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O que você está lendo, Silviano Santiago?

18 de julho de 2012 0

Silviano Santiago fala na abertura da Flip. Foto: Divulgação, Flip

Nosso convidado de hoje da série O Que Você Está Lendo? é o ficcionista e crítico Silviano Santiago. Mineiro de Formiga, onde nasceu em 1936, Santiago já enveredou pelo conto, pelo romance e pela poesia. Recebeu em 1981 o Prêmio Jabuti pelo romance Em Liberdade, uma “falsa continuação” para as Memórias do Cárcere do escritor Graciliano Ramos. Seu romance Heranças, de 2008, recebeu o Prêmio ABL de ficção no ano seguinte, e foi finalista do Portugal Telecom e (outra vez) do Jabuti. Sua ficção inclui ainda, entre outros, romances como Stella Manhattan, referencial anárquico nos anos 1980, O Falso Mentiroso,  e livros de contos como Keith Jarret no Blue Note.  Na seara da crítica, Santiago, é um dos grandes nomes da academia a refletir sobre nacionalidade e interpretação de identidades nacionais na literatura. Professor emérito da Universidade Federal Fluminense, publicou textos clássicos dos estudos literários, como Uma Literatura nos Trópicos, no qual desenvolveu o conceito de ”entre-lugar”, ainda hoje fundamental para o campo dos Estudos Culturais. No início de julho, foi um dos convidados de abertura da Festa Literária Internacional de Paraty, com uma conferência sobre o homenageado Carlos Drummond de Andrade.


O que você está lendo, Silviano Santiago?

Por ter estado recentemente em Bogotá e ter-me surpreendido com a graça de uma cidade centauro, onde o velho e o novo se fundem, fui reler um conto de Guimarães Rosa que lá se passa. Páramo, conto inédito e dado como inacabado, hoje em Estas Estórias. Nocauteou-me. Rosa sai da geografia regional mineira, que tanto o encanta e lhe rende juros, para apreender – no degredo nas alturas dos Andes (1942-1944), que se seguiu aos 100 dias num campo de internamento nazista, em Baden-Baden, – o Nosso Tempo, para retomar o poema de Drummond em A Rosa do Povo. Apreende-o de maneira surpreendente e simbólica. A coação política no campo de internamento em Baden-Baden se casa à asfixia física causada pelo soroche, o mal das alturas. A dupla e trágica experiência dos tempos de guerra leva Rosa a criar um personagem tomado por crise psicótica. Caminha pelas ruas de Bogotá carregando às costas o seu duplo, “o homem com fluidos de cadáver”. Imperdível..

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