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O banquete do Bill

12 de julho de 2012 0

Bill Geman entre Keith Richards e Ron Wood. Foto: Divulgação, Nova Fronteita

Texto de René Müller

Bill German era o editor da que tenha sido, talvez, a mais bem-sucedida fanzine já editada. A Beggars Banquet era produto de seu esforço pessoal, solitário. Detalhe: o garoto tinha apenas 16 anos quando transformou sua devoção
pelos Rolling Stones em um informativo periódico. O que fez a publicação vingar foi o fato de que, assim como três dos stones, German estava em Nova York quando a proximidade com os ídolos importava. Era um típico jovem do subúrbio, que precisava pegar o trem para conseguir cruzar com Keith Richards e Ron Wood na entrada e saída de casas noturnas ou de shows. Isso não impediu que, aos poucos, fosse se tornando amigo dos dois. E aí está o cerne de seu fantástico livro, que acaba de sair no Brasil.

Para quem lê a orelha, ou presta atenção no subtítulo de Under Their Thumb – Como um bom garoto se misturou com os Rolling Stones e sobreviveu para contar (Trad. Renato Rezende e Aline Cordeiro. Nova Fronteira. 448 págs. R$ 44,90)-, a impressão que fica é a de que Bill teve a sorte de conviver com o grupo por algum motivo meio banal, e resolveu faturar uma grana em cima do privilégio. É uma impressão que logo se mostra errada. Bill escreve e edita na raça uma publicação para fãs. Consegue contatos quentes. Pouco depois, está entregando exemplares da Beggars Banquet na mão de Keith e Woody – e pode comprovar que eles estão lendo seu fanzine. Cria uma boa amizade com os dois, uma relação tensa, quase sempre distante com Mick Jagger, e não consegue se aproximar de Charlie Watts.

Por um momento, os Stones e sua organização perceberam que a fanzine era uma ótima maneira de promoção entre seus fãs – ela tinha milhares de assinantes no mundo. Quando lançaram Undercover, em 1983, a Beggars Banquet tornou-se parte da máquina promocional oficial do grupo. Uma relação temporária que, para o editor German, acabou tendo muitas desvantagens, como a falta de autonomia. Todas as edições da publicação tinham de ser previamente aprovadas pelos músicos, e muito do que havia para ser publicado era vetado.

O autor teve acesso à intimidade dos dois guitarristas no momento mais delicado do grupo – as gravações e a promoção de Dirty Work (1986), quando a animosidade entre Keith e Jagger chegou perto do intolerável – e também no que considera a virada não apenas da banda, como do modelo do showbiz: a turnê de Steel Wheels (1989), em que os Stones tornaram-se basicamente uma grande corporação impessoal, máquina de vender ingressos, diga-se, com preços quintuplicados).

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