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O que você está lendo, José Castello?

25 de julho de 2012 0

O escritor José Castello em Porto Alegre. Foto: Adriana Franciosi, ZH

Na seção O Que Você Está Lendo?, o depoimento de hoje é de José Castello, jornalista, crítico e escritor. Castello é autor da até hoje considerada fundamental biografia de Vinicius de Moraes: Vinicius – o Poeta da Paixão (Companhia das Letras, 1993). Voltaria ao poeta para traçar seu itinerário poético em Vinicius de Moraes: Geografia Poética (Relume/Dumará, 1996). Do mesmo ano é a biografia de João Cabral de Mello Neto, O Homem sem Alma (Rocco). Inventário das Sombras (Record, 1999) é outro de seus livros com perfis de autores como José Saramago, Nelson Rodrigues e Adolfo Bioy Casares, entre outros. Estreou na ficção em 2001, com Fantasma, um pastiche de suspense ambientado na Curitiba em que o autor vive. Em 2010, voltou à ficção com o elogiado Ribamar, vencedor na categoria romance da 53ª edição do Prêmio Jabuti de Literatura (leia entrevista sobre o livro aqui). É colunista dos jornais Rascunho e O Globo, no qual mantém o blog A Literatura na Poltrona (clique aqui).

O que você está lendo, José Castello?

Estou lendo Una Magia Modesta, de Adolfo Bioy Casares, em uma edição argentina da Temas Editorial. Na verdade, eu o estou relendo – para me ajudar a escrever um ensaio breve a respeito da relação – que considero essencial – dos escritores com a solidão. Muitos dos personagens de Bioy Casares são homens solitários, quase abandonados, que vivem acompanhados não só por seus fantasmas, mas sobretudo por suas fantasias. A fantasia guarda esse aspecto meio mágico: vinda do “nada”, ela é muito mais potente para preencher uma vida do que grande parte dos bens materiais. As criaturas de Casares sentem-me muito menos sozinhas do que muitas pessoas que circulam em meio a grandes multidões. Essa talvez seja a “magia modesta” que o próprio Casares manejava tão bem: transformar a solidão em companhia. Fazer da solidão um palco em que personagens secretos podem não apenas desembarcar, mas desempenhar histórias e conflitos que nos ajudam a viver. Descobri Adolfo Bioy Casares ainda muito jovem, em plena adolescência, e, desde então, nunca mais o parei de ler. Creio que essa é a quarta ou quinta vez que releio Una Magia Modesta, livro que recomendo com muito entusiasmo.

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