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Conhecendo os 20 mais

10 de julho de 2012 2

Como vocês puderam ler semana passada, a revista britânica Granta divulgou sua lista de 20 melhores “jovens escritores” do Brasil, a primeira do gênero dedicada pela editora à literatura brazuca. A lista dos “20 melhores” da Granta já é uma instituição pela capacidade de mapear nomes que confirmam seu potencial de expoentes anos mais tarde. Na primeira seleção dos melhores autores britânicos, em 1983, figuravam nomes como Salman Rushdie, MartinAmis, Julian Barnes e Ian McEwan. Duas outras listas britânicas foram compiladas em 1993 e 2003 (uma quarta virá em 2013), além de versões dos EUA e da América Latina (esta última ainda pode ser encontrada nas livrarias).

A compilação brasileira selecionou 20 nomes dentre 247 inscritos. Podiam inscrever textos autores já publicados em livro impresso (valendo antologias coletivas) e com menos de 40 anos. Vamos dar uma olhada pessoalíssima no que já comentamos aqui no blog daqueles cujas obras conhecemos (admitindo aqueles que não conhecíamos)

>> > Update (18h10min):
Fui ler um post sobre o mesmo tema publicado pelo blog A Biblioteca de Raquel, da Raquel Cozer, e descobri que um dos comentaristas da discussão suscitada pelo post abriu um espaço online Off-Granta, para que os 227 não selecionados possam enviar seus textos para comparação com os que foram escolhidos. Para quem ficou curioso ou para os rejeitados interessados em abastecer o blog, o link é http://offgranta.wordpress.com/

Antonio Prata
Filho do ficcionista e roteirista Mario Prata, fez seu nome com crônicas de imprensa e histórias curtas de pegada humorística como as reunidas no livro As Pernas da Tia Corália (Objetiva, 2003), que passeia por situações entre o cotidiano e o absurdo – como, por exemplo, perceber formas e texturas insuspeitadas na polpa roxa de uma carnuda berinjela ou o relato de um agnóstico que descobre, depois da morte, que o céu existe. É dono de um texto hábil e de linguagem bem cuidada. Já li várias de suas crônicas (muito populares em compartilhamentos na internet) e dois de seus livros de contos, mas nunca resenhamos nenhum deles aqui no blog. Uma curiosidade: um de seus primeiros livros é Cabras: Caderno de Viagem, em parceria com Paulo Werneck, Zé Vicente da Veiga Chico Mattoso – este último também presente na seleção da Granta.

Antônio Xerxenesky
Porto-alegrense, estreou na literatura com o livro de contos Entre, mas considera sua”estreia oficial” o romance Areia nos Dentes (2008). Lançou no ano passado o volume de contos A Página Assombrada por Fantasmas (R0cc0, 2011) e trabalha agora em novo romance, F para Welles, cujo trecho está publicado no volume da Granta. É um autor que trabalha mesclando pastiche, ensaio literário e metaficção. Areia nos Dentes segue em paralelo uma narrativa de vingança e zumbis no faroeste e a história de um mexicano nos dias de hoje que escreve a outra história que estávamos lendo. O próximo romance de Xerxenesky, nas suas próprias palavras, gentilmente enviadas para o blog, “envolve muita pesquisa e provavelmente só ficará pronto lá por 2013. Fala de Orson Welles, cultura oitentista, as relações entre ética e estética, ditadura brasileira, F for Fake, impostura e outras cousas malucas. A trama se passa em 85 e é narrada por uma mulher carioca contratada para assassinar Orson Welles.” Aqui no blog, você pode ler uma entrevista de Xerxenesky sobre seu livro de contos A Página Assombrada por Fantasmas (aqui), outra entrevista concedida um pouco antes quando fizemos um panorama dos destaques da literatura gaúcha abaixo dos 30 (aqui) e uma resenha para Areia nos Dentes (aqui)

Carol Bensimon
Outra porto-alegrense que eu incluiria, com Xerxenesky, no que a revista Aplauso chamou em uma de suas edições de a “Não Geração” – até porque ambos começaram a publicar na Não Editora. Carol publica em revistas, antologias e na internet desde meados dos anos 2000, fez sua estreia em livro solo com o conciso Pó de Parede (Não Editora, 2008), reunião de três narrativas breves entre novela e conto. O livro lhe valeu o título do 1º gauchão de Literatura (leia mais aqui). Em 2009, publicou pela Companhia das Letras o romance Sinuca Embaixo D’água – a obra que lhe atraiu atenção nacional, finalista dos prêmios São Paulo, Jabuti e Bravo!. O trecho publicado em Granta faz parte de seu novo romance, Faíscas, que ela própria define como uma “história de estrada” em alguns posts de seu blog no site da Companhia das Letras. Leia aqui no blog uma entrevista com a autora (aqui), e resenhas de seus livros Pó de Parede (aqui) e Sinuca Embaixo D’Água (aqui)

Carola Saavedra
Chilena de nascimento, mas criada no Brasil desde os três anos de idade, estreou na literatura em, 2005 e vem publicando desde então uma obra prolífica. Seu primeiro livro foi a coletânea de contos Do lado de fora (7Letras, 2005), da qual passou para os romances Toda Terça (2007), Flores azuis (2008 — eleito melhor romance pela Associação Paulista de Críticos de Arte) e Paisagem com dromedário (2010 —Prêmio Rachel de Queiroz na categoria jovem autor), todos pela Companhia das Letras. Dela, li Toda Terça, que achei ótimo, e Flores Azuis, que não me agradou, e por isso evitei o Dromedário. Você pode ler um breve texto sobre Toda Terça aqui no blog.

Chico Mattoso
Tem com Carola Saavedra a peculiaridade de ser nascido no Exterior (na França, no caso) e criado no Brasil. Seu primeiro romance, de 2007, Longe de Ramiro, foi bastante elogiado na época, e finalista do prêmio Jabuti, mas não li. Em 2011, publicou pela Companhia das Letras seu segundo livro, Nunca vai embora, parte do projeto Amores Expressos, resultado de uma estadia do autor em Havana.  Publicamos uma resenha desse livro aqui (em combo com O Livro de Praga, de Sérgio Sant’Anna, também resultado do projeto).

Cristhiano Aguiar
A biografia divulgada junto com a lista me diz que é paraibano, autor de um livro de contos autopublicado como folheto e que o conto que mandou para a Granta saiu de um outro volume de contos, inédito. Eu particularmente nunca tinha ouvido falar.

Daniel Galera
Oriundo da trupe do CardosOnline, estreou na literatura em 2001, com Dentes Guardados, coletânea de contos que marcou o lançamento da Livros do Mal, que manteve em sociedade com Daniel Pellizzari. De lá para cá, firmou-se como tradutor, roteirista, ensaísta e como um dos grandes ficcionistas de sua geração, com Até o Dia em que o Cão Morreu (Livros do Mal, 2003), Mãos de Cavalo (Companhia das Letras, 2006), Cordilheira (Companhia das Letras, 2008). Seus personagens costumam ser criaturas às voltas com a construção da própria identidade, nem sempre a que é percebida pelo olhar externo.. Apneia, o texto que mandou para a Granta, faz parte do romance recém concluído Barba Ensopada de Sangue, que deve sair pela Companhia em Novembro. Leia aqui uma resenha de Cordilheira e um conto comentado de Dentes Guardados, na breve série que mantivemos no blog, Conto da Quinzena (o que me lembra: estou devendo ainda a nova edição do Bairrismo? Conta Outra, mas ela virá, acreditem).

Emilio Fraia
Coautor, com Vanessa Bárbara, também inclusa nesta lista, de O Verão do Chibo, romance de formação simpático mas que, para mim, não me dá uma amostra do que o rapaz pode fazer (é difícil avaliar os méritos individuais de um romance quando duas pessoas o escreveram sem demarcações de quem fez o quê).

Javier Contreras
Mantendo a internacionalização que é uma marca desta lista, é um baiano filho de chilenos emigrados, nascido em Salvador mas residente desde a infância em Santos. Escreveu dois romances Imóbile (7Letras, 2008), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, e O Dia em que Eu Deveria Ter Morrido (Editora Terceiro Nome, 2010), premiado com uma bolsa literária do Governo do Estado de São Paulo. Cheguei a começar o segundo, mas tive3 de deixar de lado e não o concluí.

João Paulo Cuenca
Não sei se isso não deve ser um mérito, mas todo livro que leio de J.P. Cuenca me parece escrito por um autor diferente (eu não vejo como um mérito, vejo como um autor de voz tão dispersa e incerta que não parece ter personalidade, mas já ouvi outros autores dizerem a mesma frase em tom de elogio). Corpo Presente é uma história sufocante de marginalidade urbana, escrita com uma sintaxe pesada, ainda que sofisticada, para narrar a busca do protagonista pela mulher que alimenta sua obsessão, Carmen, Já O Dia Mastroianni é uma peça farsesca escrita com uma dicção falsamente empolada que garante alguns momentos de divertimento. No blog, nossa ex-colega Tássia Kastner fez uma resenha do livro O Único Final Feliz para uma História de Amor é um Acidente.

Julían Fuks
Voltando àquele “internacionalismo caldo geográfico” do qual falávamos, este autor é paulista filho de pais argentinos. Jornalista, ex-repórter da Folha de São Paulo. Dele só li Histórias de literatura e cegueira {Borges, João Cabral e Joyce}” (Record, 2007), mas se não me engano ele venceu uma das edições do Prêmio Josué Guimarães da Jornada Nacional de Passo Fundo.

Laura Erber
Conhecia o nome mais como artista plástica, mas é autora de quatro livros de poesia, nenhum dos quais eu tenha lido. Vai publicar seu primeiro romance em 2013 pela Alfaguara.

Leandro Sarmatz
Jornalista de formação, tem uma carreira cuja marca é a pluralidade. Dramaturgo, escreveu a peça Mães & Sogras (2000), recentemente encenada em Porto Alegre. Enveredou pela poesia com o volume Logonauta (2009) e deu a público sua prosa na coletânea de contos Uma Fome (2010). Também atua como editor e vem trabalhando na reedição da obra de Carlos Drummond de Andrade. Você pode ler aqui no blog uma resenha de Uma Fome (aqui).

Luisa Geisler
Mais jovem integrante da turma de selecionados, é bicampeã do Prêmio Sesc de Literatura. Em 2011, publicou seu primeiro livro, os contos de Contos de Mentira, vencedor do prêmio na categoria conto, e este ano está saindo seu romance Quiçá, por ter vencido a mesma premiação na categoria narrativa longa (ambos foram publicados pela Record).

Michel Laub
Outro dos autores que tornam esta coletânea um projeto significativo. É um dos principais escritores brasileiros de sua geração em atividade. Jornalista de formação, começou no conto com Não Depois do que Aconteceu (1998) e depois partiu para o romance, gênero no qual firmou uma das mais sólidas reputações recentes com Música Anterior (2001), Longe da Água (2004), O Segundo Tempo (2006), O Gato Diz Adeus (2009) e Diário da Queda (2011). Tem se afirmado pelo domínio da frase como objeto estético – algo nem sempre levado a sério na nova geração de autores. Aqui no Mundo Livro você pode ler uma entrevista com o autor concedida na época do lançamento de Diário da Queda, uma resenha de O Gato Diz Adeus (aqui) e um texto sobre Longe da Água e O Segundo Tempo (aqui)

Miguel Del Castillo
Nunca tinha ouvido falar, mas a biografia oficial diz que é autor de um conto incluído numa coletânea em 2010. Mandou para a seleção o conto Violeta, que estará em seu primeiro livro de contos, ainda sem data de lançamento.

Ricardo Lísias
Controverso pela forma desabusada com que por vezes critica o atual panorama da literatura contemporânea, Ricardo Lisias é autor de Anna O. e Outras Novelas (Globo), finalista do Prêmio Jabuti de 2008, Cobertor de estrelas (Rocco), Duas Praças (Globo), O Livro dos Mandarins (Alfaguara, 2010), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2010 e O Céu dos Suicidas (Alfaguara, 2012). Não li este último, e acho o primeiro, Anna O., realizado com mais garra do que méritos. Mas O Livro dos Mandarins é uma das ficções mais desconcertantes em forma e conteúdo que um autor brasileiro lançou na última década. O romance ganhou, merecidamente, a edição do ano passado da Copa de Literatura Brasileira. Nosso colega Gustavo Brigatti escreveu sobre o livro aqui neste texto (clique aqui)

Tatiana Salem Levy
Outra das grandes autoras em atividade no Brasil, estreou com um belo e seguro romance, A Chave de Casa (Record, 2007), vencedor da primeira edição do Prêmio São Paulo, seguido por Dois Rios, romance que ela publicou neste ano. Já esteve na Feira do Livro de Porto Alegre na época em que estava divulgando a coletânea Primos, com narrativas de escritores brasileiros de ascendência árabe e judaica no mesmo volume (leia aqui a cobertura da mesa que ela dividiu com Cíntia Moscovich, Fabrício Carpinejar e Moacyr Scliar). Você pode ler aqui também uma resenha de seu primeiro romance, A Chave de Casa.

Vanessa Barbara
Jornalista, escritora e tradutora. Dela, já li O Verão do Chibo – que não serve como parâmetro pelos mesmos motivos explicitados ali no verbete do Emílio Fraia, coautor da obra – e ótimas reportagens escritas para a revista Piauí. Também me encantei com sua preciosa joia jornalística O Livro Amarelo do Terminal, uma grande reportagem de inspiração gaytalesiana sobre o terminal rodoviário de São Paulo e a miríade de histórias escondidas sob o gigantismo daquela babel. Ela traduziu recentemente, para a coleção Penguin da Companhia das Letras, O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald, e nos concedeu uma entrevista sobre o trabalho de tradução (leia aqui). Ela mandou para a Granta um texto de nome Noites de Alface – trecho de um novo romance ainda sem data de publicação.

Vinicius Jatobá
Carioca de quem eu conhecia as críticas para revistas como EntreLivros, Rascunho e nos cadernos Sabático, do Estadão, e Prosa & Verso, do Globo. É um daqueles casos surpresa que sempre surgem em toda lista, porque é o nome que muitos levantam para contestar a seleção (só publicou em antologias e ainda não tem livro solo, mas é um nome que circula por aí há muito tempo). Não li nada além dos textos críticos, nem o que ele mandou para a Granta, então não tenho como opinar.

Comentários (2)

  • Mundo Livro » Arquivo » O que você está lendo, Antônio Xerxenesky? diz: 11 de julho de 2012

    [...] Vamos então a mais uma dica da nossa série O Que Você Está Lendo?, desta vez interrogando Antônio Xerxenesky. Porto-alegrense, é autor do romance Areia nos Dentes, publicado em 2008 pela Não Editora e reeditado pela Rocco em 2010 (leia textos sobre o livro aqui e aqui). Seu livro mais recente é a coletânea de contos A Página Assombrada por Fantasmas, também pela Rocco em 2011.  (leia entrevista aqui). É um dos editores da Não Editora, para a qual organiza a revista online de crítica e literatura Cadernos de Não Ficção.  E trabalha atualmente como redator do site do Instituto Moreira Salles, onde pode ser lido no blog da instituição. Foi um dos 20 autores selecionados para a edição dos 20 melhores jovens escritores brasileiros da revista Granta (leia o post abaixo). [...]

  • Mundo Livro » Arquivo » O cerne e a superfície diz: 19 de julho de 2012

    [...] Ou: como leremos a seleção da Granta [...]

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