livros, assim como invenções cibernéticas e seus efeitos sobre os homens. Sua obra é decididamente pessimista – parece não acreditar que um dia seremos capazes de usar com discernimento a tecnologia.

O escritor, que desconfiava das autoridades e simpatizava com a contracultura, tinha esquizofrenia paranoide e medo de lugares abertos. Casado cinco vezes, passou os anos 70 envolvido com drogas (como anfetaminas) e experiências religiosas: “Nós vivemos em uma sociedade na qual realidades falsas são manufaturadas pela mídia, pelos governos e pelas grandes corporações“, escreveu. Num mundo em que identidades e cartões de crédito são clonados por computadores e celulares, e-mails podem ser falsificados, câmeras nos vigiam e inovações tecnológicas nos impõem novos dilemas éticos e morais, as visões sombrias do futuro profetizadas por Philip K. Dick não parecem assim tão distorcidas.

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