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Páginas que rolam

12 de julho de 2012 0

Os Stones no começo. Foto: Mark Hayward e Philip Townsend, Divulgação

Na semana que se comemora o Dia Mundial do Rock, coincidentemente também completam cinquenta anos de atividade os ícones mais longevos do ritmo: os Rolling Stones. Como uma das maiores bandas do planeta e há tanto tempo em atividade, os Stones não apenas produziram horas de canções, mas foram o tema de quilômetros de palavras impressas e são um dos temas mais abordados por jornalistas, fotógrafos e escritores em um ramo do mercado editorial que já é sólido lá fora há tempos, mas que por aqui ganhou força apenas nos últimos anos: o das obras biográficas, ensaísticas ou históricas sobre grandes astros da música. Por falar nisso, em um Dia Mundial do Rock anterior elaboramos uma “Biblioteca Básica Roqueira” com alguns dos bons exemplares do gênero publicados aqui no Brasil. Confira aqui.

Os Stones, dizia-se, já foram alvo de praticamente toda e qualquer abordagem literária, das mais sérias às mais sensacionalistas: já teve história da banda, história de um único disco gravado pela banda, biografia autorizada de integrante da banda, biografia não autorizada de integrante da banda, depoimento de roadie, depoimento de amigo, depoimento de namorada de integrante da banda, livros de fotos icônicas, livros de fotos íntimas desmontando a imagem icônica… Nos Estados Unidos e na Inglaterra daria para construir uma casa usando como tijolos os volumes que já se editaram sobre os Stones.

E algo desse material vem saindo aqui no Brasil. Por isso, para marcar este cinquentenário dos Stones, vamos publicar neste e nos próximos dois posts três resenhas sobre importantes obras recentemente reeditadas para partilhar com os leitores aqui do blog, um delas escrita pelo colega Francisco Dalcol, aqui da Zero, uma assinada pelo René Müller e outra pelo Marcos Espíndola, ambos do Diário Catarinense. Folheia que isso aí é rock’n’roll:

A verdade de um sobrevivente
Texto de Francisco Dalcol

O que faria você ler mais de 600 páginas sobre a história de um velho roqueiro? Muitos são os motivos, considerando que o personagem é Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, e que o livro, Vida (Editora Globo, 640 páginas, R$ 40 em média) é uma autobiografia que traz, segundo o próprio, 100% de conteúdo verdadeiro. Sem contar o fino humor que acompanha cada página.

Tudo o que se contou e especulou a respeito de Richards criou uma espécie de curiosidade mórbida sobre como ele sobreviveu a tantos anos de abusos. No livro, ele conta tudo: sua relação com os narcóticos, suas inúmeras quase-overdoses e a forma como conseguiu (e garante) ter se livrado de tudo. Richards revela que, durante boa parte de sua vida, dormiu apenas duas noites por semana. O que significa que ficou acordado por “pelo menos três vidas”. Seu recorde de resistência foram nove dias acordado. O livro relata dezenas de prisões e problemas com a polícia, cada um mais engraçado que o outro.

Mick Jagger não é poupado. Do começo, como grande parceiro, ele chega ao meio do livro como uma espécie de traidor, na visão de Richards, com seu deslumbre pela fama, suas tentativas de assumir o controle da banda e, em função disso, aumentar gradativamente seu distanciamento do restante da banda. Vida deixa clara toda a paixão de Richards pelo blues de Junior Wells, John Lee Hooker e Muddy Waters. E para os músicos, chega a ser arqueológico quando ele fala dos segredos da afinação aberta em sol, com cinco cordas no instrumento, técnica que redefiniu o som dos Stones no fim dos anos 60.

Em linha do tempo 3D, explore a história da banda:

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