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Descongelando os subzeros - parte 1

22 de agosto de 2012 2

Eu bem que gostaria de assumir empreitadas como esta com mais frequência – e de cumpri-las com mais celeridade, também, mas com uma série de compromissos além deste blog, quando invento uma série de posts elas, embora com intenções periódicas, acabam dependendo das conveniências do blogueiro, infelizmente. Mas se conseguirmos concluir aos poucos cada desafio, já terá valido. Digo isso porque demoramos uma semana para publicar a primeira série de resenhas dos contos incluídos em Geração Subzero, mas aqui está ela. Vamos tentar diminuir o intervalo entre esta parte e a segunda. Mas antes de irmos ao que interesse, como conhecemos a internet e não é de ontem, vamos a dois postulados básicos de todas as nossas séries de resenhas aprofundadas conto a conto. A coisa funciona assim:

Sem (muito) spoiler
Nestes textos, tento não entregar muito da trama, mas as histórias, obviamente, serão comentadas para além do mero resumo. Quem achar que até isto afetará seu prazer de leitura, pare agora.

Eu não peço desculpas…
Ninguém precisa entrar no blog retrucando que algo comentado nestas resenhas é só uma opinião minha. Não vou ficar toda hora usando fórmulas que amenizem o fato de que, em uma resenha assinada por mim, é claro que qualquer opinião é minha – salvo no caso de citações de terceiros, que serão identificadas como se deve. Ah, sim, antes que eu me esqueça: como no caso da Granta, coincidentemente também aqui meu contato prévio com alguns dos autores foi puramente profissional – algumas entrevistas, por exemplo, a maioria delas realizada em edições variadas da Feira do Livro de Porto Alegre. Não tenho amigos nem desafetos entre os selecionados.

Vamos aos textos:

O Cão, de Juva Batella
Uma história que cria um curioso paralelo involuntário com a antologia da Granta, por abrir a seleção com um conto sobre a morte de um cachorro. As semelhanças, contudo, entre este relato de Juva Batella e Animais, de Michel Laub, se interrompem aí. A narrativa aqui não é fragmentada, e sim calcada em uma certa oralidade do conto falado – as primeiras duas frases do texto são, justamente: “Contaram-me. // Reconto.”, recuperando um estilo tradicional do conto escrito principalmente no século XIX: a atribuição da história que se quer contar a um personagem narrador que, por sua vez, diz ter ouvido aquela narrativa de alguém outro, identificado ou não. É um recurso que serve para ligar o narrado ao grande emaranhado de teias e histórias que formam a tradição literária, tentando restabelecer aquele fio narrativo da grande experiência humana que Walter Benjamin considerava irremediavelmente perdido.
A história de Juva Batella começa bem. Uma jovem que acaba de se mudar com dois grandes pastores para uma vizinhança de subúrbio percebe, horrorizada, que a vizinha do lado, uma senhora gentil, tem um minúsculo poodle, praticamente feito para se tornar presa fácil para seus animais – ainda mais porque apenas uma cerca-viva separa os dois terrenos. A narrativa acompanha com tensão crescente o medo que a jovem vizinha sente a cada chegada em casa, o quanto parece óbvio que apenas por sorte os dois cachorros vigorosos ainda não massacraram o animalzinho no outro lado da divisão. Até que um dia, a jovem chega em casa para encontrar o cenário de horror que havia imaginado, e tem de decidir o que fazer.
Como eu havia comentado, há uma aparente intenção de oralidade na forma como a história é contada, embora nem sempre cumprida. Como o próprio ensaio introdutório já havia declarado, “escrever fácil é muito difícil“, e em determinados trechos o conto soa redundante e mais enrolado do que o necessário, como no trecho abaixo, em que a última frase praticamente resume toda a argumentação construída pelo que vem antes:
“Era do tipo que não perdia a oportunidade de imaginar, sempre que possível, o pior, acreditando ao mesmo tempo, no fundo da sua alma, que o pior nunca haveria de acontecer, justamente porque as coisas nunca aconteciam do modo como as imaginamos. E era essa a sua fórmula: imaginar o pior justamente para que o pior não acontecesse.
Esse caráter meio fosco da linguagem se torna um problema se comparado ao que, para mim, foi a principal questão encontrada no conto: sua trama. A história que o conto narra é uma versão estendida e tensionada de uma anedota popular que ouvi pela primeira vez aos 13 anos quando morava em São Gabriel, e que já ouvi outras vezes desde então. Dado que a matriz não é original nem surpreendente – aliás, o final me decepcionou como leitor, uma vez que havia um horror crescente na construção da narrativa que não se cumpriu – ao menos a linguagem deveria ser. Mas o conto incorpora as já mencionadas repetições  da oralidade sem uma justificativa interna que as sustente – o conto é um “causo” recontado, fato que o narrador enuncia brevemente e ao qual não volta nem mesmo ao final.

Cristais de Prata, de Pedro Drummond
A história que Drummond tem a contar nesta peça é interessante: uma jornalista de TV narra sua tentativa de produzir um livro recuperando um caso no qual praticamente tropeçou por acaso. Ao alugar uma casa em São Paulo, a moça quebra o espelho de uma penteadeira e descobre colado atrás dele um retrato antigo de um jovem em pé defronte à Estação da Luz. Atrás da foto, um recado anotado: “espero você”. Intrigada com o achado, a jornalista se lança a uma investigação sobre a identidade do estranho na foto e, após algumas idas e vindas por antiquários, bairros distantes e cidades interioranas, recupera uma história de amor malfadado na São Paulo dos anos 1940. Uma mulher casada e seu enamorado haviam combinado uma fuga desesperada dos desmandos do autoritário e poderoso marido dela. E a fuga jamais acontece – por motivos trágicos que a jornalista vai desencavando aos poucos e que têm relação com um  fato histórico real: o incêndio da já mencionada Estação da Luz em 1946.
O final traz uma surpresa indeterminada que cria mais dúvidas do que soluções, mas isso não é um problema. O problema aqui é de linguagem. Ainda que a história possa, a priori, parecer propícia para um novelão, nada impede que, contada com linguagem enérgica e cativante ou com algum olhar renovado, ela se torne uma gema narrativa. Mas a prosa de Drummond não é fluente, embora se perceba o esforço realizado para que seja. Na tentativa de injetar o tal “olhar renovado” na frase, o autor enfileira sentenças cheias de descrições em que a narrativa tenta passear como uma câmera escolhendo um detalhe que revele o resto. Essas frases resultam apenas empoladas, truncadas, criando problemas de compreensão e mesmo incongruências para a mais elementar visualização ou verossimilhança da cena. Senão vejamos:
Quando a protagonista quebra o espelho, ela escreve: “Um pedaço afiado caiu da peça e a rachadura, larga, permitia ver a madeira que a sustentava“. (p. 31) Sustentava o quê, a rachadura ou a peça? E logo na página seguinte, temos a repetição da mesma estrutura na frase: “Olhei para o móvel e o que vi era realmente curioso: havia ali uma fotografia. Não havia caído acidentalmente entre o espelho e o fundo que o sustentava“. (p.32)
Ao encontrar a foto, essencial para o avanço da narrativa, a jornalista a descreve longamente, mas prestem atenção no trecho a seguir: “Não fosse sua pose ali, e o retrato poderia passar por um cartão postal da época. Sua aparência era alegre, sorriso ainda na validade dos primeiros segundos. Cabelo moreno e bastante curto, sugerindo seus vinte e poucos anos”. A imagem, como informa o autor, é em preto e branco. Portanto, como, numa foto com mais de 60 anos de idade, se pode afirmar com tanta certeza que cabelos “bastante curtos” são morenos? E como qualquer corte de cabelo poderia “sugerir” uma idade em período tão remoto em uma foto sem cores e que não é sequer um close?
A estrutura das descrições, longas a maioria delas, também não ajuda na fluência do texto – o que trava o avanço da leitura: “O homem levou-me até a sala escura, onde me apontou uma poltrona puída, e, tossindo, deitou-se no sofá, onde já o aguardava um velho cobertor. Ao lado, uma sacola de plástico translúcido permitia ver que estava repleta de remédios.” Por que esse pulo narrativo do homem para a sacola entregando a ela, a sacola, o comando da ação, já que ela, o objeto inanimado, de súbito “permite” ver alguma coisa? Depois, a prosa volta a se concentrar no homem, mostrando que a sacola foi mero torneio formal. 
Não que o conto se resuma a essas tentativas de frases de efeito, há bons achados (“‘Senhor, diversos móveis do local onde moro foram comprados nesse antiquário’, dirigi-me propositalmente à pessoa mais idosa que encontrei lá. Um jovem em um antiquário não inspira confiança“.) O saldo final, contudo, é que se tentou preencher com estilo deficiências da construção narrativa.

A canção de Maria, de André Vianco
Vianco é o primeiro autor da coletânea a de fato se ajustar a seu anunciado espírito: enfileirar autores “pop” para os quais a crítica torce o nariz. Best-seller nacional com seus livros de vampiros anos antes que Stephenie Meyer tornasse os dentuços moda outra vez com Crepúsculo, ele começa este conto parecendo que vai ousar, afastando-se de seu universo de referência para tentar algo novo. Em um ano indeterminado do que parece ser o Oriente Médio dos tempos bíblicos, mais especificamente os anos em que Jesus teria passado pela região, um lenhador de nome Ezra dá abrigo, em certo dia particularmente chuvoso, Maria, uma jovem menina prestes a parir. A menina dá à luz a filha e o velho, viúvo, acolhe ambas como um sopro de vida e alegria em uma existência incolor. Como a jovem já havia escapado de um apedrejamento, Ezra, para evitar problemas, apresenta-a ao povoado em que vive como uma meia-irmã que não via há muito tempo. Até que um dia, ao voltar para casa do trabalho, Ezra encontra um cenário de tragédia que o enluta e o coloca na desagradável posição de ter de lutar contra uma maldição que pode aprofundar ainda mais sua perda.
Fujo de dar muitos detalhes, o suficiente apenas para que vocês saibam que… sim, tem vampiro no meio. De novo.
Não que um conto de horror nos tempos bíblicos não seja uma bela ideia, e enquanto Vianco vai construindo a atmosfera de seu enredo, a coisa funciona. A delicada construção do sentimento que começa a unir, aos poucos, Ezra, Maria e a bebê desta, Miriam, consegue ser comovente, apesar de alguns tropeços de linguagem, como a insistência em chamar Maria de “jovem mãe” ou em descrições que resvalam no piegas: “Ezra apanhou um facão e suspendeu o corpo leve da menina com seu braço forte“.
O problema verdadeiro reside em o autor abandonar o mundo que vinha construindo, alicerçado na narrativa bíblica ocidental, para inserir nele seu tema de eleição. Vianco não está tentando algo novo, está só viajando pelo tempo carregando a bagagem de sempre. Não que ele precisasse fazer algo novo, mas a própria ambientação da narrativa nos tempos de Jesus – Ezra é identificado mais adiante como primo de João, o Batista, convalidando esta afirmação – pediria uma solução mais orgânica. Incluir um vampiro, identificado assim mesmo, com esta palavra, fere de morte a credibilidade da narrativa. Não pensem que vejo como um problema colocar vampiros em qualquer época (eu até vejo, mas não é o centro do meu argumento aqui). O que seria interessante em ver um vampiro em um período tão remoto é imaginar como aquela visão de mundo supersticiosa e religiosa entenderia tal criatura. E usar a palavra “vampiro” é oferecer uma interpretação a priori que negligencia qualquer tentativa de imaginar esse entendimento. E
mbora algumas narrativas folclóricas hebraicas, como os filhos de Lilith, devoradores de energia sexual, possam ser vistas como lendas ancestrais de vampiros, não seria assim que eles seriam encarados pela Israel do século I, e sim como demônios, íncubos ou súcubos, Dibuk – há até mesmo uma palavra à disposição naquele contexto, alukah, que significa literalmente “sanguessuga”, e que é usada em Provérbios 30:15: “A sanguessuga tem duas filhas: Dá e Dá. Estas três coisas nunca se fartam; e com a quarta, nunca dizem: Basta!”, no que poderia ser uma referência ancestral ao mito “vampiresco”.
Escrever é pesar as palavras, e ao escolher usar o termo “vampiro”, já tão carregado de interpretações extemporâneas ao conto que escreveu, Vianco não deixa de transformar sua narrativa de uma “história bem contada”, como a coletânea se anuncia, em… experimento literário. A chave de leitura passa a ser metaficcional:  desculpa-se o uso do termo vampiro porque isto é uma história “de André Vianco, autor de livros de vampiro”, não “a história de um lenhador judeu enfrentando um horror incompreensível no século I”. Busca-se no escritor e em sua carreira pregressa algo que atenue a impressão de que o autor não dotou a história de coerência interna.

Na Maternidade, de Thalita Rebouças
Uma divertida e bem-humorada narrativa de Thalita Rebouças que não chega a começar exatamente bem, mas se recupera até um final que abraça com sinceridade a emoção. Armando é um homem para quem pelada (o jogo, bem entendido) é “um troço muito importante” – e, por isso, ele está sempre arranjando problemas com sua mulher, Angela Cristina, que “como toda mulher de peladeiro, detesta o meu dia de pelada. Diz que não entende como um bando de marmanjos leva tão a sério ‘um jogo idiota’, como conseguimos deixar mulher de lado em prol de futebol e outras barbaridades do gênero“. Esse foi meu senão inicial com a obra: a insistência em reforçar estereótipos sexistas como o do “peladeiro de alma” e suas atribulações com a incompreensão das mulheres a respeito desse ritual sacrossanto do futebol semanal. Ainda bem que o texto é assinado por Thalita. Fico imaginando o que se poderia dizer dele se fosse escrito pelo David Coimbra, por exemplo. 
Mas voltemos ao conto. Armando e Angela estão esperando um bebê para breve. Ao saber dessa informação, o leitor não tardará a deduzir que a filha terminará por nascer perto de uma pelada marcada pelo pai com os amigos. E é aqui que o conto me surpreendeu, de certo modo, porque parecia se encaminhar para uma comédia em que a graça viria das trapalhadas do pai tentando estar presente nas duas situações, mas não é isso. A esposa de Armando tem o bebê, e ele de fato decide de súbito ir até a pelada já marcada. Imerso na tensão cômica que foi aguardar o parto com a mulher, Armando só percebe a imensidão do que acaba de acontecer com ele, tornar-se pai, depois do jogo, em uma cena que poderia ser piegas mas que tira proveito de uma linguagem leve, aparentada com a crônica, apropriada para a brevidade da história. 
Narrado em primeira pessoa, o conto produz humor por diálogos ágeis, na contraposição entre Armando, deslocado mas presente em um momento em que ele é necessário mas completamente inútil, como o do parto, e Angela, voluntariosa e tensa pelas dores. É uma boa história, como falei, e um entretenimento tecnicamente bem-executado.

Fogo e Trevas, de Eduardo Spohr
Confesso nunca li a série que tornou Spohr um fenômeno de público, A Batalha do Apocalipse, portanto não posso dizer se o texto publicado na coletânea é de algum modo parte dos romances do ciclo – a apresentação do autor, anterior ao conto, não discrimina se o texto é um conto ou parte de um romance inédito ou já publicado (Felipe Pena explica no ensaio introdutório que abriu mão do critério do ineditismo), e essa é uma crítica que pode ser feita à organização do volume. Este texto, contudo, não é um conto, é claramente um fragmento de um romance em progresso ou até mesmo algo que se insere nas brechas de uma narrativa maior, talvez até multimidiática, como uma fanfic de um RPG, algo assim, mas não posso apostar. Basicamente, é a condução de duas cenas em momentos distintos no tempo e no espaço, e o andamento e a coesão situam-se, consequentemente, fora dos parâmetros de análise.
A primeira parte narra a luta de um grupo multifacetado de aventureiros em uma câmara subterrânea contra um demônio de, como diz o título, “fogo e trevas” – algo que claramente se inspira, mesmo que por caminhos indiretos, na batalha contra o Balrog nas minas de Moria descrita por Tolkien em O Senhor dos Anéis. O grupo de aventureiros tem a variegada composição obrigatória em obras literárias de fantasia-mágica-medieval-ao-estilo-RPG-ou-videogame-adventure: Eu poderia enumerar, mas acho que podemos dar voz ao próprio autor:
“Quem vinha primeiro era Artimus, o cavaleiro, segurando sua enorme espada de duas mãos. Trajava uma armadura de placas de metal, com o visor do elmo levantado. Alana, a feiticeira, caminhava logo atrás, seguida pelo bruxo Zamir, com suas vestes negras e cajado de marfim escuro. Na retaguarda apareceu Grammal, um guerreiro bárbaro meio gente e meio orc com a força de três homens, carregando um pesado machado duplo com lâminas-irmãs duas extremidades.”
O trecho não diz, mas o grupo também é composto por um arqueiro e por um “halfling” – raça mágica recorrente em RPG, são humanoides pequenos e ágeis, parecidos com duendes para os não iniciados. A segunda metade da narrativa mostra, seis meses antes, o guerreiro Artimus em uma aprazível varanda em uma localidade nas montanhas, engajado em um diálogo com uma sacerdotisa no qual repassa os antecedentes que vão levar à aventura da primeira parte da história.
Com raras exceções, considero a literatura derivada de RPGs falha em reproduzir literariamente a diversão proporcionada aos participantes efetivos do jogo, mas estou mantendo minha mente aberta aos postulados da coletânea: não há novidade alguma no uso que  Spohr faz desse material, mas vamos analisar como ele é estruturado enquanto entretenimento. A luta na câmara subterrânea é uma cena de aventura narrada em ritmo ágil, embora padeça de alguns problemas, um deles recorrente dos quadrinhos de super-heróis: a descrição de um gesto é simultânea à enunciação de uma fala, e o gesto claramente deveria ser rápido demais para que essa fala pudesse ser proferida, ou o suspense é ralentado até muito além do que seria crível mesmo dentro dos postulados internos de uma obra de fantasia. Há também deslizes técnicos: algumas descrições, embora empolgadas, não são eficientes em fazer o leitor visualizar corretamente a ação:
Percebendo que Alana era uma feiticeira cujos encantamentos poderiam afetá-lo, usou sua mão esquerda para agredir a mulher. Por instinto, Alana pulou para trás e protegeu o rosto. Escapou das garras, mas o punho da fera a acertou no quadril“. Esse gesto me parece fisicamente impossível: ou Alana foi atingida por um punho fechado ou por garras de uma mão aberta. Ainda que o tal demônio fosse o Wolverine, com as garras projetadas do dorso da mão, não consigo imaginar como alguém, com um passo para trás, se esquivaria das garras mas não do punho.
Um pouco antes, um dos aliados vestidos em armadura já havia sido derrubado e pisado pelo demônio. Nessa cena temos outro problema:
A placa que protegia o tórax de Grammal era a única coisa que o mantinha vivo, mas esquentava a cada instante, feito chapa quente. Em pouco tempo, o semiorc seria esturricado.
Bom, até onde eu me lembro, uma placa peitoral é uma chapa metálica, que está ficando quente, no caso do conto. A menos que a metáfora “feito chapa quente” seja uma inserção deslocada de uma gíria carioca, é uma redundância que compromete. Sem falar que é estOrricado, e não estUrricado.
Dado que o objetivo era o entretenimento, esses problemas são, para mim, pedras no caminho que impedem a fruição de uma boa leitura em uma narrativa que já é na origem o reaproveitamento de clichês narrativos de fantasia. Sempre vai ter alguém dizendo que gostou, que o autor tem fãs (não discuto isso, ele tem mesmo, e eu não li o Batalha do Apocalipse). Entendo que provavelmente os textos de Spohr não se dirigem a leitores da minha idade ou com minha bagagem de leitor (no bom e no mau sentido), mas a jovens abertos a ler tudo como novidade porque, para um leitor recém-iniciado na leitura, tudo de fato é novidade. Só que estou analisando este texto da forma como  foi apresentado, em uma coletânea voltada para o leitor não iniciado e sem notas de rodapé.

Por hoje era isso. Espero vocês no próximo post sobre o livro.

Comentários (2)

  • Mundo Livro » Arquivo » Descongelando os subzeros – parte 2 diz: 6 de setembro de 2012

    [...] >>> Leia aqui a primeira parte da série de resenhas de Geração Subzero Início [...]

  • Mundo Livro » Arquivo » Descongelando os subzeros – parte 3 diz: 14 de dezembro de 2012

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