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11 de setembro de 2012 0

O escritor Caio Riter. Foto: Adriana Franciosa, arquivo ZH – 01/09/2005

Texto de Caue Fonseca

Há, sim, crianças e adolescentes. Mas, aqui, ora são roubadas por forasteiros que se aproveitam de mães solitárias, ora são atacadas a golpes de faca para lavar a honra ou impedir vingança futura. Nos contos de Vento Sobre Terra Vermelha (8Inverso Editora, 184 páginas), o escritor Caio Riter se aventura com estilo diverso, mas com a mesma destreza demonstrada nos livros infanto- juvenis pelos quais é reconhecido.

Mesmo que o Caio dos títulos juvenis apareça em pinceladas lúdicas, é injusto com Vento Sobre Terra Vermelha Editora – limitá- lo à comparação com a trajetória do seu autor, porto-alegrense de 49 anos e com mais de 20 de obras publicadas.

Vento… para em pé. Em rara escrita que é ao mesmo tempo mítica, ancestral e límpida, Caio apresenta um bem amarrado conjunto de contos sitiados em uma cidade a todo tempo desafiada por pequenas barbáries, quase sempre cometidas por gente comum e sem rumo.

Em torno de um personagem que morrerá ainda no primeiro conto, o temido e respeitado Coronel Boaventura, aparecem outros que se comunicam em narrativas de estranhamento, luxúria ou simples violência.Embora não se prenda a aspectos regionalistas de linguagem, o Rio Grande do Sul de Simões Lopes Neto aparece na obra de Caio por meio da pretensa firmeza de valores, e na ligeira punição, quase sempre a lâmina, a quem os afronta.

Não é por acaso que o conto que fecha a obra narre o caso de uma árvore da praça que, se acreditava, punia de morte quem a desafiasse. E ainda apontava, com a sua sombra, o cenário das tragédias. É uma metáfora do que une as histórias: personagens que sucumbem a tentações mesmo antevendo e temendo os seus desfechos. E o fazem por serem vítimas de desejos irrefreáveis como o vento que dá nome ao livro.

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